Especialista trabalha para adaptar sono de atletas que competem à noite
Objetivo é "adequar o horário de dormir e de acordar" de quem participa das últimas provas do dia nos Jogos Olímpicos
Objetivo é "adequar o horário de dormir e de acordar" de quem participa das últimas provas do dia nos Jogos Olímpicos
Como em Londres 2012, o atletismo dos Jogos Olímpicos Rio 2016 terá provas noturnas (foto: Getty Images/Stu Foster)
Consultor do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e professor da UFMG e da Unifesp, o especialista em sono Marco Túlio de Mello tem papel fundamental na preparação de atletas brasileiros para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Sobretudo de quem compete à noite em natação, atletismo, voleibol e vôlei de praia. “É preciso adequar o horário de dormir e de acordar, assim como o período de treinamentos", diz.
Por outro ouro, voleibol brasileiro controla até a quantidade de água das atletas
O sono começa com as fases 1, superficial, e 2, longa - mas “pobre”. Em seguida vem a delta, em que o descanso é profundo e fundamental para o atleta. É quando ocorre, por exemplo, a liberação do hormônio de crescimento. A etapa final, REM (“movimentos oculares rápidos", na sigla em inglês), é ainda mais importante, pois está ligada à cognição e à memória.
“O atleta precisa dessas últimas fases para seu processo decisório: as largadas no atletismo, as saídas na natação, chutes na bola à direita ou à esquerda... Para tudo que depende do tempo de reação", explica Mello.
Fernanda Garay, Thiago Pereira e Fabiana Murer (Fotos: CBV/CBDA/CBAt/Divulgação)
Habituada a parrtidas noturnas, a seleção feminina de voleibol trabalha para retardar a liberação de melatonina, o hormônio do sono, que geralmente ocorre no horário em que as garotas estão em quadra. Para isso, a equipe encara o Grand Prix, com viagens à China e à Turquia no mês de junho, com um trabalho específico para encarar a competição. Quando chegar ao Brasil, em julho, o time inicia outro ciclo, então voltado aos Jogos Olímpicos.
“Chegaremos ao CT de Saquarema em 18 de julho. A partir daí, as jogadoras começam a ser expostas a muita luz durante a noite”, diz o preparador físico José Elias Proença. E não só elas: para acompanhar as atletas, o técnico José Roberto Guimarães já experimentou óculos especiais, com pequenas lâmpadas na armação, que emitem luminosidade diretamente nos olhos.