Para Chantal Petitclerc, Jogos Rio 2016 vão inspirar nova geração de estrelas Paralímpicas
Uma das principais velocistas em cadeira de rodas do mundo, a canadense - dona de 14 ouros - aposta no legado do evento
Uma das principais velocistas em cadeira de rodas do mundo, a canadense - dona de 14 ouros - aposta no legado do evento
Chantal Petitclerc acredita que o Rio será um lugar melhor para as pessoas com deficiência após os Jogos (Getty Images/Adam Pretty)
Chantal Petitclerc, uma das maiores velocistas em cadeira de rodas de todos os tempos, acredita que os Jogos Rio 2016 vão inspirar uma nova geração de atletas brasileiros. A canadense, que é dona de 21 medalhas - sendo 14 ouros - em cinco edições Paralímpicas, se prepara para liderar a equipe do seu país, como chefe de missão nos Jogos Rio 2016.
A ex-atleta passou a usar cadeira de rodas aos 13 anos, quando a porta de um celeiro caiu sobre ela em uma fazenda. Moradora de uma pequena cidade em Quebec, ela encontrou sua inspiração muito longe - nos Jogos Seul 1988, quando viu o lendário atleta cadeirante canadense André Viger competir. Para ela, o mesmo efeito vai se repetir com outros jovens no próximo ano:
“Eu não tinha nenhum interesse pelo esporte, mas ver uma pessoa numa cadeira de rodas conquistando medalhas e aparecendo na televisão foi uma inspiração para mim, que era apenas uma criança, após o acidente. A mensagem foi ‘você tem opções, você pode ser ativa e respeitada e até mesmo uma estrela na TV’. O mesmo vai acontecer com muitas crianças durante os Jogos Rio 2016”, disse a canadense em entrevista ao siterio2016.com.
Para Chantal, os Jogos Paralímpicos vão desempenhar outro papel importante - colaborar com a transformação da cidade em termos de acessibilidade para pessoas com deficiência.
“Sempre penso sobre os efeitos a longo prazo para um país que recebe os Jogos Paralímpicos. O Brasil já fez muito para o esporte Paralímpico, mas ainda há muito a ser feito em termos de acessibilidade para as pessoas com deficiência. Os Jogos Paralímpicos sempre deixam um legado social que vai além do esporte e isso é algo que veremos no Rio. A acessibilidade da cidade vai melhorar”, aposta.

E, para a canadense, essa mudança vai muito além da infraestrutura:
“Não é apenas sobre construir elevadores ou rampas, mas sobre abrir a cabeça, e quando você recebe os Jogos, todos têm a oportunidade de ver pessoas com deficiência fazendo seu melhor. Os Jogos mandam uma mensagem para as pessoas com deficiência, de que você sendo atleta ou não, você pode fazer o que você quiser. E, no futuro, haverá alguém entrevistando uma pessoa cadeirante que se lembrará dos Jogos Paralímpicos e não terá qualquer problema em contratá-la”, afirma.
Desde sua estreia nos Jogos Paralímpicos, em Barcelona 1992, Chantal vem notando também uma progressiva mudança de percepção do público em relação aos Jogos Paralímpicos, que passou a ser visto como um evento de alta performance.
“Em Barcelona, as pessoas sempre queriam saber primeiro sobre o lado humano e a coragem dos atletas. Agora, todos pensam antes em alto desempenho. Talvez em 1992 as pessoas estivessem vendo as pessoas com deficiência primeiro e, depois, o atleta. Agora, elas veem o atleta e depois a pessoa”, explica.
Em sua última participação nos Jogos, em Pequim 2008, Chantal surpreendeu o mundo ao conquistar cinco medalhas de ouro, repetindo o que havia feito quatro anos antes, em Atenas. Ela também bateu três recordes mundiais e quatro recordes Paralímpicos em provas de corrida com distância entre 100m e 1.500m na China.