O esporte perdeu hoje um dos dirigentes mais transformadores de sua história.
João Havelange morre aos 100 anos, no Rio
João Havelange morre aos 100 anos, no Rio
O carioca João Havelange completou 100 anos, em maio, honrando o convite feito em 2009 aos eleitores do Comitê OIímpico Internacional, na reta final da eleição da cidade-sede para os Jogos de 2016.
"Convido todos vocês para estarem comigo em 2016, na minha cidade, no novo Brasil, para celebrar os Jogos e, por uma incrível coincidência, também o meu centésimo aniversário”, conclamou Havelange, num discurso decisivo para a eleição do Rio como sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016.
A inovação foi a característica mais marcante do carioca e torcedor apaixonado do Fluminense, onde atuou como zagueiro. Presidente da FIFA por 24 anos, e primeiro líder não europeu da entidade, deixou como legado a sua expansão internacional: incluiu as nações africanas, do Caribe, do Sudeste asiático e da América Latina na esfera de decisão de uma entidade até então eurocêntrica. Além de crescer, a FIFA se modernizou e, hoje, possui 209 integrantes – mais do que os 193 países-membros da ONU. À frente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), levou o Brasil ao tricampeonato mundial.
O atleta olímpico Havelange competiu pela natação nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, e com o polo aquático em Helsinque, em 1952. Ex-membro do Comitê Olímpico Internacional, no qual ingressou em 1963, foi eleito o "Dirigente do Século", em 1999, ao lado do Barão Pierre de Coubertin, idealizador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, e de Juan Samaranch, presidente de honra do COI. Em 2008, recebeu do Comitê Olímpico do Brasil (COB) o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, homenagem a atletas e ex-atletas representativos dos valores que marcaram a vida e a carreira de Adhemar, como a ética, a esportividade, o companheirismo e o respeito ao próximo.
“João Havelange foi pioneiro na globalização do esporte, integrando novos países e continentes ao futebol. Levou a mensagem do esporte ao mundo inteiro. A sua participação foi decisiva para estarmos hoje realizando os primeiros Jogos Olímpicos da América do Sul. Foi uma alegria ele ter podido ver esse sonho transformado em realidade. Nossos pensamentos estão com sua família e com os amigos que cultivou ao longo de uma vida dedicada ao esporte”, afirmou Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico do Brasil e do Comitê Rio 2016.