No boxe, quem manda é o médico
Mas é o cutman que sobe ao ringue para estancar sangramentos
Mas é o cutman que sobe ao ringue para estancar sangramentos
O médico de ringue Khadri Abdelhamid, da Aiba, e o cutman Juanito Ibarra, no evento-teste do Riocentro (Rio 2016/Alex Ferro)
Nenhum esporte conta com um aparato médico tão ostensivamente próximo da área de competição como o boxe. Na ponta dessa equipe fica o médico de ringue, que é o homem do “para” ou “continua” em caso de lesões dos pugilistas, ao lado do cutman, apto a fechar cortes no rosto em no máximo cinco segundos. Em casos de ferimentos mais graves, seguem uma sequência de ações pré-determinadas até a remoção para um hospital. Esse fluxo é um dos pontos que estão sendo avaliados no Torneio Internacional de Boxe, evento-teste dos Jogos Olímpicos Rio 2016 que segue até domingo (6), no Riocentro.
O evento-teste, que começou nesta sexta-feira (4), reúne 69 atletas, entre homens e mulheres, de 18 países.

Um dos médicos de ringue no Riocentro é o doutor Khadri Abdelhamid, chefe da Comissão Médica da Federação Internacional de Boxe Amador (Aiba). “Em última instância, trabalhamos pela saúde do pugilista. Temos um plano médico geral, com toda uma cadeia de médicos, enfermeiros, socorristas, gerentes de serviços. Temos relação ainda com o antidoping. E, durante competições, os atletas que lutam passam por exames prévios diariamente", conta Abdelhamid.
O médico de ringue, diz o marroquino, não fica apenas acompanhando a luta: “Nós olhamos, sim, para os atletas, procurando qualquer sintoma de que estejam próximos de sofrer qualquer tipo de risco. Não é apenas ver, mas sentir algum problema que possa estar acontecendo. Antes de mais nada, nossa função é antecipar qualquer possibilidade de lesão".
Khadri Abdelhamid, chefe-médico da Aiba
Com pelo menos 20 anos trabalhando em combates, o doutor Abdelhamid explica que o médico de ringue sobe ao tablado para atender a um boxeador em caso de risco de morte. "O normal é avaliarmos para dizer se ele tem de parar ou pode continuar a lutar”, diz o médico, explicando que se usa uma lanterninha para ver se as pupilas estão se dilatando ou não – para averiguar se há algum problema neurológico.

O cutman neste evento-teste é Juanito Ibarra, também com 30 anos de experiência em tratar dos cortes dos lutadores, de um total de 35 anos atuando no meio do boxe. Na maior parte das vezes é ele que sobe rapidamente a escadinha branca em um córner neutro (os dos pugilistas são azul ou vermelho) quando chamado.
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Com luvas, cotonetes e gazes presos como pulseiras nos dois pulsos, uma supercola biológica para os cortes, além do que chama de “borboletinhas”, também para segurar cortes, Juanito alerta que pelo tempo curto precisa estar sempre preparado: “É tiro certo! Só tenho uma chance e preciso ter tudo à mão".

No Riocentro, Bernardino Santi é o médico encarregado diretamente do boxe. Também com experiência de décadas, diz que a segurança dos pugilistas vem de exames anuais obrigatórios, completos, e também de exames pré e pós lutas, e de equipamentos de segurança, como protetores de cabeça (agora não mais utilizados no boxe masculino para maiores de 18 anos) e bucal, bandagens e luvas, além de coquilhas (protetores de órgãos genitais) e de seios, no caso das mulheres.
Sobre os protetores bucais, Santi conta que eles amortecem o impacto dos golpes e dissipam parte deles. "E sua evolução foi rápida. Dos primeiros, em modelo único, vieram depois os moldados em água quente para amolecer e chegamos a protetores moldados de acordo com a arcada dentária de cada boxeador”, diz o médico. “Não é uma questão apenas de proteção, mas de prevenção".