Nas corridas de ciclismo de estrada e de pista, o guia Edson decide por ele e por Luciano
É preciso coordenação e força na pedalada, que é igual para os dois. Mas nas freadas a responsabilidade do guia é única
É preciso coordenação e força na pedalada, que é igual para os dois. Mas nas freadas a responsabilidade do guia é única
Edson começou "quebrando o galho" como guia de Luciano e no Parapan alcançaram ouro inédito (Comitê Paralímpico Brasileiro)
“Pensar por dois” é a característica do guia de ciclismo Paralímpico. Tanto nas provas de pista, como nas de estrada, a bicicleta tandem (para duas pessoas) é mais pesada que a convencional e, portanto, requer mais força na pedalada. Mas guia e atleta fazem a mesma força, explica Edson Luiz de Rezende, que começou “quebrando o galho” como guia de Alírio Seidler. Neste ano, passou a treinar e competir ao lado de Luciano da Rosa (deficiente visual) – a quem acabou convidando para mudar e treinar com a equipe de São José, cidade ao lado de Florianópolis (SC)
Aos 29 anos, Edson diz que a adaptação à função na bicicleta tandem “foi bem tranquila”. São duplos os selins, guidões e pedais na bicicleta para provas de estrada e de contrarrelógio, mas apenas uma alavanca de freio, acionada pelo guia. A bicicleta de pista não tem freio, nem marcha, para as provas de perseguição individual e quilômetro contra o relógio.
Como guia e atleta, um completa o outro, diz Edson, lembrando que os treinamentos são mais lentos, justamente porque a bicicleta é mais pesada e se faz mais força. “A adaptação não é tão difícil, tanto que já fomos bronze na perseguição individual do Parapan (de Toronto 2015)”.
O biotipo dos dois é muito semelhante: Edson tem 1,67 m e 69 kg; Odair, 1,68 m e 70 kg. “Competir na bicicleta tandem é totalmente diferente. A força na pedalada é igual, mas tenho de pensar e decidir coisas pelos dois. A freagem, principalmente, porque você leva outra pessoa junto. Tenho de falar ‘acelera, acelera’, ou ‘diminui’, ‘faz mais força’. Mas, fora esses momentos, não preciso falar. Já estamos sincronizados”, conta Edson, mostrando que cumplicidade e confiança são fundamentais entre atletas e guias Paralímpicos.

Edson diz que também no ciclismo convencional começou por acaso, por terem roubado sua bicicleta quando trabalhava em um banco em Barretos. Ganhou outra de um tio, foi convidado para treinar e acabou se destacando pelo biotipo bom para competição. Treinar com Luciano, diz, também ajuda em sua carreira individual, pelo esforço maior e também pela experiência na condução.
“O paraciclismo está crescendo muito. A cada competição aqui no Brasil aparece mais gente. Eu gosto porque aprendemos a valorizar mais as coisas. Pessoas que não têm deficiências vivem reclamando...”, observa Edson. “Assim, do nada, conheci um parceiro e ganhei um amigo. No Parapan, quando ganhamos a medalha na prova tandem, inédita para o paraciclismo do Brasil, falei para o Luciano: ‘agora, estamos na história!’. Mas minha maior gratificação é ver a felicidade dele. Para mim, isso é mais importante que medalha”.
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