Na série de vídeos da tocha, a memorável passagem da chama por Macapá
Condutora centenária, lugares históricos e ícones da cultura são destaques do 45º dia de revezamento no Brasil
Condutora centenária, lugares históricos e ícones da cultura são destaques do 45º dia de revezamento no Brasil
Antigo refúgio de escravos, Quilombo do Curiaú recebeu o símbolo dos Jogos nas mãos da cantora Patrícia Bastos (Foto: Rio2016/Fernando Soutello)
Como cenário, uma cidade histórica, cercada por belezas naturais. No elenco, uma geração de mulheres fortes, que cantam o grito da resistência negra. E um acontecimento: a chegada de um símbolo milenar, que carrega a mensagem de paz e união no país-sede dos Jogos Olímpicos. Juntos, formam o enredo de uma história tipicamente brasileira. É o que mostra o vídeo da passagem da chama pela capital do Amapá, Macapá, divulgado pelo Rio 2016, nesta sexta-feira (17).
Guiadas pela voz da cantora Patricia Bastos, que conduziu o símbolo no Quilombo do Curiaú - celeiro da resistência negra no Norte do país -, as imagens mostram a cultura macapense com o gingado do marabaixo, dança típica da região, revelando personagens inesquecíveis, como ‘Vovó Iaiá’, a condutora centenária que fez história como a mais velha a levar o símbolo Olímpico. Confira:
A chama foi recebida na capital do Amapá com batuques e manifestações típicas da cultura afro-brasileira, como o marabaixo - dança típica que representa como os negros na senzala dançavam com as correntes nas canelas. Entre os condutores do dia, duas mulheres se destacaram por manter viva a resistência negra na região.
Maria das Dores do Rosário Almeida, de 54 anos,é bisneta de escravos e especialista em história africana e cultura brasileira. Segundo ela, foi para dar voz à cultura desta etnia e às mulheres negras da Amazônia que ajudou a fundar a Rede Fulanas – Negras da Amazônia Brasileira e o coletivo Imena (Instituto de Mulheres Negras do Amapá).
“Lutamos por um desenvolvimento justo e bem-viver para todas as mulheres negras, guerreiras ancestrais, do presente e do futuro. É isso o que o fogo Olímpico representa para nós" - Maria das Dores
Maria das Dores sorri ao conduzir a tocha Olímpica em Macapá (Foto: Rio 2016/Fernando Soutello)
Psicopedagoga e autora de livros sobre manifestações culturais da região, Piedade Videira também preserva as tradições dos seus ancestrais com a Companhia de Dança Afro Baraka. "Temos uma riqueza, não só de diversidade cultural, histórica, geográfica. A principal diversidade está nas pessoas. E nós precisamos investir mais nas pessoas, nas crianças, nos adolescentes", ressaltou.
"A outra forma de ver essa chama é na quentura, na plenitude, no que ela representa. Da energia, do afeto, do amor, da esperança, da união, da integração" - Piedade Videira
Quatro grupos de dança macapenses se apresentaram juntos no palco da celebração antes de receber a chama Olímpica (Foto: Rio2016/Andre Luiz Mello)
Cheia de energia, Aida Gemanque Mendes, mais conhecida como ‘Vovó Iaiá’, não para por nada. Mesmo com 100 anos de idade, impressionava o mundo ao praticar diferentes modalidades esportivas e até saltar de paraquedas, fato que lhe rendeu o registro no Guiness Book (o ‘livro dos recordes’) como a pessoa mais velha a realizar o feito. Agora, aos 106 anos, fez história novamente. Com o símbolo do Rio 2016 nas mãos no palco da celebração em Macapá, Vovó Iaiá se tornou a condutora mais velha da história.
“Fiquei muito feliz. Tenho que agradecer por essa alegria, que eu nunca esperei na minha vida. É um grande orgulho para mim”, contou ela, logo após acender a pira de celebração.
Vovó Iaiá acendeu a pira em Macapá após sua perna no revezamento (Foto: Rio 2016/Daniel Perpétuo)