Na casa do inimigo, brasileiros e alemães torcem juntos
Torcedores curtem juntos a final do futebol na Casa da Alemanha, e até os derrotados entram na festa após o ouro brasileiro
Torcedores curtem juntos a final do futebol na Casa da Alemanha, e até os derrotados entram na festa após o ouro brasileiro
Torcedor alemão relembra os 7 a 1 antes de entrar na festa com os brasileiros (Foto: Rio 2016/Fernanda Ezabella)
Centenas de turistas se jogaram nas areias do Leblon neste sábado (20), com cangas, cadeiras de praia e muita cerveja para assistir à final do futebol masculino. A maioria vestia camisas do Brasil, ainda que o telão fosse da Casa da Alemanha. Alguns poucos alemães se divertiam no meio da brasileirada, enquanto outros se seguravam para torcer escondido.
Como era o caso do estudante Igor Hülli, 19 anos, que mora em Botafogo, tem mãe alemã e pai brasileiro. Como ele nasceu e morou em Munique até os 14 anos, vestia jaqueta da seleção alemã e vibrava quando Neymar errava o gol.
"Estou torcendo aqui meio contido, tem muitos brasileiros energéticos em volta. Amo o Brasil, mas a Alemanha está melhor", disse em português.
Um pouco brasileiro, muito alemão, Ihor Hülli acompanhou a final no Leblon (Foto: Rio 2016/Fernanda Ezabella)
O casal de estudantes alemães Josina Henke e Luis Kramer, ambos de 24 anos, também se sentia minoria, mas balançava uma bandeira da Alemanha com orgulho.
"Realmente esperava mais alemães, mas assim é melhor. Estamos adorando ver o jogo com os brasileiros", disse Josina, em seu primeiro Jogos Olímpicos. Eles aproveitavam os ambulantes locais para comprar cerveja na praia mesmo, sem encarar as longas filas da Casa da Alemanha.
Após o jogo ser decidido nos pênaltis, uma apresentadora de uma emissora alemã teve sua passagem ao vivo invadida por brasileiros e ela mesmo acabou rindo e dançando com os desconhecidos.
Do outro lado da Zona Sul, em Copacabana, vendedores aproveitavam a vitória do Brasil para anunciar seus produtos. "Olha aqui a medalha do Neymar", gritava um ambulante tentando vender as medalhas de plástico que viraram febre nos Jogos.
Nos Aros Olímpicos, instalados nas areias de Copacabana, a fila era enorme e ficou ainda mais tumultuada com a chegada do estudante Vinicius Costa, fantasiado de tocha humana.
Vinicius Costa, o tocha humana de Copacabana (Foto: Rio 2016/Fernanda Ezabella)
"Ainda bem que o Brasil ganhou, só botei a fantasia por causa disto, vim para ajudar no espírito Olímpico", disse o paulista de Boituva de 18 anos. Ele fez a fantasia com tubo de papelão usado para fazer molde de viga de concreto. Resolveu fazer a fantasia porque a tocha não passou na sua cidade. "Corri atrás da tocha em Sorocaba, Tatui e Itu. E como foi muito legal, resolvi trazer para o Rio."