Moedas raríssimas se destacam em coleção de peças Olímpicas garimpadas por 40 anos
Dentre as mais valiosas estão a peseta de ouro VIP de Barcelona 1992 e os 500 marcos finlandeses de Helsinque 1952, com versão de 1951
Dentre as mais valiosas estão a peseta de ouro VIP de Barcelona 1992 e os 500 marcos finlandeses de Helsinque 1952, com versão de 1951
A raríssima peseta de ouro maciço: foram cunhadas apenas 120 para os VIPs de Barcelona 1992 (Arquivo Pessoal/Reprodução)
Roberto Gesta de Melo, ex-presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), é um dos maiores colecionadores de artefatos Olímpicos de todo o mundo, com aproximadamente 70 mil peças guardadas em anexo climatizado que construiu ao lado de sua casa, em Manaus.
De moedas, Gesta diz que tem “todas, de todos os Jogos Olímpicos, e também as variantes, como aquelas moedas que têm erros de cunhagem, aquelas que têm versões brilhante e fosca”, como explica o dirigente, que é membro da IAAF (sigla em inglês para a Associação Internacional das Federações de Atletismo).
Uma das moedas de Jogos Olímpicos mais raras é espanhola: a peseta em ouro maciço referente aos Jogos de Barcelona 1992, da qual só foram cunhados 120 exemplares, para serem oferecidos a personalidades. “Essa peseta de ouro é raríssima, porque só foi feita para VIPs”, conta Gesta, que teve um exemplar furtado, mas depois de uma década ainda conseguiu um segundo.
Outra raridade é a moeda comemorativa de Helsinque 1952, que teve uma edição cunhada no ano anterior (e que leva essa data, de 1951). Gesta tem as duas versões. “Foi a partir dessa edição dos Jogos que as moedas passaram a ser cunhadas em prata e outros metais. Moscou 1980, por exemplo, lançou uma série em platina”.
“Há poucos colecionadores especificamente de moedas de Jogos Olímpicos no mundo. E vale lembrar que, além delas, também são importantes as caixas originais, em que elas vêm”.
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Gesta passou 40 de seus 70 anos montando seu acervo de artefatos relacionados a Jogos Olímpicos, hoje um dos maiores do mundo porque abrange itens da Antiguidade até hoje. E, além das histórias das peças, o colecionador também tem as suas, atrás das raridades em leilões ou casas de numismática, como a dos Segarra, na Plaza Mayor de Madri.
De medalhas, o dirigente destaca a do futebol, na caixa original, de Londres 1908. O destaque nesses Jogos foi a maratona. O italiano Dorando Petri dominou a prova, mas a 350 metros do fim caiu cinco vezes e, desorientado, foi ajudado pelos árbitros a cruzar a linha – o que lhe valeu a desclassificação. A medalha de ouro foi para o norte-americano Johnny Hayes, mas a rainha Alexandra presentou Pietri com uma taça de prata (a história foi relatada no jornal Daily Mail por Arthur Conan Doyle, o escritor criador de Sherlock Holmes).
Peças de ouro maciço foram cunhadas em apenas quatro edições – e para alguns esportes: Paris 1900, Saint-Louis 1904, Londres 1908 e Estocolmo 1912.
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Gesta tem ainda protótipos de medalhas de Jogos Olímpicos cancelados por causa de guerras: Berlim 1916 e Tóquio 1940 (dos Jogos japoneses, só haveria cinco peças no mundo, hoje).
Medalhas de papel (e outros itens), com os cinco aros Olímpicos e o perfil de atleta grego usando um ramo de oliveira foram confeccionadas por poloneses prisioneiros do campo de concentração de Gross Born, em 1944, como conta o colecionador, como “celebração de esperança”, como diz o colecionador, sobre outros de seus itens.
Além das moedas e medalhas, Gesta tem em seu acervo urnas gregas, fotos, cartazes, selos, tochas, documentos – séculos de material esportivo. “Agora, ando pensando também em uniformes”.
