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Um mundo novo

Mo Farah: ‘Se eu e Bolt vencermos no Rio, vamos fazer uma festa enorme’

Por Rio 2016

Dois ouros em Londres 2012, somali radicado no Reino Unido diz que faz o corpo passar por um inferno todos os dias para brilhar no Rio

Mo Farah: ‘Se eu e Bolt vencermos no Rio, vamos fazer uma festa enorme’

Farah após vencer os 5.000 metros no Mundial 2015 (Getty Images/Christian Petersen)

Texto: Sam Green

Mo Farah foi posto à prova a vida inteira. Aos oito anos de idade, pediu asilo ao Reino Unido após fugir da guerra na Somália, sua terra natal. Ninguém poderia prever, mas, naquele momento, um novo herói nacional britânico estava chegando. Mesmo em 2008, quando não conseguiu se classificar para a final dos 5.000 metros nos Jogos de Pequim, era quase impossível imaginar que aquele atleta se tornaria um dos fundistas mais famosos deste século.

Hoje, aos 32 anos, Mo Farah tem o nome escrito na história do esporte de elite. Já são duas medalhas Olímpicas, cinco títulos mundiais e uma estátua de cera no museu Madame Tussaud de Londres. No último Mundial, em Pequim, Farah se tornou o primeiro atleta de longa distância a fazer o "triplo-duplo" – ele ganhou o ouro nos 5.000m e nos 10.000m em Londres 2012 e em dois Mundiais consecutivos.

Fique por dentro de todas as provas do atletismo em nosso infográfico interativo

Só que ele ainda não está satisfeito. Farah está obstinado em defender os dois títulos e continuar a fazer história no Rio 2016.

“É para isso que estou treinando todos os dias” disse, em entrevista exclusiva ao Rio2016.com, por email.

Se ele conseguir o "quádruplo-duplo", e seu amigo Usain Bolt conquistar o "triplo-triplo" (três ouros consecutivos nos 100m, 200m e 4x100m), o Rio de Janeiro vai ficar pequeno para a festa que as duas feras planejam dar. 

“Usain e eu nos conhecemos há mais de dez anos. Desejo a ele tudo de melhor no Rio”

Bolt e Farah após a conquista do ouro nos 5.000 metros no Mundial de Pequim (Foto: Getty Images: Cameron Spencer)


Muçulmano devoto, Farah se tornou exemplo para os milhares de imigrantes que vivem na Grã-Bretanha. Ele se considera feliz por viver em "uma sociedade verdadeiramente multicultural".

“Quando corro, corro pela Grã-Bretanha. Tenho orgulho da dupla cidadania”

Farah comemora com a bandeira da Grã-Bretanha em Pequim(Foto: Getty Images: Alexander Hassenstein)

 

Este ano, ele vem ao Brasil pela primeira vez e espera repetir a experiência vivida em Londres, que lembra como o melhor momento de sua vida.

Confira a entrevista na íntegra abaixo. 

Como está a preparação para os Jogos Rio 2016?
Estou na Etiópia para um treinamento em altitude (veja o tweet abaixo). Correr aqui significa que o corpo pode armazenar melhor o oxigênio e esta é uma parte importante do treino de resistência. Vou ficar aqui até o Grand Prix Indoor de Glasgow, que acontece em fevereiro. Depois, volto aos Estados Unidos para continuar a me preparar para o Rio.


Quais são os principais desafios a superar para o Rio?
Minha principal preocupação agora é não me machucar. Assim posso seguir com o atual plano de treinamentos – sair da minha programação complica as coisas e tenho que estar focado no Rio todos os dias. Um desafio pessoal é ficar tanto tempo longe da minha família – o que se torna cada vez mais difícil ao longo dos anos. 

Com a filha Rhianna, as gêmeas Aisha e Amani, e a esposa Tania – o filho, Hussein, nasceu em outubro de 2015 (Foto Getty Images/Ian Walton)


Como se sente ao saber que é o único a ter conquistador o “triplo-duplo"?
Fico muito feliz com minhas medalhas de ouro de Londres, Moscou e Pequim. Nenhuma delas foi fácil de conquistar, e defendê-las é algo que significa muito para mim. Qualquer vitória internacional é algo a se orgulhar para um atleta, mas há algo de especial em fazer história no palco do mundo. 

No início da carreira, você acreditava que teria este sucesso?
Precisei de muito tempo e muito trabalho para chegar a este nível. É preciso valorizar o tempo – são meses e anos. Quando comecei, não tinha ideia do que poderia acontecer. Eu estava ainda sonhando em jogar futebol. O atletismo mudou a minha vida, deu forma ao meu mundo e me ensinou disciplina sobre mente e corpo. Também me deu a chance de sustentar a minha família e garantir que meus filhos tenham oportunidades que não tive quando era criança.

Quando chegou à Grã-Bretanha, aos oito anos de idade e sem falar inglês, imaginava como sua carreira se desenvolveria?
Não. Naquela época, eu não sabia nem o que era correr competitivamente. Quando era criança, eu amava futebol e sonhava em jogar pelo Arsenal. Nunca tinha sequer considerado correr até meu professor de educação física, Alan Watkinson, ver que eu tinha talento para o atletismo. Graças a ele, consegui vencer alguns títulos escolares. Mas foi só quando venci o Europeu Junior que pensei que poderia fazer isso profissionalmente.

Farah representou seu time do coração, o Arsenal, em uma partida beneficente para refugiados em Londres, em 2013 (Foto: Getty Images/Alex Broadway)


Como a sua experiência como imigrante influenciou o seu crescimento como pessoa e como atleta?
Como era muito pequeno, não lembro muito da Somália. Mas eu e minha família nos sentimos em casa no Reino Unido. As pessoas são muito receptivas e é uma verdadeira sociedade multicultural. É o país onde cresci, é onde estudei. Tenho orgulho de minha dupla cidadania e tenho orgulho de ser britânico. Quando eu corro, corro pela Grã-Bretanha.

2015 deve ter sido um ano difícil para você, com as controvérsias envolvendo seu treinador (o ex-fundista Alberto Salazar, que nega veemente ter receitado substâncias irregulares a seus atletas). Como esse episódio te afetou?
Foi frustrante ser tragado para dentro dessa história. Não quero passar por isso de novo. Eu simplesmente me concentrei e continuei com meu plano de treinamento. As duas medalhas de ouro no Mundial de Pequim foram o resultado. Então, ano passado foi um grande ano para mim.

Qual é a sua memória mais forte dos Jogos Olímpicos Londres 2012?
Lembro do barulho da torcida quando estava na última volta. Foi um sentimento muito bom ter 80 mil pessoas torcendo por mim, gritando meu nome. Foi o melhor momento da minha carreira. Olho para trás e ainda não consigo acreditar.

Você acha que consegue fazer o "quádruplo-duplo" ao defender seus títulos no Rio? Quem são seus principais adversários?
É para isso que estou treinando todos os dias. Acredito que os principais adversários sejam os mesmos dos últimos anos - a maioria, atletas do Quênia e da Etiópia. As provas de 5.000 e 10.000 metros sempre têm velocistas extremamente talentosos.

“Todo dia faço meu corpo passar por um inferno para garantir que estarei bem no Rio"

 

O que você acha do Rio como cidade-sede dos Jogos Olímpicos?
Nunca fui ao Rio, mas mal posso esperar para ir. Todo mundo me falou sobre como são bonitas as praias e que as pessoas são muito amigáveis. O Brasil é famoso pelo futebol, então eu espero ter um tempinho para melhorar o meu drible. Mas o mais importante é que, ainda que eu esteja a mil milhas de Londres, sei que terei o apoio de casa. É o que me faz seguir em frente. 

Como é a sua amizade com Usain Bolt? Se ambos conquistarem seus objetivos no Rio, vão comemorar juntos?
Nos conhecemos há mais de dez anos. Usain e eu crescemos juntos no atletismo, os dois sob os holofotes, ele sabe bem como é isso. Desejo tudo de melhor para ele no Rio. Se nós dois ganharmos, tenho certeza que vamos fazer uma festa enorme.

 

Mo Farah e sua comemoração especial, com a pose apelidada de mobot (Photo: Getty Images/Andy Lyons)


E você vai fazer o mobot (pose que é sua marca registrada) se ganhar no Rio?
Sim, ele vai aparecer…

Quais os planos para depois do Rio? 
Em 2017, teremos o Mundial em Londres – esse provavelmente é o meu próximo objetivo. Ainda não decidi, mas talvez depois posso passar a correr maratonas e outras distâncias. Mas tenho que esperar e ver o que acontece no resto do ano.

Aprenda a fazer a dancinha do mobot com Mo Farah