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Um mundo novo

Chef Massimo Bottura aproveita os Jogos e traz ao Brasil projeto social focado na gastronomia

Por Rafael Cavalieri

Dono do melhor restaurante do mundo, italiano servirá cinco mil refeições a pessoas em situação de vulnerabilidade social

Chef Massimo Bottura aproveita os Jogos e traz ao Brasil projeto social focado na gastronomia

Massimo Bottura e David Hertz com a tocha Olímpica: parceria social no Rio (Foto: Rafael Cavalieri/Rio2016)

Seu restaurante foi eleito neste ano o melhor do mundo. As reservas para degustar suas criações precisam ser feitas com meses de antecedência. Uma refeição completa por lá pode chegar a 600 euros por pessoa (quase R$ 2,2 mil). Com todas essas credenciais, o chef Massimo Bottura implanta no Rio de Janeiro o projeto Refettorio Gastromotiva, em que alimenta diariamente pouco mais de cem pessoas em situação de vulnerabilidade social que foram previamente cadastradas - até o final dos Jogos, cinco mil refeições serão servidas.

A iniciativa é uma parceria do projeto social do chef, Food For Soul, com a ONG Gastromotiva, fundada no Brasil há dez anos pelo inglês David Hertz.

Massimo Bottura fala sobre seu projeto no Rio Media Center (Foto: Rafael Cavalieri/Rio 2016)

Localizado no boêmio bairro da Lapa, o Refettorio utilizará insumos próprios não manipulados, mas que seriam desperdiçados por não atenderem a padrões como o formato. Durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, os alimentos serão fornecidos pelo catering Behind, responsável pelas refeições da Vila dos Atletas, do Media Center e da força de trabalho dos Jogos.

Além da dupla, uma constelação de chefs premiados também passará pela cozinha do Refettorio. Estão confirmados nomes como Alex Atala, Alain Ducasse, Andoni Luis Aduriz, Claude Troisgros, Roberta Sudbrack, Rafa Costa e Silva, Alberto Landgraf, entre outros.

Em coletiva na tarde desta quarta (3), no Rio Media Center, Bottura relembrou o Refettorio Ambrosiano, que nasceu no ano passado, durante a Expo Milão 2015, e se tornou a semente do projeto atual. O italiano falou sobre a importância de conscientizar as pessoas em relação ao desperdício.

"Fiz uma promessa para minha mãe de que usaria minha visibilidade para tornar visíveis os invisíveis. É aquele momento em que você quer devolver ao mundo um pouco do que ele te deu. Temos uma oportunidade através deste projeto, que é cultural, e não de caridade, de lutarmos contra o desperdício. Se mudarmos a maneira de pensar, podemos fazer nascer uma nova tradição", afirmou o italiano.

Obras no local estão na reta final (Foto: Leo Aversa/Divulgação)

Hertz, responsável pelo convite e por fazer o projeto sair do papel, endossou as palavras do chef italiano. "Vi no projeto do Massimo a oportunidade perfeita para complementar o que fazemos com a Gastromotiva. Mais do que alimentar, a meta é formar cidadãos. Nunca havíamos trabalhado com a questão do desperdício, e isso é um legado que vamos deixar. Trata-se de um projeto de pessoas, e queremos cada vez mais pessoas conosco", explicou.

Após os Jogos, o projeto segue sendo tocado por Hertz. O terreno onde o restaurante está localizado foi cedido pela Prefeitura do Rio à Gastromotiva pelos próximos dez anos. A inauguração do espaço, localizado na Rua da Lapa 108, está prevista para a próxima terça (9).