Lin Dan vai mudar de estratégia para priorizar os Jogos Rio 2016
Astro chinês vai ficar mais focado nas competições e na classificação para integrar a equipe de seu país que virá ao Brasil
Astro chinês vai ficar mais focado nas competições e na classificação para integrar a equipe de seu país que virá ao Brasil
Lin Dan vai trabalhar sistematicamente para melhorar o desempenho a partir dos treinos de inverno (Rio 2016/Paulo Múmia)
O 2º Yonex Brasil Grand Prix, evento-teste do badminton para os Jogos Rio 2016, encerrado neste domingo (29) no Riocentro, marcou o anúncio de uma nova fase para Lin Dan. O chinês, astro do esporte, anunciou que em breve vai diminuir as atividades extra quadra para focar na classificação Olímpica. Ele quer lutar por sua terceira medalha de ouro na competição individual masculina no Brasil. “A partir dos treinos de inverno (no Hemisfério Norte) vou trabalhar sistematicamente”, promete o astro, que ficou com a medalha de ouro individual no evento-teste ao derrotar o espanhol Pablo Abian por 21/13 e 21/17. "No pódio ainda não me senti nos Jogos Olímpicos porque tenho um longo caminho pela frente".

De fato, Lin Dan tem motivos para não estar confortável. Cada país pode inscrever apenas dois atletas na disputa de simples masculina do badminton Olímpico. Atualmente o astro está com a segunda vaga chinesa – a primeira é de Chen Long, líder do ranking mundial da Federação Mundial de Badminton (BWF). Esta semana Lin Dan caiu da terceira para a quarta posição na mesma lista. Tian Houwei e Wang Zhengming, respectivamente na nona e décima posição, estão no seu encalço. O astro tem boa vantagem, mas não pode vacilar até 1 de maio do ano que vem, quando o ranking para os Jogos Rio 2016 será encerrado. O anúncio dos classificados sai no dia 5 de maio.
Lin Dan ressalta que vir ao Brasil e lutar pelo tricampeonato Olímpico será algo especial. “Representar a China para mim é uma honra”, diz Super Dan, que aos 28 anos já havia conquistado todos os grandes torneios possíveis no seu esporte. O chinês reconhece que não vem apresentando a mesma performance de alguns anos, muito porque em 2015 perdeu algumas competições. “Mas eu amo o badminton”, declara. Por isso, ele pretende mudar de estratégia em 2016. Vai cumprir algumas atividades obrigatórias dos patrocinadores, mas, fora isso, o esporte prevalecerá. “No ano que vem, ficarei focado nos eventos esportivos”.
O evento-teste no Riocentro foi de aprendizado para todos os envolvidos. “Foi uma grande oportunidade da Federação Mundial de Badminton (BWF) e dos organizadores de testar muitas coisas para o torneio (Olímpico) de badminton no Rio”, disse Peter Tarcala, presidente de eventos da BWF.
Os atletas experimentaram um tipo diferente de tabela. O formato Olímpico, inaugurado nos Jogos de Londres, não acompanha o restante do circuito regular da BWF, organizado em jogos eliminatórios. “Muda um pouco quando a gente participa de competição em sistema de chaves”, apontou Lin Dan. Os duplistas, principalmente, pediram por um formato com previsão de jogos mais longos no ano que vem. “Sei que foi duro para os atletas envolvidos em mais de um evento de duplas (masculinas ou femininas somadas às duplas mistas). Eles tiveram às vezes um intervalo pequeno entre partidas, mas isso não vai acontecer nos Jogos porque teremos um número maior de dias de competição”, garantiu Tarcala.

Lin Dan e alguns jogadores sugeriram melhorias no ar condicionado - mencionaram preocupação com o vento que sai dos dutos. “Interfere um pouco na trajetória da peteca, embora não nos impedisse de jogar”, explicou o holandês Jacco Arends. Sobre a questão, Peter Tarcala ressaltou alguns detalhes importantes como o fato de que, apesar de o evento-teste ter sido realizado na mesma arena dos Jogos Olímpicos, a posição das quadras será um pouco diferente no ano que vem. "Estamos atentos à questão. Durante dois dias fizemos uma série de testes, com medições da corrente de ar nas mais diferentes alturas (que a peteca atinge: 2 metros, 6 metros, 10 metros). Teremos os resultados na semana que vem e, a partir deles, vamos finalizar o plano que será usado nos Jogos", disse Helena Gomes, gerente de competições de badminton dos Jogos Rio 2016.
Os atletas que estiveram no Riocentro torcem por uma presença grande de torcedores nos Jogos. O evento-teste de badminton teve público restrito a convidados. “Queremos ver bastante gente acompanhado nossas partidas no ano que vem”, pediu Lin Dan. "Estamos trabalhando para uma capacidade de público de 6.500 pessoas nos Jogos", garantiu Rodrigo Garcia, diretor executivo de Operações dos Jogos.
