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Um mundo novo

Lenda Paralímpica, Alex Zanardi pede por Jogos originais

Por Rio 2016

Ex-piloto das Fórmulas 1 e Indy, italiano perdeu as pernas em acidente e ressurgiu no ciclismo de estrada com dois ouros Paralímpicos

Lenda Paralímpica, Alex Zanardi pede por Jogos originais

Com dois ouros em Londres 2012, Alex Zanardi planeja nova dobradinha no Rio 2016 (Bryn Lennon/Getty Images)

“Quando você acha que já fez tudo o que podia, espere por mais cinco segundos. Muita coisa pode mudar num instante”. A frase que o astro Paralímpico italiano Alessandro “Alex” Zanardi carrega como lema para sua vida diz muito sobre a sua trajetória. Após perder as pernas em um acidente durante uma etapa da Fórmula Indy em 2001, o ex-piloto de automobilismo dedicou-se ao ciclismo de estrada e conquistou dois ouros em Londres 2012 – triunfos que o tornaram um dos atletas com deficiência mais conhecidos de todo o mundo. Com os Jogos Rio 2016 na mira, Zanardi contou, em entrevista exclusiva ao rio2016.com, como foi seu processo de reabilitação e sua expectativa para ver o Rio de Janeiro como cidade-sede dos Jogos – que, de acordo com ele, têm tudo para ser os mais originais da história.

“Londres deixou um grande legado, mas acho que seria um erro tentar fazer Jogos melhores que os britânicos apenas copiando o que eles fizeram. Vocês têm que ser os mais originais. Se as competições forem de uma maneira bem brasileira, copiando das outras edições somente o necessário para uma organização boa e eficiente, tenho certeza que vocês irão atingir o objetivo. Os Jogos devem ter marcas diferentes dos outros, e o Brasil é o país com maior potencial para aceitar e vencer esse desafio”, afirmou Zanardi.

Alex Zanardi sobre sua handbiek durante os Jogos Londres 2012
Zanardi ficou com o ouro nas provas de ciclismo de estrada e contrarrelógio em Londres 2012 (Foto: Bryn Lennon/Getty Images)

Foi em 2012, nos Jogos de Londres, que Alex Zanardi entrou para a história Paralímpica – a jornada até suas duas medalhas de ouro, no entanto, começou muito antes. Em setembro de 2001 (exatos 11 anos antes), Zanardi corria a etapa de Lausitz da Fórmula Indy, na Alemanha. Em uma temporada ruim, o italiano largou naquela prova da 22ª posição de um total de 27 carros. Conseguiu chegar à liderança da prova após uma grande corrida de recuperação – aquela no entanto, não seria sua reabilitação mais importante. Faltando 13 voltas para o fim da prova, se envolveu a mais de 300km/h com o canadense Alex Tagliani no acidente que lhe custou as pernas.

“Não foi fácil voltar com uma adversidade tão inesperada. Demorei um ano para me reabilitar completamente e conseguir usar minhas próteses de maneira eficiente”, contou.

Inspiração para mais vitórias

No socorro aos pilotos, o médico Terry Trammel conta ter visto algo no chão que, em um primeiro momento, achou ter sido óleo; era sangue de Zanardi. Do acidente até o hospital, percurso feito dentro de um helicóptero, o italiano chegou a perder 70% do sangue do corpo e sofreu diversas paradas cardíacas. Os médicos sabiam que sua sobrevivência era improvável. Era a ressureição de um grande campeão. De uma experiência que poderia ser traumática, Zanardi tirou forças e inspiração para mais vitórias.

“Nunca pensei em desistir do esporte. Mesmo no hospital, logo após o acidente, eu sabia que eu era a mesma pessoa, o mesmo piloto, o mesmo atleta de antes de perder minhas pernas. A natureza nos dá as pernas por uma razão, e eu entendi o acidente como uma oportunidade de investigar de que outro modo eu poderia usar meus talentos, agora só com braços e mãos. E mesmo assim eu consegui vencer corridas tanto de automobilismo, como de ciclismo para pessoas com deficiência”, afirmou o italiano, que, após sua recuperação, voltou a Lausitz para completar as 13 voltas que restavam da prova em que se acidentou.

Sua aventura no ciclismo começou com um convite para participar de um evento para promover a Maratona de Nova York, uma das mais famosas do mundo. Ele aceitou, mas com uma condição: participar da prova, com sua bicicleta. Terminou em quarto lugar naquele ano; em 2011, foi campeão.

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“Quando deixei o automobilismo de lado para me preparar para o ciclismo pensando em disputar os Jogos de Londres, até minha esposa duvidou de que eu estivesse fazendo a coisa certa. Mas o ponto é que ‘coisa certa’ não existe, ou pelo menos muda, de acordo com aquilo que você realmente deseja fazer. Na minha vida eu aprendi a sincronizar os desejos do meu coração ao meu cérebro, e não o contrário. Vencer em Londres foi incrível, mas os três anos de preparação anterior aos Jogos é que têm o grande valor, porque ali eu estava apenas fazendo o que amo fazer, eu estava fazendo o que realmente escolhi fazer. Eu não pulei na minha handbike porque eu queria vencer em Londres. Eu venci simplesmente porque queria muito andar naquela bicicleta”, contou.

Locais de competição Paralímpicos "conhecidos"

Apesar de ter trocado o esporte, o automobilismo parece continuar fazendo parte da sua vida. Em Londres 2012, o ciclismo de estrada foi disputado no icônico circuito de Brands Hatch, que durante anos sediou o Grande Prêmio da Inglaterra de Fórmula 1, campeonato que Zanardi disputou de 1991 a 1994 e, depois, em 1999. Coincidência ou não, o Parque Olímpico e Paralímpico da Barra está localizado no mesmo local do antigo autódromo de Jacarepaguá, onde o italiano já disputou etapas da Fórmula Indy.

“Eu amo o Rio. Estive na cidade muitas vezes para disputar a etapa da Fórmula Indy que, ironicamente, nunca venci. Assim como no circuito de Brands Hatch, onde foi disputada a prova de ciclismo dos Jogos Paralímpicos Londres 2012. É um circuito que sempre amei, onde competia bem, mas onde nunca tive o prazer de vencer uma corrida sobre quatro rodas. Aí tive que voltar lá com minha handbike para consertar isso”, brincou o italiano. “Espero que no Rio aconteça o mesmo. Já soube que o Parque Olímpico será exatamente na mesma área onde havia o circuito em que eu competia. Será um sinal?", destacou Zanardi.

Emocionado, Alex Zanardi segura com força sua medalha Paralímpica de ouro e olha para o céu
"Nunca pensei em desistir do esporte", afirmou o italiano Alex Zanardi (Foto: Bryn Lennon/Getty Images)

Hoje, a motivação da luta de Alex Zanardi é uma busca muito mais prazerosa do que a de 14 anos atrás. De olho nos Jogos Rio 2016, o italiano quer estar entre os 230 atletas que disputarão as provas de ciclismo de estrada e contrarrelógio nos Jogos Paralímpicos.

“Já estive com brasileiros muitas vezes, e aprendi que somos muito parecidos. Gostamos de agir com muito profissionalismo, mas sempre com um sorriso no rosto. Espero que os Jogos sejam marcados pela alegria, pelas cores e pelo positividade dos brasileiros, mesmo com todos os problemas que vocês precisam enfrentar durante o dia-a-dia", diz.

Um dos maiores ciclistas Paralímpicos da história é, também, dono de uma das maiores histórias de superação e sucesso. Uma inspiração para todos.

"Enquanto eu estava na minha cama de hospital, eu ouvi de muitos médicos: você vai ficar bem. E isso ajudou muito. Mas ouvir as mesmas palavras de uma pessoa que já tinha completado o mesmo processo de reabilitação que eu tinha apenas acabado de iniciar, com certeza era muito mais inspirador. Acho que é mais ou menos isso o que sou para muitas pessoas: alguém que enfrentou dificuldades, mas conseguiu retomar uma vida de muitas conquistas, provando que é possível. Acho que sou visto como uma espécie de ‘resposta’ para muita gente", contou o italiano.