Lenda Olímpica do vôlei de praia, Emanuel dá adeus, mas aposta nos brasileiros no Rio 2016
Campeão em Atenas 2004, prata em Londres 2012 e bronze em Pequim 2008, atleta se diz marcado por cerimônias de abertura
Campeão em Atenas 2004, prata em Londres 2012 e bronze em Pequim 2008, atleta se diz marcado por cerimônias de abertura
No torneio de despedida, a homenagem (Getty Images/Alexandre Loureiro)
Uma lenda do esporte Olímpico brasileiro e do vôlei de praia se despede. O Rio Grand Slam, que está sendo realizado até domingo (13) nas areias de Copacabana, será a última competição oficial de Emanuel Rego. É o capítulo final de uma carreira vitoriosa de 25 anos, cinco participações em Jogos Olímpicos (todas as edições do esporte até hoje), uma medalha de ouro (Atenas 2004), uma de prata (Londres 2012) e uma de bronze (Pequim 2008). Em eventos da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) são mais três títulos mundiais e dez do Circuito Mundial. O companheiro no momento derradeiro será Ricardo, parceiro de grandes conquistas.
“Completei um ciclo muito bem feito”, avalia Emanuel. "O mais importante é que sempre consegui representar o Brasil da forma que eu gostaria, com muita honra. Fui embaixador do Brasil lá fora, principalmente durante os Jogos Olímpicos”, complementa.
It's the end of an era. After 23 seasons, three World Championships, 76 World Tour gold medals and an Olympic gold...
Publicado por FIVB - International Volleyball Federation em Terça, 1 de março de 2016
Ao longo da carreira, a Lenda - quem o define assim é a FIVB - nunca relaxou, mesmo acumulando conquistas. “Quem quiser seguir carreira no esporte tem de ter autoconsciência muito grande”, diz. Para aqueles que vão dar continuidade à sua história no voleibol de praia brasileiro, ele recomenda esse rigor consigo mesmo.
Para os Jogos Rio 2016, quando o Brasil será representado pelas duplas Bruno Schmidt/Alison e Evandro/Pedro Solberg, Emanuel faz sua aposta: “Eu confio muito nos brasileiros, porque temos uma estrutura muito boa. O apoio está sendo grande, vai ser um ótimo trabalho".
Para Ricardo, parceiro na conquista do ouro Olímpico e também na última competição, nesta semana, em Copacabana, Emanuel deixa mais que um exemplo: “Acredito que ele vai deixar um vazio muito grande, pela referência que é”. Alison, companheiro na prata de Londres 2012, se emociona ao falar do craque:
Publicado por Emanuel Rego em Domingo, 6 de março de 2016
Emanuel diz que a não convocação para os Jogos Rio 2016 (foi escalado para a reserva) pesou na decisão de parar, mas não foi o único motivo. “Foi um conjunto de fatores. O meu objetivo para este ano eram os Jogos Olímpicos. Só me restou pensar no Mundial de 2017. E acho que no ano que vem, aos 44 anos (faz 43 em abril), eu não estarei tão ativo como hoje”, explica. O palco da despedida não poderia ser mais adequado: Copacabana é “o Maracanã do vôlei de praia”, na definição do próprio Emanuel. “É bom eternizar, marcar o fim aqui nesta praia, no Rio."
Ao listar suas memórias Olímpicas, Emanuel lembra o momento que o fez decidir ser atleta: “Quando eu tinha 11 anos, vi a seleção masculina (de voleibol de quadra) ficar em segundo nos Jogos Olímpicos de 1984. Isso modificou minha visão”.
Curiosamente, os momentos mais marcantes que cita não foram nas areias ou nos pódios, recebendo medalhas: “Todos os momentos Olímpicos são importantes, mas acredito que toda cerimônia de abertura tem um lado mágico, um lado místico". O jogador supreende também ao revelar do que sentirá mais falta após a aposentadoria: “Terei saudade das entrevistas, porque nessas horas a gente fala tudo o que pensa. E é importante ter alguém contando a nossa história.”
O próximo passo profissional de Emanuel é incerto, mas existem convites e perspectivas. “Acho que preciso de uns dois meses para começar a pensar no futuro”, avalia. “Quando faço uma coisa quero fazer 100%. Muitas oportunidades estão aparecendo. Quero ir com calma, me capacitar para fazer as coisas certas.”