Lenda da esgrima, Valentina Vezzali se despede no Rio
Tricampeã Olímpica individual de florete, a italiana leva a prata do Mundial por Equipes e puxa um "samba" no pódio
Tricampeã Olímpica individual de florete, a italiana leva a prata do Mundial por Equipes e puxa um "samba" no pódio
Na última disputa de sua carreira, Valentina perdeu final do Mundial por Equipes de Florete Feminino para a Rússia (Foto: Brasil 2016/André Motta)
“A esgrima tem sido a minha vida. Meu florete está comigo desde que eu tinha pouco mais de 6 anos de idade e juntos dividimos emoções, medalhas, lágrimas de alegria e de raiva”, lembra Valentina Vezzali. A italiana, sem classificação individual para o Rio 2016, fez do Mundial por Equipes de Florete Feminino sua despedida do esporte internacional. Se contados apenas ouros, são seis Olímpicos e 16 em Mundiais, que garantem a Valentina, 42 anos, o título de maior floretista da história. E ainda a quarta colocação entre as atletas com mais medalhas, de todos os esportes dos Jogos Olímpicos, de todos os tempos.

No momento mais emocionante do evento-teste da esgrima na Arena Carioca 3, no Parque Olímpico da Barra, a equipe da Rússia ficou com o ouro, derrotando a Itália, da supercampeã Valentina, na terça-feira (25), mas a festa foi para a veterana, com um "samba" improvisado no pódio. A medalha de bronze foi para a França.
Com a medalha de prata, a veterana não se mostrava triste. Até puxou as companheiras de equipe para comemorar no pódio, improvisando um "samba".
Na quarta (26) – a 100 dias dos Jogos Rio 2016 – o evento-teste da esgrima, com mais de 200 atletas, foi encerrado com o Mundial por Equipes de Sabre Masculino. O ouro ficou com a Rússia, que derrotou a Hungria, e o bronze, com a Romênia (o quarto lugar do Irã foi uma surpresa total na Arena Carioca 3). Para os russos, foi a volta por cima do vice no Mundial da China 2015, segundo Nikolay Kovalev, bronze individual Olímpico do sabre em Londres 2012.
O húngaro Aron Szilagyi, ouro Olímpico indiovidual de sabre em Londres 2012, disse que não teve qualquer problema no evento-teste e agora, a 100 dias dos Jogos, sua meta é treinar duro, para chegar em boa forma aos Jogos Olímpicos. "Se conseguir outra medalha vou ficar muito feliz", disse.
Como a Federação Internacional de Esgrima (FIE) faz rodízio de armas por equipes nos Jogos Olímpicos, no Rio 2016 não haverá essas disputas do florete feminino e do sabre masculino. O evento-teste foi uma oportunidade para essas equipes conhecerem o local das competições Olímpicas e também a novidade adotada pela FIE, das pistas em formato de “X”, para o público ter visão de pelo menos dois combates, dos quatro simultâneos.
"X" garante visão de dois combates aos espectadores
A Arena Carioca 3 agradou os dirigentes, que fizeram apenas alguns reparos, como em relação a holofotes que precisam ser mudados de posição para não atrapalhar árbitros. Carl Borack, atleta Olímpico em Munique 1972 e agora chefe da delegação dos Estados Unidos no evento-teste, se mostrou bem impressionado: “A arena está muito bonita. Podemos dizer que há apenas alguns reparos a serem feitos, como no caso do telão, que deve ficar mais alto. Mas no geral ficou sensacional”
As pistas em "X": inovação brasileira aprovada pela FIE (Foto: Brasil 2016/André Motta
Segundo Rodrigo Garcia, diretor de Esportes do Comitê Rio 2016, as pistas em “X” para o público visualizar melhor os combates e os toques deixaram a Federação Internacional de Esgrima (FIE) satisfeita.“A iluminação foi testada, mas nos Jogos Olímpicos haverá mais foco nos atletas. Testes com equipamentos também foram fundamentais, ainda mais no caso da esgrima, que depende do sistema eletrônico de toques, em áreas simultâneas”, explica. “Ainda temos de montar a comunicação visual e alguma estrutura temporária, com áreas de apoio. Mas, como estrutura física, a arena está pronta. E aprovada”
Hilary Philbin, delegada-técnica da FIE para a etapa do Grand Prix de Espada Feminina e Masculina e o Mundial por Equipes de Florete Feminino e Sabre Masculino, diz que o evento-teste é uma grande oportunidade para os organizadores e os oficiais técnicos, e também para a FIE. “Para nós, da FIE, foi muito importante vir conhecer o ‘Rio Team’. Precisamos saber com quem vamos trabalhar nos Jogos Olímpicos, tanto oficiais como voluntários. Foi bom nos conhecermos, uns aos outros. E posso dizer que todos trabalharam duro, fizeram um trabalho fantástico.”
Favoritos sem medalhas
Se para floretistas e sabristas estavam em jogo as medalhas de seus Mundiais por Equipes, a etapa carioca do Grand Prix de Espada Feminina e de Espada Masculina valia pontos no ranking internacional. Por isso, foi fundamental para os esgrimistas buscarem melhores posições no desenho do chaveamento individual feminino e masculino da arma dos Jogos Olímpicos.
Também parte do evento-teste da esgrima na Arena Carioca 3, a terceira etapa do Grand Prix de Espada Feminina e de Espada Masculina teve finais no sábado (23) e no domingo (24). No feminino, as medalhas foram para a russa Tatiana Logunova (ouro), a chinesa Xu Anqi (prata), a russa Olga Kochneva e estoniana Katrina Lehis (bronzes); no masculino, para o ucraniano Bogdan Nikishin (ouro), o suíço Benjamin Steffen (prata), o ucraniano Anatoly Herey e o sul-coreano Park Jyoung-doo (bronzes).