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Um mundo novo

Jamaica, México e Brasil têm dia marcante na Copa do Mundo de Saltos Ornamentais

Por Rio 2016

Sob raios e com esquema de segurança para valer no Maria Lenk, César Castro brilha e Juliana Veloso garante quinta participação Olímpica

Jamaica, México e Brasil têm dia marcante na Copa do Mundo de Saltos Ornamentais

Com serenidade, César Castro garantiu vaga individual para os Jogos Rio 2016 (Alexandre Loureiro/Rio 2016)

Duas vagas individuais nos Jogos Olímpicos. Este foi o saldo desta segunda-feira (22) na Copa do Mundo de Saltos Ornamentais para a seleçao brasileira do esporte: César Castro e Juliana Veloso garantiram participaçao individual no Rio 2016 no trampolim de 3m.

César foi o quinto colocado entre os homens na única final disputada neste dia e vibrou muito com o resultado. "Soltaram até fogos para comemorar", brincou, referindo-se aos raios que caíam no Centro Aquático Maria Lenk. Depois de garantir a vaga Olímpica para o Brasil avançando às semifinais, César Castro fez 437,40 pontos e não só repetiu sua melhor posição em um grande evento internacional (no Mundial de Roma, em 2009) como superou os 410 estipulados pela CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) para garantir que ele mesmo ocupe a vaga que havia conquistado para o país.

"Agora é trabalhar esses meses até os Jogos, mas com a tranquilidade da vaga. E quando eu voltar pro Maria Lenk vou ter a lembrança desse resultado de hoje para me motivar"

César Castro, que disputará sua quarta edição de Jogos Olímpicos

Pela manhã, quem brilhou foi Juliana Veloso. Ela ficou na nona posição da preliminar do trampolim de 3m feminino, avançou para a semifinal e garantiu vaga para o Brasil na prova que também será ocupada por ela própria, já que superou a marca de 290 pontos da CBDA. A carioca disputará os Jogos Olímpicos pela quinta vez, feito inédito entre saltadores brasileiros. Formiga, do futebol, e Fofão, do vôlei, são as atletas brasileiras que contabilizam mais participações Olímpicas, com cinco (Formiga tem chance de ir ao Rio 2016 e emplacar uma sexta experiência em Jogos, igualando-se aos recordistas do país, o mesatenista Hugo Hoyama e o cavaleiro Rodrigo Pessoa, que têm seis participações Olímpicas).  

Bandeira diferente no alto do pódio

Fim do quarta dia de competições da Copa do Mundo de Saltos Ornamentais. Os três melhores atletas da única prova do dia, o trampolim individual de 3m masculino, se encaminham para a cerimônia de premiação, recebem as medalhas e as bandeiras são içadas: em terceiro, Estados Unidos; em segundo, Jamaica; e em primeiro... Fina. Diante do impasse dos dirigentes esportivos de seu país com a Federação Internacional de Natação, o mexicano Rommel Pacheco, campeão da prova, competiu sob a bandeira da Fina. Do alto do pódio e de camisa do Popeye (já que não pode usar o uniforme mexicano), ouviu o hino da Federação - mas cantou o do seu país:

"Eu teria adorado ver a bandeira verde, vermelha e branca tremulando. Mas no fim das contas, o ganhar é o mesmo. Estou muito feliz pelo resultado. Foi minha primeira medalha de ouro em mundiais"

Rommel Pacheco, campeão do trampolim individual de 3m

Knight-Wisdom (prata), Pacheco (ouro) e Ipsen (bronze): o resultado da plataforma de 3m (Foto: Rio 2016/Alexandre Loureiro)


Saltador entra para a história da Jamaica

Não foram só México e Brasil que surpreenderam. Filho de mãe barbadense e pai jamaicano, Yona Knight-Wisdom, de 20 anos, nasceu na Inglaterra, mas representa a Jamaica no esporte. No Rio, fez sua melhor participação em eventos internacionais. Com uma atuação segura, superou o americano Kristian Ipsen (que ficou com o bronze) e conquistou a primeira vaga Olímpica masculina da história da Jamaica nos saltos ornamentais.

"Meu objetivo era conquistar a vaga. Chegar nas finais já foi uma surpresa. Estou absolutamente em choque com esse resultado"

Yona Knight-Wisdom, que garantiu a primeira vaga Olímpica masculina da Jamaica nos saltos ornamentais

Knight-Wisdom mal pode acreditar em seu resultado após o último salto (Foto: Rio 2016/Alexandre Loureiro)


E a China?

Na semifinal, o chinês He Chao se classificou em primeiro para as finais. Na hora da decisão, porém, não pareceu seguro e acabou em sexto lugar e passou pela zona mista com cara de pouquíssimos amigos.

Evento... teste?

"Quando se trata de segurança, é sempre para valer."

A Copa do Mundo de Saltos Ornamentais, no Centro Aquático Maria Lenk, está na lista de campeonatos do Aquece Rio - mas isso não quer dizer se trata apenas de um teste. Wagner Carvalho, gerente de operações de segurança do Parque Olímpico do Comitê Rio 2016, sabe que o evento antecipa operações que serão realizadas na área nos Jogos Rio 2016. É a primeira vez que a Força Nacional opera com esquema praticamente igual ao que será utilizado durante o Rio 2016.

“Para nós, já é algo valendo. Vamos efetivamente prover a segurança do evento. Não é um treinamento”, disse também Andrei Rodrigues, secretário Extraordinário de Segurança para Grandes Eventos (Sesge), do Ministério da Justiça.

"O Brasil está preparado", garante Andre Rodrigues

São 280 profissionais da Força Nacional da Copa do Mundo de Saltos Ornamentais (Foto: Rio 2016/Alexandre Loureiro)


Desde o último dia 14, estão no Rio de Janeiro 280 integrantes da Força Nacional, programa de segurança pública Governo Federal que reúne policiais de todos os estados do Brasil para reforçar a segurança em casos excepcionais. Responsáveis pela segurança no interior da instalação, eles se somam a agentes dos órgãos de força pública, que atuam no entorno do Parque Olímpico, e do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), que fazem o controle no acesso à arena.

Desde os dias de treinos livres, antes do início das competições, quem entra no Maria Lenk precisa passar por revista com magnetômetros. Em agosto, em vez de bastões no acesso à arena, a revista será feita com portais de detecção já no acesso ao Parque Olímpico. Essa é uma das poucas diferenças no esquema de segurança atual para o que será adotado nos Jogos Rio 2016 - tudo para garantir que nenhum incidente interfira no bom andamento das competições.

"Trabalhar em um evento como este, com integração de vários órgãos e com gente de todo lugar, é uma experiência ímpar." Um dos 280 profissionais de todos os 27 estados brasileiros presentes no Centro Aquático Maria Lenk, o capitão Wagner Soares, de Natal (RN), sabe da importância de realizar a segurança em um evento do tamanho de uma Copa do Mundo. No entanto, mesmo ao lado de atletas de ponta, a ordem é não tietar:

“Não podemos", resume. Só que os militares acabam chamando a atenção com o uniforme completo, que pesa cerca de 35kg e conta rádio, coturno, algemas e duas armas de fogo. E aí, quando tem pedido do público, fica difícil recusar: "Evitamos, mas acaba acontecendo."

Durante os Jogos, ficarão a cargo das forças públicas de segurança os locais de treinamento e arenas de competição no Rio de Janeiro, além de instalações como a Vila Olímpica, a Vila dos Árbitros, o Centro Principal de Mídia (MPC) e o Centro Internacional de Transmissão (IBC). Serão 47 mil profissionais da segurança pública, 38 mil agentes da Forças Armadas e seis mil do Comitê que estarão prontos para garantir o bom andamento de todos os eventos dos Jogos Rio 2016.

Policiais de todos os estados do Brasil são selecionados para compor a Força Nacional (Foto: Alexandre Loureiro/Rio 2016)