Instituto Reação: Conheça o lugar que transforma diamantes brutos em campeões do judô
Organização social que revelou Rafaela Silva tem estrutura de treinamento multidisciplinar que ajuda jovens de baixa renda a chegarem aos Jogos Olímpicos
Organização social que revelou Rafaela Silva tem estrutura de treinamento multidisciplinar que ajuda jovens de baixa renda a chegarem aos Jogos Olímpicos
Crianças participam da escolinha de judô do Instituto Reação (Foto: Instituto Reeação)
Chova ou faça sol, todos dos dias às 16h, Beatriz Lopes, 13, coloca o quimono e vai para o judô. A menina pisou no tatame pela primeira vez aos quatro anos e nunca mais saiu. Hoje, tem no currículo dois ouros no Pan Americano e um no Sul-Americano. Matheus Guimarães, 11, treina desde os sete e, nesse tempo, já precisou perder peso, já se machucou e, apesar de tantos desafios, sua meta mantém o foco na sua motivação: fazer parte da seleção brasileira.
Beatriz e Matheus treinam no polo Cidade de Deus do Instituto Reação, o mesmo que revelou Rafaela Silva, única medalhista de ouro do Brasil no Rio 2016 até o momento. Deste mesmo centro de treinamento também saiu o judoca Victor Penalber, que representou o país na categoria até 81kg nos Jogos.
Beatriz Lopes, 13, que treina no polo da Cidade de Deus do Instituto Reação (Foto: Arquivo Pessoal)
Rafaela, Victor, outros tantos campeões e promessas… O que será que o Instituto Reação tem que transforma tantos diamantes brutos em campeões? A resposta para essa pergunta não é uma só, diz Leriana Figueiredo, coordenadora executiva do Instituto. "Para a gente ter Rafaelas, o esforço não envolve apenas o atleta. É um trabalho coletivo, que inclui educação e esporte", afirma.
A instituição, que foi criada em 2004 pelo medalhista olímpico Flávio Canto e pelo judoca Geraldo Bernardes, hoje atende a aproximadamente 1.200 jovens de baixa renda em cinco polos: Rocinha, Cidade de Deus (Jacarepaguá), Tubiacanga, Pequena Cruzada e Deodoro. Parte deles frequenta a escolinha de judô e os que se destacam são chamados para o grupo de alto rendimento, do qual Beatriz e Matheus fazem parte.
A esperança da instituição é identificar jovens talentos, prover todo o apoio necessário para que, um dia, possam chegar a campeonatos internacionais. Os Jogos Olímpicos são a cereja do bolo. Foi assim com Rafaela, que começou a ser treinada por Bernardes quando ela tinha apenas oito anos. "Vi que ela era um diamante bruto. Na época, falei para ela que um dia eu a colocaria na seleção. E fiz", afirma orgulhoso o treinador, que foi técnico da seleção brasileira de judô em quatro jogos Olímpicos. "No Reação, temos vários atletas no mesmo caminho que a Rafaela", completa ele.
Matheus Guimarães, 11, cujo maior sonho é entrar para a seleção brasileira de judô (Foto: Arquivo Pessoal)
À disposição desses jovens atletas existem preparadores físicos, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas e treinadores, formando uma rede de suporte que ajuda judocas de baixa renda a participarem de competições no país e no mundo. Some-se a tudo isso a presença diária de ídolos, que treinam juntos e ajudam no desenvolvimento dos atletas mais novos.
"Eu aprendo muito com a Rafaela. Ela me ensinou alguns golpes, estrangulamentos, já me deu dicas de pegada [como segurar o quimono da adversária]", diz Beatriz. Desde que a colega de tatame virou campeã Olímpica, a vontade de lutar é ainda maior. "Eu fiquei muito orgulhosa dela, nós somos amigas. A vitória da Rafaela me motivou ainda mais", completa a menina, que tem esperança de ir a Tóquio 2020.
Para Matheus, Rafaela é um exemplo de que ele está no caminho certo. "Ela treina duro aqui com a gente. Eu também posso ir para a seleção", afirma Matheus, que deve ter que esperar um pouco mais para realizar seu sonho Olímpico. "Eu quero ir para os Jogos de 2024". O caminho é longo, mas Matheus e Rafaela já são diamantes em processo de lapidação.