Ícones do movimento de mulheres negras conduzem a tocha Olímpica em Salvador
Líder sindical Creuza Maria Oliveira e a desembargadora Luislinda Santos chamam atenção para a luta por sociedade mais justa
Líder sindical Creuza Maria Oliveira e a desembargadora Luislinda Santos chamam atenção para a luta por sociedade mais justa
Luislinda de Valois Santos, primeira magistrada negra do Brasil, vibra com condução da tocha em Salvador (Rio2016/Andre Luiz Mello)
As conquistas do movimento das mulheres negras foram representadas no revezamento da tocha Olímpica Rio 2016 quando Creuza Maria Oliveira entregou a chama a Luislinda de Valois Santos, na terça-feira (24), em Salvador. Creuza, de 59 anos, é ativista na luta pelos direitos das trabalhadoras domésticas, que lhe valeu o Prêmio de Direitos Humanos e o Diploma Bertha Lutz, concedido pelo Senado a mulheres que contribuíram para a defesa dos direitos da mulher e questões de gênero. Já Luislinda, 74, superou a infância pobre e tornou-se a primeira mulher negra no Brasil nomeada juíza, mais tarde desembargadora.
Creuza acende a tocha de Luislinda, que segue o revezamento comemorando (Rio2016)
“Estou aqui representando as mulheres negras e as trabalhadoras domésticas. Faz parte da nossa história, da construção de uma sociedade mais justa, mais igualitária, onde não haja tanta violência contra as mulheres. Precisamos de mais amor. Essa tocha é um símbolo de amor, mobilizando a sociedade e despertando a população pelo esporte", ressalta a ativista.
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Grupos de jovens negros, vindos de diferentes comunidades de Salvador, compareceram para prestigiar o momento em que Luislinda carregaria a tocha Olímpica – antes de conduzir, a magistrada tirou selfies com vários deles, enquanto o público gritava "Salve a primeira desembargadora negra deste país".
“Luto por justiça igual para todos. Cuidemos deste país porque ele é nosso. Falta amor. Quando falo em amor é no sentido mais amplo. Queira bem ao próximo, seja quem ele for. Vou pedir uma coisa aos nossos governantes: cuidem dos jovens negros e pobres do nosso país”, disse Luislinda.
Ovacionada, a desembargadora seguiu com a tocha em punho e gritou à multidão: “Salve o preto pobre da periferia. Salve o Brasil. Amo meu país".