Hóquei sobre grama reaproxima brasileiro de suas origens
Sthéphane Vehrlé-Smith nasceu em Recife, foi adotado por casal anglo-francês e redescobriu as raízes com a ajuda do esporte
Sthéphane Vehrlé-Smith nasceu em Recife, foi adotado por casal anglo-francês e redescobriu as raízes com a ajuda do esporte
Vehrlé-Smith espera que hóquei sobre grama se torne mais popular no Brasil com os Jogos (Foto: Getty Images/Buda Mendes)
Sthéphane Vehrlé-Smith. O nome não dá a menor pista de que se trata de um pernambucano de Recife, mas ele é um dos principais nomes da equipe brasileira de hóquei sobre grama, que fará sua estreia Olímpica nos Jogos Rio 2016. Sua história mostra a capacidade de o esporte ajudar uma pessoa a redescobrir suas origens.
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Vehrlé-Smith nasceu no Brasil, mas ainda bem pequeno foi adotado por um casal anglo-francês, que o levou para a Europa. Morando em Kent, na Inglaterra, o jovem começou a praticar hóquei sobre a grama e a jogar pelo clube Holocombe. Vinha levando uma vida tipicamente britânica até 2012, quando a Confederação Brasileira de Hóquei sobre Grama (CBHG) fez seu primeiro contato.
“Recebi o e-mail de uma pessoa que não conhecia, a qual dizia que havia ouvido falar de mim por alguns contatos na Europa, que eu jogava em alto nível e tinha passaporte brasileiro. ‘Você gostaria de fazer parte da nossa jornada?’ Pensei que era alguma brincadeira e apaguei a mensagem imediatamente”, relembra Vehrlé-Smith. “Mas recebi outro e-mail dias depois aguardando uma posição minha. Perguntei, um pouco na defensiva, como eles sabiam tanto sobre mim. Me convidaram para uma conversa via Skype e aí Bert (Bert Bunnik, consultor de alta performance da CBHG) explicou o processo de qualificação (para os Jogos). Uma semana depois eu estava voando para o Brasil".
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A experiência fez com que, subitamente, Vehrlé-Smith se reaproximasse de suas origens – depois da adoção, ele jamais havia retornado ao Brasil. “Antes de mais nada, tenho uma identidade brasileira e tenho muito orgulho de dizer isso. A maioria dos meus amigos não vem de uma origem de miscigenação”, conta o jogador.
“É um sentimento estranho e difícil de explicar para quem não é miscigenado ou multicultural, mas minha paixão pelos esportes britânicos e brasileiros é muito forte. Sempre torci para os dois desde pequeno".
Vehrlé-Smith admite que o início na seleção brasileira foi difícil, mas a classificação para os Jogos Olímpicos veio nos Jogos Pan-Americanos Toronto 2015, quando o time ganhou dos Estados Unidos nas quartas de final do torneio continental. As metas no Rio 2016 são modestas, mas o jogador diz que o time brasileiro está determinado.
“Apenas queremos que o país se sinta orgulhoso, perceba que a gente deixou tudo em campo e mostrou condições de participar dos Jogos". Será um momento importante para aumentar a popularização do esporte. “Futebol e voleibol dominam o Brasil agora, mas estamos esperançosos de que o hóquei consiga aproveitar o momento”.