Ginastas brasileiros deixam britânicas e portugueses em casa no Parque Olímpico
Intercâmbio com estrangeiros vai além da parte técnica e pode terminar em churrasco, como aconteceu com americanos
Intercâmbio com estrangeiros vai além da parte técnica e pode terminar em churrasco, como aconteceu com americanos
Atletas da seleção da Grã-Bretanha vieram conhecer as instalações Olímpicas e o clima carioca (Rio 2016/Alex Ferro)
Inverno na Europa. Em Londres, 9°C. Em Lisboa, 13°C. Mas o clima que os ginastas da Grã-Bretanha e de Portugal encontraram no verão do Rio de Janeiro é bem diferente. Apesar dos 35°C de sensação térmica, os europeus se sentiram em casa no Parque Olímpico da Barra da Tijuca.
"Está muito quente, mas o ginásio é ótimo e é muito bom estar aqui. É bom fugir um pouco daquela chuva toda. A paisagem daqui, com todas essas montanhas, é muito linda", contou a ginasta britânica Ellie Downie, dois dias depois das mais de 11h de viagem de avião que separam Londres do Rio de Janeiro.
Depois de acolher os americanos com a hospitalidade informal típica do Rio, a seleção brasileira de ginástica artística recebeu dois portugueses e oito britânicas em seu Centro de Treinamento, na Arena Olímpica do Rio. Eles estão passando esta semana (24 a 31) no Brasil para conhecer as instalações Olímpicas, aclimatar-se e voltar mais à vontade no momento de competir.
José Augusto Dias, técnico da seleção de Portugal
Nesse intercâmbio há lições a aprender com a ginástica britânica. Em evolução notável, os britânicos atingiram a partir dos anos 2010 resultados inéditos: quatro medalhas em Londres 2012 (prata no cavalo com alças e bronze nas assimétricas, no cavalo com alças e no geral por equipes masculino) e 12 nas últimas cinco edições de Campeonatos Mundiais (só em Glasgow, no ano passado, foram cinco).
“Adrian Stan foi um técnico fabuloso. Chegou da Romênia em 1994, ajudou a desenvolver nossa técnica e deu confiança a nossos treinadores. Toda a experiência que ele nos passou agora tomou forma", disse Amanda Reddin, diretora técnica da seleção britânica de ginástica artística.

O objetivo da Grã-Bretanha, que já tem equipes masculina e feminina classificadas para o Rio, é ser o primeiro país a ganhar mais medalhas nos Jogos Olímpicos em uma edição seguinte àquela em que foi sede. O esforço tem sido grande, como atestam os recursos humanos na ginástica artística. Uma comissão técnica formada por 10 integrantes veio para o Rio orientar as atletas para que tudo saia perfeito durante os treinos – tanto nos movimentos quanto no condicionamento físico.
Amanda Reddin, diretora técnica da seleção britânica

Além da equipe de 18 pessoas da Grã-Bretanha, três portugueses (o técnico, com dois atletas) e 15 atletas da seleção brasileira compartilham durante esta semana o Centro de Treinamento do Time Brasil. Ou seja, 35 dos melhores atletas do mundo trocam experiências em um ginásio um pouco maior que uma quadra de basquetebol, com piso 100% coberto por tablado e espuma – onde só se pode andar descalço ou de meias – equipado com todos os oito aparelhos da ginástica artística. Para quem assiste aos treinos, é um show compacto de ginástica. Para os atletas, uma rica oportunidade de aprendizado – que extrapola os limites do Parque Olímpico.
Daniele Hypólito, ginasta da seleção brasileira


Ellie, hoje com 16 anos, despontou aos 15 como a primeira britânica a conquistar medalha no individual geral no Campeonato Europeu de ginástica artística – o bronze, em Montpellier 2015.
Já Becky, aos 24 anos, atua como líder das companheiras, todas com menos de 21. Ela faz parte do seleto hall de atletas com sobrenome eternizado na ginástica artística: em 2014, em Sofia, na Bulgária, chegou ao título europeu nas assimétricas com um movimento que ela mesma criou. A convivência com a irmã Ellie, garante Becky, é das melhores.

Não será precisa esperar até os Jogos Olímpicos para acompanhar de pertinho os melhores atletas do mundo. Valendo vaga para o Rio 2016, o Aquece Rio, em abril, reunirá grandes ginastas das três disciplinas Olímpicas (artística, rítmica e trampolim) na mesma instalação que será a casa do esporte durante os Jogos Rio 2016 - a Arena Olímpica do Rio.
Gustavo Simões e grandes nomes da ginástica de trampolim da China estão confirmados no evento, assim como a seleção feminina do Brasil. E o melhor de tudo: será aberto ao público. Em breve, a venda de ingressos para a competição estará aberta. Fique ligado.
Intercâmbio no CT do Time Brasil - 25 a 29 de janeiro
Atletas da Grã-Bretanha: AmyTinkler, Elissa Downie, Kelly Simm, Gabrielle Jupp, Claudia Fragapane, Rebecca Tunney, Ruby Harrold, Rebecca Downie.
Atletas de Portugal: Gustavo Simões e Bernardo Almeida.