Gebrselassie elogia o ar do Rio, mas recomenda aclimatação para fundistas
Etíope, bicampeão Olímpico nos 10.000 metros, atenta para a umidade como fator de dificuldade para atletas
Etíope, bicampeão Olímpico nos 10.000 metros, atenta para a umidade como fator de dificuldade para atletas
Gebrselassie virá ao Brasil durante os Jogos para comentar provas de atletismo para a TV (Rio 2016/Alexandre Loureiro)
Texto: Valeria Zukeran
Idolatrado por corredores do mundo todo, o o etíope Haile Gebrselassie, 42 anos, esteve no Brasil por alguns dias para atividades publicitárias e aproveitou para conhecer de carro parte do percurso da maratona dos Jogos Rio 2016 que inclui o Aterro do Flamengo e a enseada de Botafogo. Tido como um dos maiores fundistas de todos os tempos, o bicampeão Olímpico dos 10.000 metros (Atlanta 1996 e Sydney 2000) encerrou a carreira em 2015, aos 41 anos, mas vai comentar provas de atletismo do Rio 2016 para uma emissora de TV.
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Para o Imperador da Longa Distância (como ficou conhecido por quebrar 27 vezes recordes mundiais), a maratona Olímpica do Rio tem como ponto positivo a qualidade do ar – em 2008, ele abriu mão de disputar a prova por temer que a poluição de Pequim pudesse desencadear uma crise de asma. "Vai ser uma maratona muito boa. Em termos de comparação, o Rio pode ser parecido com as condições que tivemos em Atenas, em 2004."
No entanto, o clima carioca reserva desafios. “É claro que os Jogos serão no inverno, mas as temperaturas não serão tão baixas a ponto de ficar frio. Não vai dar para chegar, dar uns saltos e correr", avalia. O diferencial para quem quer o pódio, na opinião de Gebrselassie, deve vir do trabalho de aclimatação.
O ídolo etíope hesitou um pouco em apontar favoritos à vitória na prova Olímpica de 10.000 metros e na maratona, mas citou o britânico Mo Farah, campeão Olímpico dos 5.000 e 10.000 metros em Londres 2012: "Há uma grande chance para ele, mas vamos ver o que etíopes e também os quenianos vão mostrar. Vamos ver”. Os atletas de seu país estão bem, em sua opinião. "Mas eles precisam trabalhar para se aprimorar”, contou, lembrando que na Etiópia os fundistas costumam treinar na altitude, sob condições bem diferentes.
O fundista vê semelhanças entre o Brasil e Etiópia. Acha que seus compatriotas se sentirão confortáveis aqui. “Uma coisa em comum é que o povo é amigável. Você vê pessoas felizes, sorridentes, é como na Etiópia. As pessoas recebem bem”, observa. “No meu país temos bonitas paisagens, mas a diferença é que no Brasil existem praias e na Etiópia temos lagos (desde a independência da Eritreia, em 1993, o país não tem litoral)".