Com reforço dinamarquês, handebol do Brasil aposta na boa forma para brilhar nos Jogos Rio 2016
Time perde gordura e ganha músculos graça ao trabalho de Morten Soubak com o preparador físico Lars Michalski e a nutricionista Julia do Valle Bargieri
Time perde gordura e ganha músculos graça ao trabalho de Morten Soubak com o preparador físico Lars Michalski e a nutricionista Julia do Valle Bargieri
Morten Soubak, técnico dinamarquês que dirige a seleção brasileira feminina de handebol desde o Mundial do Brasil 2011 (Foto: Divulgação)
O ótimo condicionamento físico da seleção brasileira feminina de handebol chama a atenção a pouco mais de um mês dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Mais forte e mais leve, o time atinge o ápice da preparação neste ano, de olho na primeira medalha Olímpica da história. Uma pequena mostra do que as meninas podem fazer veio na vitória sobre a Suíça por 30 a 24, no domingo (26), em amistoso jogado na Arena do Futuro, que receberá as competições de handebol em agosto.
Morten Soubak, o técnico dinamarquês da seleção, diz que as garotas estão trabalhando "duro, muito pesado, ficam cansadas mesmo”. Parte da responsabilidade é de outro dinamarquês: o preparador físico Lars Michalski, que chegou ao Rio de Janeiro na semana passada.
“Ele é o único no mundo com PhD em handebol. Monta demandas específicas para as atletas do esporte, por função e por posição, e mostra os exercícios", diz Morten, que explica a sequência da preparação até a estreia nos Jogos, dia 6 de agosto. "Ainda temos duas semanas de carga bem pesada, depois serão dez dias de folga antes da reta final. Vamos ver o resultado em agosto”, diz o treinador.
Deonise em ação na vitória sobre a Suíça na Arena do Futuro (Foto: Divulgação/Alexandre Loureiro)
O resultado do trabalho é um time mais musculoso. “Elas perderam muito em gordura e peso. Ou até mantiveram o peso, mas trocando gordura por massa muscular. Teve atleta que perdeu 12 quilos, outra que ganhou seis em músculos", diz a nutricionista Julia do Valle Bargieri, que trabalha com a equipe desde o Mundial 2011, em São Paulo.
A evolução do trabalho, segundo Júlia, hoje atinge o ápice. "Em 2011, todas tinham sobrinhas de gordura. Elas treinavam como atletas, mas não comiam como atletas. Hoje, todas estão abaixo dos 15% de taxa de gordura corporal, com média de 12%. Para ter ideia, a média em 2012 era de 24%."
Garrafas personalizadas e frutas secas preparadas pela nutricionista (à dir.) (Foto: Rio 2016)
No apspecto mental, a equipe também sem fortaleceu, inclusive com os maus resultados. Em comparação com o sexto lugar em Londres 2012, a seleção “amadureceu em todos os sentidos, indo do céu ao inferno” (do ouro no Mundial da Sérvia 2013 ao 10º lugar no Mundial da Dinamarca 2015), como lembra a capitã Fabiana Diniz, a Dara. O “grupo ganhou bagagem”, como assinala Morten.
Tamanha "bagagem" levou o técnico a escolher, estrategicamente, o grupo da morte na fase preliminar dos Jogos Olímpicos. A estreia é justamente contra a bicampeã Olímpica Noruega, de quem o Brasil perdeu de virada em Londres 2012, deixando escapar a chance de passar às semifinais e brigar por medalha. Depois ainda enfrenta a Romênia, algoz no Mundial de 2015.
Para Morten, a dificuldade da fase de grupos é um bom teste para o que vem pela frente. “Vamos jogar com a Noruega de cara, mas passando podemos enfrentar a Rússia, a Coreia... Este torneio feminino de handebol vai ser o mais equilibrado, mesmo, de todos os Jogos Olímpicos. O que posso prometer, em nome do grupo, é que vamos fazer todo o possível, a cada jogo, para brigarmos por uma medalha.”