Aplicativos Rio 2016

Amplie sua experiência nos Jogos.

Download
Para quem vai a sua torcida?

Para quem vai a sua torcida?

Escolha seus atletas, times, esportes e países favoritos clicando nos botões ao lado dos nomes

Nota: As configurações de favoritos são gravadas em seu computador através de Cookies Se você deseja mantê-las, não limpe seu histórico de navegação

Por favor, ajuste suas preferências

Verifique se as suas preferências estão ajustadas. Você poderá modificá-las a qualquer momento

Expandir Conteúdo

Os calendários serão apresentados neste fuso horário

Expandir Conteúdo
Contraste
Cores originais Cores originais Alto contraste Alto contraste
Ver todos os recursos de Acessibilidade
Um mundo novo

Galeria de arte a céu aberto em São Paulo, Beco do Batman recebe chama Olímpica

Por Carla Marques

Jornalista Gilberto Dimenstein e o grafiteiro Speto contaram como suas vidas são entrelaçadas com a história do lugar, que virou atração turística

Galeria de arte a céu aberto em São Paulo, Beco do Batman recebe chama Olímpica

Morador do bairro, jornalista usa inspiração do momento para passar mensagem positiva para sua cidade (Foto: Rio2016/Andre Luiz Mello)

Um dia após movimentar milhares de pessoas por todas as regiões de São Paulo, a chama Olímpica Rio 2016 fez uma visita especial em um maiores símbolos da ocupação criativa da capital paulista: o Beco do Batman, uma galeria de arte a céu aberto no coração da Vila Madalena, na zona oeste. Na manhã desta segunda-feira, o grafiteiro Speto, 44 anos, conhecido por seus murais em várias regiões da cidade, e Gilberto Dimenstein, 49 anos, jornalista e ativista da área de educação, conduziram a tocha percorrendo os muros grafitados por cerca de 30 artistas. 

“O beco é um dos maiores espaços abertos de arte do mundo, não apenas de São Paulo. Os muros que, em outros lugares dividem, aqui unem pela beleza. O beco antes era escuro e, com o trabalho da comunidade, passou a ser iluminado. A visita da tocha a esse lugar também passa uma ideia de luz”, filosofou Dimenstein. “Segurar a tocha Olímpica neste momento é como segurar duas luzes: uma luz que ilumina o mundo pela ideia da comunhão pelo esporte e a luz do meu bairro querido que ilumina toda a cidade de São Paulo”.

Speto, nascido Paulo Cesar Silva, é um dos principais grafiteiros responsáveis pela criação e popularização do beco. Ele debutou no mundo do grafite nos anos 80 como um artista autodidata. Desde o início, buscou fazer um tipo de grafite com pegada brasileira, influenciado pela estética do cordel. Sua marca é a simulação da xilografia com o spray. Nas últimas décadas, trabalhou com grandes bandas brasileiras, como O Rappa, Nação Zumbi e Planet Hemp. Fez cenários, capas de disco e até produziu grafites durante shows. Hoje, entre tantas imagens que estampou nos muros da cidade, sua obra preferida em São Paulo é uma fênix de 11 metros de altura no Largo do Arouche.

“Aqui no beco a comunidade é muito unida e existe uma grande diversidade. Pessoas ricas, pobres, designers, catadores de reciclagem... Todo mundo se conhece e isso faz o bairro ser especial. É uma honra muito grande ser um artista de grafite, uma arte que já foi muito marginalizada, e estar hoje conduzido a chama Olímpica. Quando a gente acredita no que faz, o universo conspira a favor e este momento é uma prova disso”, conta Speto, cujo maior sonho é continuar grafitando grandes murais urbanos até depois dos 70 anos de idade.

Speto conduziu a chama no lugar que ajudou a iluminar com sua arte (Foto:Rio2016/Andre Luiz Mello)

Segundo o artista, a Copa do Mundo de 2014 ajudou a colocar de vez a região na rota turística de São Paulo. Num dia de jogo do Brasil, o beco e os arredores chegaram a reunir cerca de 50 mil pessoas. A expectativa é que o bairro seja um ponto de encontro de locais e turistas para os Jogos Olímpicos Rio 2016 também.

Speto e Dimenstein em frente a um trabalho do grafiteiro, de inspiração no cordel, sua marca registrada (Foto: Rio2016/Andre Luiz Mello)

A história do Beco do Batman começou na década de 1980, quando estudantes passaram a se mudar para a região em busca de alugueis mais baratos. Sem identificação de rua, o nome do lugar veio da única referência do lugar: um Batman pintado num muro. A mistura entre estudantes e artistas gerou um movimento de reocupação urbana por meio da arte e do ativismo. Hoje, o beco é fechado ao trânsito nos sábados, domingos e feriados, quando recebe cerca de 10 mil pessoas por dia.

Vizinhos se orgulham dos muros do beco e ajudam na preservação dos grafites (Foto: Rio2016/Andre Luiz Mello)

“A partir do beco, surgiu o conceito de Parque Vila Madalena, que não é tradicional, foi criado pela criatividade das pessoas. É um parque de concreto, tipo High Line de Nova York. Virou nossa praia. Temos oficinas gratuitas de fotografia, poesia, dança, grafite. As pessoas andam de patins, de bicicleta e de skate. Cultivamos hortas comunitárias. Recuperamos esse espaço público e estamos no caminho de construir uma cidade educativa. Queremos ser um modelo para o restante de São Paula e das outras cidades brasileiras”, afirmou Dimenstein.

'Estamos todos conectados', diz artista que tenta recorde com mural para o Rio 2016

Timaço de artistas apresenta pôsteres dos Jogos Rio 2016