Festa de "basqueteiros" na Arena Carioca 1
Ex-jogadores chamam atenção como voluntários no evento-teste
Ex-jogadores chamam atenção como voluntários no evento-teste
Em quadra, amistosos foram disputados e o trabalho dos ex-atletas foi fundamental (Rio 2016/Alex Ferro)
O Torneio Internacional Feminino de Basquetebol, evento do Aquece Rio preparatório para os Jogos Rio 2016, foi uma autêntica festa basqueteira. Para quem não está familiarizado, basqueteiro é o termo usado entre as pessoas que já tiveram algum tipo de envolvimento direto com o basquetebol - atletas, técnicos, dirigentes, colaboradores. E muitos, principalmente à beira da quadra, trabalhando como profissionais ou voluntários, contribuíram para o sucesso da competição, vencida pela Austrália, com o Brasil em segundo lugar, Argentina em terceiro e Venezuela em quarto.
As imagens mais inspiradoras vieram de dedicados ex-atletas, com destaque para Alessandra, medalha de prata nos Jogos Atlanta 1996 e bronze em Sydney 2000. Ela foi voluntária do setor de quadra, o chamado “field of play” (FOP). A mesma dedicação e entusiasmo com que lutava por cestas como jogadora transpareceu em seu trabalho, que é dividido em 15 funções, entre elas, enxugar a quadra. Ficar tão pertinho da ação, segundo ela, tem prós e contras.

Diz que adorou a experiência e espera que seja útil para o futuro. “Tirei uma grande lição aqui. De estar contribuindo para o basquetebol de outra forma. Ainda estou jogando, mas eu tenho na cabeça que daqui a um tempo eu tenho de fazer outras coisas".
Se Alessandra foi a imagem do espírito basqueteiro no evento-teste, a palavra é do voluntário Alex Borges da Silva, que quando jogava era conhecido como Negretti. Depois de atuar em equipes paulistas como Franca, Casa Branca e Piracicaba, ele passou a trabalhar em eventos e se candidatou a voluntário. “Estar na quadra de um evento Olímpico é algo que nunca imaginei. Estou feliz porque é uma oportunidade para pouquíssimos”, define.

Outros ex-atletas e atletas vieram de longe como os catarinenses Rafael Mueller e Guilheme Bez, que também foram jogadores em times brasileiros e trabalharam como voluntários no FOP. Mueller conta que sua função, que inclui fiscalizar acessos dentro do ginásio, trouxe surpresas. “Nunca pensei, mas tive de barrar pessoas famosas, desses principais do basquetebol, porque não estavam usando credencial. Não é uma coisa que se goste de fazer, mas faz parte do nosso trabalho”. Para Bez, a distância não importa. “Para mim é uma experiência única”, resume.
Lucas Costa foi campeão brasileiro e sul-americano como jogador e agora trabalha com coordenador de atletas no evento-teste. “Foi um grande desafio para mim fazer parte deste time. Sempre quis participar dos Jogos Olímpicos e agora estou aqui”, diz, orgulhoso. Para ele, uma das maiores surpresas de seu trabalho até agora foi constatar o grande número de ex-atletas que estão participando dos trabalhos como voluntários e como eles se comportam. “São pessoas que dão o exemplo.”
Antes dos confrontos entre Argentina x Venezuela e Brasil x Austrália, o evento-teste teve a disputa de uma partida amistosa de basquetebol em cadeira de rodas. O objetivo era testar a acessibilidade da arena e as condições de competição, que foram totalmente aprovadas pelos atletas.
“A quadra está maravilhosa e a estrutura também. Está tudo nos conformes. É de primeiro mundo mesmo", diz Marcos Sanches. “Nos vestiários, os banheiros são realmente todos acessíveis, realmente muito legal", elogia.

“É muito difícil encontrar uma estrutura como essa no Brasil. A gente jogou diversos Mundiais e Jogos Paralímpicos fora do país e já tinha visto lá fora, mas não aqui.", disse Paulo César dos Santos, o Jatobá. O jogo foi disputado com portões fechados. “Só falta o público e eu espero que venha bastante gente e tenhamos casa cheia nos Jogos".
O treinador Tiago Frank comentou a importância de ser o único time a ter atuando na Arena dos Jogos Paralímpicos. “Como temos alguns atletas que são jovens, e vão disputar os Jogos pela primeira vez, foi uma oportunidade de ir se ambientando", diz o técnico da seleção brasileira, Tiago Frank.
Técnicos e atletas que participaram do evento-teste saíram de quadra satisfeitos com a estrutura que encontraram. “Não ficou nada a dever ao que se espera para um evento como os Jogos Olímpicos”, disse o técnico Antônio Carlos Barbosa. “Em termos estruturais do que a gente usou, está tudo dentro dos padrões internacionais" A australiana Erin Phillips concordou. “É uma ótima arena. Gostamos de treinar aqui. Tem uma ótima atmosfera".
Lubomir Kotleba, diretor de esportes da Fiba, gostou do que viu e achou a arena muito funcional. “Vi uma operação de alto nível. Muito sólida, ainda que nos Jogos Olímpicos será diferente".
O diretor de Esportes do Rio 2016, Rodrigo Garcia, revelou algumas alterações pontuais necessárias para o futuro e outras que já foram feitas durante a competição. “A gente tem de ajustar a temperatura do ar condicionado e melhorar a estrutura atrás da área de competição, principalmente vestiário”, apontou. “A pintura da quadra soltou um pouco entre as partidas e a gente repintou. Do primeiro para o segundo dia também tivemos de fazer um ajuste na posição da iluminação”. Ele diz que vai ter mais um teste para os Jogos Paralímpicos.
Rodrigo contou que alguns atletas do basquetebol em cadeira de rodas acharam o vestiário um pouco apertado por causa da necessidade de organizar tanto as cadeiras de competição e como as de uso pessoal, mas o diretor explica que nos Jogos a operação será diferente do que foi no evento-teste e está sendo pensada para satisfazer as necessidades dos atletas.