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Um mundo novo

Duas gerações de artistas e mulheres fortes do Pará, Fafá de Belém e Gaby Amarantos conduzem tocha Olímpica

Por Elis Bartonelli

Músicos e representantes da cultura paraense animam o revezamento da chama

Duas gerações de artistas e mulheres fortes do Pará, Fafá de Belém e Gaby Amarantos conduzem tocha Olímpica

Com 40 anos de carreira, Fafá de Belém sempre levou a cultura de sua terra pelo país (Rio 2016/André Mourão)

Fafá de Belém e Gaby Amarantos conduziram a tocha Olímpica nesta quarta-feira (15), representando a força musical da capital paraense, grande centro de produção cultural do Brasil.  Terra do carimbó, do sirió, da guitarrada, do brega, do tecnobrega e do tecnomelody, a cidade mostrou seus ritmos no revezamento. As duas estrelas do Pará, além de representarem duas gerações de artistas, também são símbolos da força da mulher do Norte.

Antes de conduzir a chama, Gaby cantou no ônibus dos condutores ‘A Vida do Viajante’, de Luiz Gonzaga, tema do revezamento e, em público, puxou o Hino Nacional. “É algo que vou contar para os meus netos. Conduzir a tocha me deixa orgulhosa, emocionada. É tão bonito ver pessoas anônimas sendo reconhecidas por suas histórias, junto de grandes atletas. Essa mistura me deixa muito feliz”, diz Gaby. "Sou da periferia e a mulher da periferia já nasceu empoderada. Minha mãe me ensinou a ter coragem, de ser do jeito que eu sou. Por ser nortista, cabocla guerreira, sinto que tenho uma força da floresta que anda comigo, no meu coração, e me conduz, assim como o fogo Olímpico, pelo mundo inteiro".

Guerreira cabocla, Gaby estava orgulhosa em conduzir a chama em sua cidade (Rio2016/Andre Mourão)

Com sua alegria e risada peculiares, Fafá, que fez da cidade seu nome artístico, disse que o revezamento da chama é uma ferramenta para levantar o astral dos brasileiros. “Essa caminhada da tocha integrou cada estado a seus filhos. Corri com meu cocar pataxó, dialogando com as referências indígenas do Pará. Temos que falar do Brasil para a nossa gente, mostrar que somos mais fortes do que qualquer coisa. Esse momento é muito alegre e me sinto muito honrada”, opina.

Não podia faltar a risada de Fafá em um depoimento

 

Mulheres do Brasil

Fafá e Gaby sofreram preconceito no início de suas carreiras, tanto por serem consideradas exóticas como por nunca abrirem mão da roupagem regional.

“Imagine uma menina mal-humorada, com cara de índio, gravando vários ritmos e com alguns quilinhos a mais do que o padrão estético manda? Era exótico. O Pará é um Brasil que não está no Sudeste, é muito colorido e alegre. Não temos essa estética da monocor, low profile. Somos coloridos”, analisa Fafá, que saiu de Belém há 40 anos, mas mantém as raízes da música paraense em seus trabalhos.

Moradora de Jurunas, bairro pobre da periferia de Belém, Gaby diz que sofreu por ser negra.

“Quando comecei a cantar, as pessoas não queriam me colocar como vocalista. O boom era o axé, com outro padrão de beleza. Ninguém queria me ter na frente da banda. Esse preconceito é porque o Brasil é muito machista e racista, isso incomodou muita gente. Foi aí que quis montar minha própria banda e mostrar que poderia ser uma vocalista e fazer sucesso”, conta.

Gaby cantou "A vida de viajente" antes de conduzir a chama

 

Mas a mulher do Pará é forte, lembrou Fafá, e elas têm sua “representante” poderosa.

“Por mais que ainda haja a cultura do homem como a cabeça do casal, aquele que manda, aqui na nossa região quem comanda três milhões de pessoas é Nossa Senhora de Nazaré. Nazinha é nossa proteção e é o que torna todas nós, mulheres paraenses, empoderadas. Não existe paraense que saia de Belém e não sonhe voltar para o Círio de Nazaré”, disse a cantora.

Belém tremeu

O dia começou com as participações de Marcio Gomes, do Arraial da Pavulagem, grupo de cultura popular amazônica, e do rei do carimbó Pinduca. Uma sequência musical que ganhou força no meio da tarde, com Liah Soares passando a tocha Olímpica para cantora lírica Dhuly Contente. Liah tem longa carreira como compositora e ganhou projeção ao participar do “The Voice Brasil”. Dhuly já se apresentou na Itália e nos Estados Unidos: “Fiquei orgulhosa por representar a área carente onde fui criada”. A Gang do Eletro arrastou o povo paraense pelas ruas com sua “treme-treme” dança característica de suas músicas.

"Somos fortes. A gente tem que fazer tremer essa festa toda, né?", brincou a vocalista da Gang, Keyla Gentil.

Especialista em música paraense, o jornalista Marcelo Damaso explicou que a música regional paraense ganhou novo status nos últimos anos porque o público queria novos ritmos para dançar. “Houve uma certa glamourização. Mas quem consome tecnobrega  hoje presta atenção nesse ritmo como manifestação cultural, com toda sua personalidade. As pessoas estavam procurando uma nova música para dançar. O carimbó, a música eletrônica, a guitarrada são três ritmos voltados para isso”, explicou.

Gang do Eletro fez a tocha "tremer" com sua animação (Rio2016/Andre Mourão)