"Fadinha do skate" acompanha pai na condução de tocha Olímpica em Imperatriz
Rayssa Leal ficou conhecida mundialmente após vídeo de manobras que ela fez vestida de fada viralizar e mostra que as meninas também brilham sobre o skate
Rayssa Leal ficou conhecida mundialmente após vídeo de manobras que ela fez vestida de fada viralizar e mostra que as meninas também brilham sobre o skate
Pequena de 8 anos fez manobras enquanto pai conduzia tocha Olímpica ( Rio2016/Andre Mourão)
Com apenas 8 anos, Rayssa Leal, campeã brasileira mirim de skate street, chegou bem perto de quebrar o tabu de ser a mais jovem skatista brasileira a conduzir a chama Olímpica. Como ainda não tem a idade mínima de 12 anos para ser condutora da tocha Olímpica Rio 2016, seu pai, Haroldo Leal, carregou o símbolo Olímpico para representá-la no revezamento em Imperatriz, no Maranhão, na terça-feira (14).
Com uma fantasia de fada costurada pela avó, a pequena ficou mundialmente conhecida em um vídeo de pouco mais de um minuto que mudou por completo a vida da menina em menos de 24 horas. Nas imagens, a garota aparece em duas tentativas e duas quedas seguidas de uma manobra perfeita.
Rayssa voltava de um desfile de 7 de Setembro em sua cidade. Encontrou um grupo de amigos da pista Mané Garrincha fazendo manobras de skate numa escadinha na calçada. Após trocar as sapatilhas pelo par de tênis, ainda com a fantasia de fada, a menina caiu duas vezes antes de acertar um heelflip perfeito. O pai gravou as quedas e a manobra final e postou no YouTube. Em pouco tempo, o vídeo alcançou 1 milhão de compartilhamentos – inclusive de celebridades mundiais como o DJ David Guetta e ídolos do skate como Bob Burnquist e Tony Hawk. A perseverança e a atitude de Rayssa a transformaram instantaneamente num símbolo do empoderamento feminino, e ela passou a ser conhecida nas redes como a Fadinha do Skate.
Rayssa ficou conhecida mundialmente após vídeo de manobras vestida de fadinha viralizar ( Rio2016/Andre Mourão)
Antes do trajeto do pai, Rayssa fez manobras na rota do revezamento e posou para fotos com a tocha. No ônibus do Rio 2016, Rayssa contou sua história para os outros condutores e incentivou cada um que deixava o veículo para conduzir a chama.
"Queríamos muito que ela conduzisse a chama Olímpica para quebrar mais esse tabu, como uma menina e como a mais nova atleta representando a nação do skate. Vou conduzir representando minha filha com aperto no coração, mas sei que vai ficar para a história. Da nossa parte, fica o agradecimento pela oportunidade e muita vontade de vê-la conduzir a tocha no futuro", afirma o pai, esperançoso pela entrada do skate nos Jogos Olímpicos. "Será que em Tóquio, com 12 anos, ela já poderia competir?"
Rayssa aprendeu a andar de skate sozinha, desde os 5 anos de idade, estudando vídeos em canais dedicados ao esporte no YouTube. Com ajuda da sua popularidade, conseguiu levantar recursos para a reforma da pista Mané Garrincha, onde treinam cerca de 300 skatistas em Imperatriz. Ela continua treinando por conta própria, três horas por dia, nessa mesma pista. "Ela não tem treinador nem horário. Vamos para a pista quando o sol já está mais frio, por volta de seis da tarde", explica o pai.
De lá para cá, Rayssa já conheceu vários ídolos pessoalmente - como a preferida, a brasileira Letícia Bufoni. "Meu maior sonho era conhecer a Letícia Bufoni, chorei muito quando nos encontramos. Perguntei para ela como era a base da manobra 360º flip. Ainda não consegui fazer!", conta, com os olhos brilhando. "Meu outro sonho é ser profissional".
Na lista dos próximos desejos, está também participar dos Jogos como skatista, caso o esporte se torne uma modalidade Olímpica no futuro, e ser uma condutora oficial da chama Olímpica. Com certeza, não faltará torcida.