Polo aquático aproxima Rio 2016 das comunidades cariocas
Seis atletas do Flamengo que vieram de áreas carentes comemoraram a honra de nadar na piscina dos futuros medalhistas Olímpicos no evento-teste
Seis atletas do Flamengo que vieram de áreas carentes comemoraram a honra de nadar na piscina dos futuros medalhistas Olímpicos no evento-teste
A defesa do Botafogo tenta bloquear o ataque do Flamengo durante o evento-teste (Rio 2016/Alexandre Loureiro)
Os eventos-teste para os Jogos Rio 2016 são, em sua essência, competições para testar as arenas e treinar as pessoas que vão trabalhar nas competições Olímpicas e Paralímpicas a partir de agosto - em muitos momentos, porém, as disputas abrem espaço para novas possibilidades. No Aquece Rio Torneio de Polo Aquático, encerrado nesta sexta-feira (29) no Estádio Aquático Olímpico, a luta por medalhas entre quatro equipes de juniores aproximou o principal evento esportivo do mundo da realidade das comunidades cariocas, local de origem de seis atletas do Flamengo, o time campeão. Botafogo (prata), Tijuca Tênis Clube (bronze) e Escola Naval também participaram do evento.
Morador da Rocinha, Lucas Barros, 17 anos, estava orgulhoso. “Para mim, é uma honra ter sido um dos estreantes". A família e os amigos, segundo ele, não pararam de perguntar sobre como é conhecer a arena e a piscina. “Digo que é um sonho realizado, mesmo sem participar dos Jogos Olímpicos. É demais estar no mesmo lugar que os melhores atletas”. O jovem fazia natação em um projeto social no Rubro-Negro da Gávea até ver uma partida de polo aquático. Pediu para treinar e não parou mais. Virou paixão. “Não é futebol, mas também tem uma família jogando junto”, explica.

O goleiro rubro-negro se posiciona para tentar evitar o gol do Botafogo (Foto: Rio 2016/Alexandre Loureiro)
Alexandre Mendes, 17 anos, goleiro do time do Flamengo e morador da Comunidade Chácara do Céu, no Leblon, diz que perdeu o sono antes do evento-teste. Hoje, pode dizer que frequentou a mesma piscina que os futuros campeões Olímpicos de polo aquático. “Tirei muita foto para o meu pessoal ver na internet”, conta o jovem, que já participa de competições internacionais pela seleção brasileira de base.

Rubro-negros se orgulham de representar suas comunidades na piscina Olímpica (Foto: Min. do Esporte / Gabriel Heusi)
Marcus Vinícius, 16 anos vem da Babilônia, no Leme. “Fiquei muito ansioso, estava contando os dias antes de vir para cá. Queria jogar muito nessa piscina e, quando o dia chegou, só pensei em desfrutar. Eu me senti nos Jogos Olímpicos". A palavra que mais usou para descrever tudo o que viu foi “incrível”. O destaque foi a piscina. “No clube, a gente encosta o pé no chão. Aqui, não: você tem de dar 100%”.
Na arquibancada, teve momento de emoção. O treinamento dos rituais de entrada das equipes e a execução dos hinos nacionais mexeu com Viviane Romagueira, que via o filho, Lucas Romagueira, do Tijuca, em ação. “Várias lágrimas nos olhos. Nunca tinha ido a um evento de porte Olímpico e é sempre uma grande emoção”. A voluntária Gabriela Marta adorou conhecer um esporte novo: “Foi uma experiência única".

Jovens cariocas desfrutaram das mesmas instalações usadas nos Jogos (Foto: Rio 2016/Alexandre Loureiro)
“Incrível estar no lugar mais alto do pódio, no lugar que em breve o campeão Olímpico vai ocupar."
Alexandre Mendes, goleiro do Flamengo
Técnico do Botafogo e assistente da seleção brasileira, Angelo Coelho elogiou muito a área de competição: "A piscina é ótima, perfeita para o polo aquático, assim como as arquibancadas".
Quem estava na parte técnica também ficou satisfeito. Khosrow Amini, vice-presidente de polo aquático da Federação Internacional de Natação (Fina), aprovou tudo o que foi testado no Parque Aquático Olímpico. “Posso classificar o evento como excelente”. Segundo o dirigente, todos os itens avaliados estavam dentro dos padrões internacionais. “Prestamos atenção nas instalações, nas mesas, na cronometragem, nos resultados, nas pessoas. Ficamos satisfeitos".
“Testamos bem a instalação e a área de competição, aquecimentos e resultados, essa última muito complexa”, comemorou Ricardo Prado, gerente de Esportes Aquáticos do Comitê Rio 2016. Prado acredita que, em breve, começarão a chegar pedidos das seleções para treinar na arena e não descarta autorizar alguns times para conhecer a piscina Olímpica do polo aquático. Paulo Cezar Fernandes, líder de competição do Comitê, diz que a Fina pediu apenas alguns pequenos ajustes, como na posição dos fotógrafos.

Vice-presidente da Federação Internacional avaliou o evento como excelente (Foto: Rio 2016/Alexandre Loureiro)