Evento-teste de judô no Parque Olímpico tem 'bad boy' britânico entre feras de oito países
São 99 inscritos para a competição, que servirá para o Comitê Rio 2016 avaliar sistema de resultados e serviços médicos
São 99 inscritos para a competição, que servirá para o Comitê Rio 2016 avaliar sistema de resultados e serviços médicos
Ashley McKenzie (de branco) está muito perto da vaga Olímpica no Rio 2016 (Getty Images/Richard Heathcot)
Na aparência, ele pode lembrar um boleiro marrento. Nas histórias de infância difícil e nas atividades fora do tatame (participou e foi finalista de um "reality show" em seu país) também. No entanto, não são só os aspectos pop que fazem do judoca britânico Ashley McKenzie, 26 anos, um dos destaques no Torneio Internacional de Judô que será disputado nesta terça-feira (8) e na quarta-feira (9) na Arena Carioca 1 do Parque Olímpico da Barra, como parte da série de eventos-teste para os Jogos Olímpicos Rio 2016. O atleta (que é designer de sua própria marca de roupas) está muito perto de ser confirmado na vaga Olímpica da categoria até 60kg – no lugar de sua foto de perfil no Facebook, até já colocou o Cristo Redentor de quimono e faixa preta...
Além do Brasil, que entra com o maior número de inscritos do total de 99, competem atletas de mais sete países, nas categorias até 66kg e até 81kg no masculino, até 52kg e até 63kg no feminino. São eles representantes de França, Alemanha, Grã-Bretanha, Japão, Hungria, Líbano e Papua Nova Guiné.
O Brasil não terá seus judocas da equipe principal. Dos outros países, alguns vêm com grupos mesclados de atletas mais experientes e mais jovens. É caso da Grã-Bretanha, que estava com seu grupo em Belo Horizonte, participando de um camping no Minas Tênis, local de aclimatação do país para os Jogos Olímpicos.
Na terça (8) e na quarta-feira (9), às 15h, haverá também lutas de demonstração de judô Paralímpico.
Ashley McKenzie passou por uma cirurgia no coração antes dos dois anos de idade e, além de ter deficiência auditiva, sofria de asma. Mesmo com todas essa limitações, era uma criança “terrível”. Foi expulso de uma escola aos sete anos por chutar a cabeça de um coleguinha; em uma outra escola, colecionou mais de 100 suspensões; aos 11 anos, foi parar em uma cela acolchoada de uma unidade psiquiátrica, onde ficou por seis meses...
My morning after training! pic.twitter.com/nwXrvNwiOC
— Ashley McKenzie (@Ashleymckenzi12) March 3, 2016
A rotina do menino só começou a melhorar depois do diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. E, principalmente, depois da vez em que brigou com um garoto por causa de cards de Pokemon e levou um golpe de judô. Foi a “virada” que precisava para sua vida. Passou a frequentar o mesmo clube do “adversário”, o Moberly, de Kilburn, no Noroeste de Londres. E apaixonou-se pelo esporte com tanta intensidade que até deixou a medicação (que seria considerada doping) para poder competir oficialmente. Na verdade, o judô substituiu a medicação com todo o sucesso.

Depois de vencer o Aberto Britânico de Judô com 19 anos, Ashley McKenzie passou a colecionar medalhas na categoria até 60kg. Foi ouro no Europeu Sub-23 em Saraievo 2010. Depois de competir nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, foi bronze no Europeu Sênior em Budapeste 2013, somou vitórias em Varsóvia, na Polônia, Liverpool, em casa, e Montevidéu, no Uruguai. Ganhou cinco vezes o Aberto Britânico, Em Glasgow 2014, na Escócia, se tornou campeão nos Jogos da Comunidade Britânica. Em 2015, foi prata no Grande Slam de Tyumen, na China.

Aqui, Ashley McKenzie mostra o treino "animal" que faz para manter a forma física. São 22 vagas Olímpicas por categoria, pelo ranking internacional. Em 29 de fevereiro, o garoto britânico era o 20º entre os atletas até 60kg. Ainda restam torneios que valem pontos para esse ranking, que será depurado posteriormente (porque cada país só pode inscrever um por categoria) até o fechamento, em 30 de maio.
Além dos duelos entre judocas de oito países, a competição na Arena Carioca 1 (o judô nos Jogos Olímpicos será na Carioca 2) servirá para avaliações em duas áreas funcionais, como informa o gerente de judô do Comitê Rio 2016, Kenji Saito: sistema de resultados e departamento médico. Haverá cerca de 2 mil ingressos, que serão distribuídos para convidados.
Na terça-feira (8), haverá lutas das categorias até 66kg masculina (com Ashley McKenzie em ação) e até 52kg feminina; na quarta (9), da categoria até 63kg feminina e até 81kg masculina.
A competição terá as mesmas placas de tatame dos Jogos Olímpicos, quando o total será de 1.500. Para o evento-teste serão utilizadas 360 nas duas áreas de combate. “Se contarmos também as áreas de treinamento e aquecimento, serão 698 placas”, explica o gerente, que irá trabalhar com dez funcionários contratados, mais 46 voluntários.

Os convocados pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ) são Gabriel Pinheiro e Daniel Cargnin, da categoria até 66kg; Eduardo Yudi Santos e Rafael Macedo, da categoria até 81kg; Jéssica Pereira e Layana Colman, da categoria até 52kg; Jéssica Santos e Aléxia Castilhos, da categoria até 63kg. Outros se inscreveram para as vagas abertas pelo Rio 2016, mas não competirão pela seleção brasileira.
Os estrangeiros inscritos são: França – Mallaurie Mercadier (52kg), Yasmine Horlaville (63kg), Romaric Bouda (66kg), Nicolas Chilard (81kg); Alemanha – Vivian Herrmann (63kg), Dominic Ressel (81kg); Grã-Bretanha – Bekky Livesey (63kg), Lucy Renshall (63kg), Chelsie Giles (52kg), Ashley Mckenzie (66kg). Samuel Hall (66kg), Jonathan Drane (81kg); Hungria - Franciska Szabo (63kg); Japão – Chishima Maeda (52kg), Kaho Yonezawa (63kg), Joshiro Maruyama (66kg), Toshimasa Ogata (81kg); Líbano –Nacif Elias (81kg); Papua Nova Guiné – Raymond Ovinou (66kg).
Ainda segundo Saito, na quarta-feira a seleção brasileira Olímpica fará uma visita para conhecer o local e também interagir com crianças de escolas ligadas ao Transforma (programa de educação do Comitê Rio 2016, que já beneficia 28 mil alunos da rede municipal de ensino).
