Espírito Olímpico entre refugiados: vamos desenhar o Giovane com a tocha?
Rio 2016 promove ação recreativa com crianças expatriadas acampadas em porto na Grécia
Rio 2016 promove ação recreativa com crianças expatriadas acampadas em porto na Grécia
Crianças têm um momento de lazer em acampamento improvisado no Porto de Piraeus
Texto e fotos: André Naddeo
A chama Olímpica já está percorrendo o território grego, berço dos Jogos Olímpicos. Diante do tema da integração entre os povos, sempre presente nos Jogos, não se pode deixar de lado a questão da crise dos refugiados na Europa: guerras na Síria, Iraque e Afeganistão, sobretudo, levaram milhares de pessoas a arriscarem as próprias vidas numa rota de fuga que tem a Grécia como a maior porta de entrada. Por isso, um colaborador do Comitê Rio 2016 visitou, na última quarta-feira (20), o Porto de Piraeus - ponto de embarque para os luxuosos cruzeiros europeus, mas que virou uma espécie de campo de refugiados - para promover uma atividade recreativa com as crianças no local.
Quem consegue desenhar o bicampeão olímpico de voleibol Giovane Gávio, o primeiro brasileiro a conduzir a Tocha Olímpica Rio 2016? De acordo com o Ministério da Imigração da Grécia, em seu último informe de abril, cerca de 1,5 mil pessoas seguem acampadas no local. Muitas delas são crianças, que perdem a infância e não têm lazer, tampouco uma esperança de um futuro próximo com a guerra em sua terra natal e as fronteiras europeias fechadas.
Munido de lápis, giz de cera, canetas de colorir, e folhas de papel, um colaborador do Rio 2016 estendeu um tecido no terminal E1 do porto - justamente o local onde o governo grego concentrou os refugiados - para promover um momento de lazer. A intenção era de que as crianças se sentissem, ao menos naquele momento, envolvidas com o maior evento esportivo do mundo. Muitas delas sequer sabiam da existência ou da realização do Jogos Olímpicos, fato comum também entre os mais velhos. Daí a iniciativa de explicar a importância do evento dentro do conceito que eles tanto lutam: integração entre os cinco continentes, o lema da bandeira Olímpica.
Giovane Gávio, bicampeão Olímpico de voleibol que conduziu a tocha em Olímpia
Com a ajuda de um refugiado marroquino, Morad El Naryan, 29, que fez as vezes de tradutor árabe (ainda assim, é bastante complicada a comunicação, uma vez que muito por ali falam o idioma farsi), mostramos a imagem do Giovane Gávio com tocha Olímpica e, mum smartphone. E pedimos para que alguns deles desenhassem o bicampeão Olímpico.

Emil, Iraque, 9 anos

Hebir, Afeganistão, 13

Lmolm, Afeganistão, 10 anos

Sayd, Síria, 8 anos
No próximo dia 26 de abril, no campo de refugiados de Eleonas, também em Atenas, um dos imigrantes que chegaram à Grécia terá uma oportunidade única. Ibrahim Al Hussein, 27, um refugiado-atleta e baseado na capital grega desde 2014, carregará a tocha Olímpica na presença do presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach.