Enfim, ex-boxeador se encontra com os melhores atletas do mundo nos Jogos Olímpicos Rio 2016
Depois de tentativas em Moscou 1980 e Londres 2012, canadense Earl Jones consegue atuar como voluntário
Depois de tentativas em Moscou 1980 e Londres 2012, canadense Earl Jones consegue atuar como voluntário
Earl Jones conseguiu realizar o sonho de participar dos Jogos Olímpicos (Foto: Saulo Guimarães)
O canadense Earl Jones está feliz da vida. Aos 57 anos, ele faz sua primeira participação em Jogos Olímpicos. Ex-boxeador, ele é voluntário no pavilhão 6 do Riocentro, onde acontecem as lutas de boxe do Rio 2016. O trabalho significa para o ex-atleta a realização de um sonho de mais de 30 anos.
Earl quase representou o Canadá nos ringues de Moscou 1980. Porém, sua eliminação no fim da fase classificatória, o posterior boicote do país aos Jogos e o fim de sua carreira como atleta adiaram a realização do desejo. Em Londres 2012, um derrame o impediu de ser voluntário. Por conta do problema, ele perdeu a sensibilidade no lado direito do corpo. Após um longo processo seletivo, Earl pôde finalmente matar sua vontade no Rio. "Quando recebi a confirmação, meu sonho se tornou realidade", diz.
Hospedado em Botafogo, Earl desempenha uma função importante na Barra. Ele e seus colegas são responsáveis por manter limpo o espaço de luta dos atletas e oferecer a eles água e cadeira nos intervalos. "Muitos atletas não aceitam", revela o voluntário, que se vale do contato visual para tentar decifrar o desejo dos esportistas. Earl conta que já viu 165 das mais de 220 lutas de boxe realizadas no Rio 2016. "Em 1 mês, eu vi mais lutas de boxe do que nos últimos 40 anos", resume.
Localizada na costa leste do Canadá, Halifax é a cidade-natal de Earl. Seus pais Leroy e Margareth eram cozinheiros militares e tomavam conta de uma verdadeira tropa. Eram quatro meninas e cinco rapazes, todos eles praticantes de boxe. Muito por influência do pai de Earl, que mantinha no bairro uma academia para a prática do esporte. "A ideia dele era manter as crianças das redondezas ocupadas", explica o canadense.
Na sua breve carreira como boxeador (foram apenas quatro lutas), Earl não fez feio. Certa vez, uma decisão de 3 juízes contra 2 o impediu de ganhar o campeonato canadense. Em outra ocasião, ele chegou a treinar com o peso-pesado Trevor Berbick, o último homem a enfrentar (e vencer) Muhammad Ali, em 1981. "Tomei três golpes e desisti", brinca Earl. Segundo ele, a coisa mais interessante do boxe é conciliar técnica e emoção. "O boxe ensina a ter disciplina com coração", afirma.
Desde que deixou o esporte, Earl trabalha com recreação. Ele atua no Alexandre Community Center, um espaço da prefeitura de Ottawa numa área pobre da capital canadense. Lá, o ex-boxeador e seus colegas atendem a crianças com idades entre 8 e 12 anos. "Um dos nossos projetos recebe 70 garotos por dia", diz. Quando voltar ao país, ele tem planos de seguir os passos do pai e abrir uma academia de boxe para os jovens da região. "Quero levar o espírito daqui olímpico para as crianças de lá", revela.