Empurrados pela torcida, atletas do Ibero-Americano aprovam pista azul do Estádio Olímpico
Torneio classifica mais seis brasileiros para a delegação de atletismo dos Jogos Olímpicos Rio 2016
Torneio classifica mais seis brasileiros para a delegação de atletismo dos Jogos Olímpicos Rio 2016
Pista rápida no Estádio Olímpico agrada atletas do Ibero-Americano, parte da série de eventos-teste do Comitê Rio 2016 (Foto: Rio2016/Alex Ferro)
Com público muito animado no fim de semana, cerca de 400 atletas de 24 países testaram a nova pista do Estádio Olímpico, que recebeu o Campeonato Ibero-Americano de Atletismo como parte da série de eventos-teste do Aquece Rio. Na competição, mais seis brasileiros alcançaram índice para os Jogos Olímpicos, e a pista veloz que será usada nos Jogos Rio 2016 foi aprovada pelos atletas. Porém, segundo o diretor executivo de Esportes do Comitê Rio 2016, Agberto Guimarães, ainda serão feitos ajustes na pista de aquecimento e nos vestiários, além de pintura e limpeza. "O Estádio Olímpico segue em obras, de responsabildiade de prefeitura do Rio de Janeiro", explicou.
O Ibero, que habitualmente recebe atletas de países de língua portuguesa e espanhola, teve o Brasil como campeão, com 52 medalhas (16 de ouro, 17 de prata e 19 de bronze), e dessa vez foi aberto para outros atletas fazerem reconhecimento do local onde será o atletismo olímpico. No evento-teste, a avaliação da nova pista do Engenhão era a principal meta do Comitê Rio 2016, que também avaliou os sistemas eletrônicos de tempo e de marcações de resultados.
Classificada de “rápida” pelos atletas, a pista em azul foi aprovada pelos competidores, como o dominicano Luguelín Santos, vice-campeão Olímpico dos 400m em Londres 2012, e o cubano Yoandris Pardo, que chegou à frente do rival, com 45s36 contra 45s58. Mesmo fazendo algumas ressalvas, porque o estádio está em obras, Luguelín disse que a pista “é muito boa, muito veloz”.

Prata Olímpica, Luguelín gostou da novidade do "número-adesivo" (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)
O dominicano elogiou também a nova forma de se colocar os números nos macacões dos atletas: em vez de tecido pregado com alfinetes, agora são adesivos. “É ótimo, superfácil, rápido de colar e não atrapalha o movimento dos braços.”
A norte-americana Chaunte Lowe, que tem a melhor marca do ano no salto em altura (1,96m), venceu a prova da modalidade com 1,93m. Desistiu do heptatlo depois dos 200m, mas saiu hipnotizada pela torcida barulhenta, comandada pelo corneteiro Dartagnan Jatobá, que anima espectadores desde o Mundialito de Voleibol 1982, no Maracanãzinho. O público sacudiu parte da arquibancada liberada no Engenhão, com muitas crianças dançando e vibrando com os atletas.

O corneteiro Dartagnan fez a torcida dançar na arquibancada do Engenhão (Foto: Rio 2016/Paulo Múmia)
Sorrindo, Chaunte disse que gostou da pista e adorou o estádio: “Está tudo perfeito. A torcida é animada demais e as pessoas são carinhosas! Agora, vou focar no salto em altura, para melhorar marcas a cada semana, ficar entre as três melhores nas seletivas no meu país e poder voltar para os Jogos Olímpicos.”
Outro que saiu animado com a pista foi o uruguaio Emiliano Lasa, ouro no salto em distância com 8,01m. “Gostei também do cenário aberto do estádio. Fica muito bom”. Emiliano é treinado por Nélio Moura, o técnico de Maurren Maggi no ouro da prova em Pequim 2008 e que também treina o búlgaro Denis Eradiri, representante de um dos países que participaram pela primeira vez do Ibero.
Outros técnicos brasileiros que trabalham com atletas estrangeiros aproveitaram a chance de fazer o reconhecimento do Engenhão. Foi o caso de Luiz Alberto de Oliveira, técnico de Joaquim Cruz no ouro dos 800m em Los Angeles 1984, que agora comando atletas da Arábia Saudita em Manaus, e Jayme Netto (do revezamento 4x100m que foi prata em Sydney 2000), com um grupo de Angola.
Seis do Brasil com índice
Nas provas individuais do atletismo, cada país pôde inscrever até três atletas por prova. A brasileira Jaílma Sales de Lima, por exemplo, conseguiu seu índice dos 400m ao vencer com 51s99. “Estava querendo voltar à casa dos 51 segundos desde o ano passado. Agora que consegui, fico mais tranquila e posso focar mais nos Jogos Olímpicos”, disse a atleta de 29 anos.

Finalmente, a volta "à casa dos 51s", disse Jaílma, com índice Olímpico (Rio 2016/Alex Ferro)
Duas que festejaram demais o índice foram Fabiana Moraes e Maila Paula Machado, dos 100m com barreiras, respectivamente ouro e prata com 12s91 e 12s99 (para o estabelecido de 13s00). Fabiana nem sabia que tinha vencido: "Eu me joguei, nem estou acreditando. Toda minha família ali na arquibancada, meus técnicos que me iniciaram no atletismo, árbitros, cestinhas que me viram crescer, amigos, papagaio... É minha primeira Olimpíada, meu Rio, minha casa!"
Maila estava tão eufórica quanto a amiga. Aos 35 anos, voltou depois de dois anos, um em reabilitaçáo de cirurgia no pé esquerdo e outro fazendo apenas base. "Já estava muito feliz com o retorno, agora é continuar treinando."
Nos 800m, foram dois os que conseguiram índice (mínimo de 1min46): Lutimar Paes e Kleberson Davide fizeram, respectivamente, 1min45s42 e 1min45s79. Lutimar disse que era seu grande objetivo no Ibero e ainda saiu no lucro, com a medalha de ouro. Kleberson, que não conseguiu competir em Londres 2012 por causa de uma virose, comemorou ainda mais por ter superado uma série de lesões. Já Kauíza Venâncio fez índice nos 200m com 23s18, que tinha mínimo de 23s20. “Finalmente saiu”, disse a atleta. “A tendência agora é crescer na sequência de treinos e competições”.
Objetivo: conhecer o local dos Jogos
Quem competiu sem se preocupar com tempos e marcas, como Fabiana Murer, que venceu o salto com vara com 4,60m, explicou sua motivação: “O objetivo maior era mesmo o reconhecimento do local, e procuramos tirar o máximo desta oportunidade. Ainda tenho duas semanas para entrar em nível de competição – nem comecei o trabalho de velocidade.”
Mauro Vinícius “Duda” da Silva, que segue para a Europa atrás de índice do salto em distância, comentou que cada pista responde de maneira diferente. “Esta aqui está muito boa, ajuda a não fazer tanta força.” Ronald Julião, ouro no disco e também atrás de índice, também aprovou o estádio: “Além do visual bonito, meu setor de lançamentos está muito bom. O piso não está muito liso nem muito áspero, não está esfarelando... Não tenho do que reclamar.”
Depois da penalidade imposta a Ana Cláudia Lemos, outra velocista do 4x100m ficou ameaçada de desfalcar a equipe. Franciela Krasucki sofreu uma lesão na coxa direita na prova dos 200m e saiu da pista chorando. Foi medicada e já iniciou fisioterapia, esperando pelo exame de ultrassom. A equipe com Kauíza, Gabriela Mourão, Bruna Farias e Vanusa dos Santos assim mesmo conseguiu a prata, com seu melhor tempo do ano (43s68), atrás de Porto Rico (43s55)
Aplausos para o passageiro de trem
Diretor-executivo de Esportes do Comitê Rio 2016, Agberto Guimarães recebeu o inglês Sebastian Coe – um de seus grandes rivais nas provas de meio-fundo dos anos 1980 e hoje presidente da IAAF – na visita ao Engenhão no domingo (15).
Coe elogiou a boa visibilidade que se tem, das arquibancadas, para acompanhar as provas de pista e campo, e aproveitou para incentivar o público a comprar ingressos para o seu esporte: “Aqui estarão não apenas os melhores atletas desta geração, como também de toda a história do esporte. O Usain Bolt, por exemplo, compete várias vezes e é a chance de vê-lo em seus últimos Jogos Olímpicos, para contar aos filhos e aos netos”.
Compre ingressos para o atletismo
Sebastian Coe foi bastante aplaudido pelo público, a maior parte de moradores dos arredores do Engenhão que utiliza trens como transporte – da mesma forma que o inglês fez – e, por isso, recebeu reconhecimento.
Clique e leia mais sobre a visita de Sebastian Coe
Abaixo, mais fotos do Ibero-Americano no Estádio Olímpico