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Um mundo novo

Em meio aos ídolos, 'novinhos' garantem espaço na elite dos saltos ornamentais

Por Rio 2016

Atletas de 14 e 15 anos, como a chinesa Ren Quian, competem com veteranos e mostram que já são gente grande

Em meio aos ídolos, 'novinhos' garantem espaço na elite dos saltos ornamentais

Ren Qian fez aniversário de 15 anos no último sábado e comemorou com um ouro no domingo (Alex Ferro/Rio 2016)

O que você já havia conquistado aos 15 anos? Alguns jogos no videogame, o primeiro beijo ou o campeonato de pelada do bairro... Que tal uma medalha de ouro em uma Copa do Mundo? Pois nos saltos ornamentais é assim: desde cedo, os atletas despontam e já figuram entre os melhores do planeta no mais acrobático dos esportes aquáticos. Na Copa do Mundo de Saltos Ornamentais, que teve nesta terça-feira (23) seu quinto e último dia competições, oito atletas nasceram nos anos 2000. Outros oito, em 1999.

"É um esporte em que tradicionalmente se começa cedo a competir no profissional, com 14, 15 anos. Mas a pouca idade não quer dizer fragilidade. Eles têm muito talento e trabalham muito, às vezes até mais que muitos adultos"

Alexander Valiente, técnico da seleção brasileira de nado sincronizado desde 2011

Ale, como é conhecido, explica que a tradição de atletas tão novos já entre os profissionais começou na década de 90, quando chineses muito jovens começaram a dominar o esporte. Cubano de nascença, o técnico acredita que a vontade de aprender, a ambição e o desejo de realizar objetivos fazem os jovens começarem cedo. Como nos saltos ornamentais a baixa estatura e a elasticidade favorecem a realização de alguns movimentos, a escrita chinesa se manteve até os dias atuais. 

"Acho que atletas mais novos tem mais energia e mais vontade de aprender e evoluir. A vontade de fazer tudo certo, até os movimentos mais básicos, talvez seja maior", diz a malaia Nur Dhabitah Sabri, de 16 anos, que ficou em quinto lugar no trampolim sincronizado de 3m na Copa do Mundo no último sábado (20). No Rio, pôde participar do mesmo campeonato que seu exemplo no esporte, o astro Tom Daley.

No domingo (21), foi a vez de Ren Qian espantar os espectadores - e adversários - no Centro Aquático Maria Lenk. Na final da plataforma individual de 10m, ela alcançou a única execução perfeita (nota 10 de todos os árbitros) desta Copa do Mundo até aqui. É claro que finalizou a prova com a medalha de ouro pescoço - o que pouca gente sabia é que a chinesinha de 1,50m havia acabado de completar 15 anos, no dia anterior:

"Eu realmente não sei como eu fiz isso, mas foi como no treino. Fiz o que eu faço normalmente. Não tem segredo, é só treino. E eu adoro treinar, não acho chato"

Ren Qian, ouro na Copa do Mundo, completou 15 anos no último sábado (20)

Rosto de menina, 15 anos recém-completos e o pódio já é rotina para Ren Qian (Foto: Alexandre Loureiro/Rio 2016)


A atleta mais nova de toda a competição tem 14 anos. Enquanto a maioria de nós assistia ao pentacampeonato da seleção brasileira de futebol, Tuti Garcia Navarro... nascia. De 2002, a cubana compete desde em competições de alto nível no profissional desde o ano passado. No Rio, Tuti se tornou a xodó dos jornalistas e da organização do evento quando deu entrevistas na zona mista com os olhos cheios d'água, tímida, após ser eliminada nas preliminares da plataforma de 10m e não conseguir a vaga Olímpica. "Fico muito feliz de poder competir com tanta gente boa. Todas são uma inspiração para mim", afirmou, com a voz embargada.

Segundo Ale, tanto o Comitê Olímpico Internacional (COI) como a Federação Internacional de Natação (Fina) têm a preocupação em proteger a infância dos atletas. Para o torneio Olímpico de saltos ornamentais, por exemplo, os atletas não podem ser mais novos que 14 anos completos até o fim de 2016. “Os atletas de alto nível abrem mão de muita coisa, mas há muitas crianças que querem treinar, esse é o desejo deles”, conta Ale.Ren Qian, que está no esporte desde os seis anos de idade, concorda: “Eu adoro treinar, não acho chato”, diz a chinesa, que gosta de ler quadrinhos, ver TV e mexer no celular em seu tempo livre.

“Nessa idade, tudo é um aprendizado. É preciso respeitar a idade e o limite de cada atleta para que ele não perca nenhuma etapa de sua vida” resume o técnico, com a propriedade de quem passou pela mesma situação. Ex-atleta, Ale começou nos saltos ornamentais com sete anos. Parou aos 16, quando já beirava os 1,80m, e, naquela época, era grande demais para o esporte - “atualmente já temos saltadores muito altos em alto nível também”. Hoje com 40, afirma: “Não abri mão de nada para ser atleta. De nada”.

Quem gosta de saltos ornamentais pode ficar de olho na turma que está por vir. Técnico coruja, Ale é só elogios à nova geração. "Atletas como o Isaac Souza, a Ingrid Oliveira e a Giovanna Pedroso têm tudo para deslanchar nos róximos anos”, diz.

Aos 14 anos, a cubana Tuti Garcia Navarro é a mais jovem da Copa do Mundo de Saltos Ornamentais (Foto: Alexandre Loureiro/Rio 2016)


Guerreiro, Hugo supera dores e garanta vaga

Enquanto a juventude do Brasil no esporte ainda está crescendo, os mais experientes vão dando conta do recado. Na manhã desta terça-feira, mais uma vaga individual para o Brasil nos saltos ornamentais dos Jogos Rio 2016. Depois de Juliana Veloso e César Castro, foi a vez de Hugo Parisi avançar para as semifinais e garantir o Brasil na plataforma de 10m masculina em agosto. A vaga veio no sufoco: superando dores nas costas, Hugo ficou na 18ª posição - a última para garantir classificação.

"O Hugo foi muito guerreiro hoje. Antes da prova eu pedi para ele largar a disputa de tanto que ele estava sentindo dor e não conseguia saltar, mas ele disse 'não, eu vou saltar essa prova e vou até o final'"

Ricardo Moreira, chefe da delegação brasileira de saltos ornamentais

Hugo, à esquerda, também competiu na plataforma sincronizada, ao lado de Jackson Rondinelli (Foto: Alexandre Loureiro/Rio 2016)


Como Hugo acumulou 479,65 pontos, ficou abaixo dos 520 exigidos pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) para a classificação nominal; a vaga conquistada ainda pode ser utilizada por outro saltador brasileiro nos Jogos.

Isaac, o caçula da competição com 16 anos, foi o 23o e saiu satisfeito com o resultado de seu primeiro grande torneio em casa, diante da família: "Escutava meu pai gritando bastante alto toda vez que saltava", disse.

China de novo

No trampolim de 3m feminino (única prova decididada nesta terça) ninguém descobriu como parar a China. Assim como na outra prova individual (plataforma de 10m), dobradinha chinesa no alto do pódio: Shi Tingmao ficou com o ouro e He Zi com a prata. Jennifer Abel, em terceiro lugar, conquistou o bronze para o Canadá.

Juliana Veloso, que havia conseguido a vaga Olímpica na prova nesta segunda (22), ficou em 15na semifinal e não avançou para a final.