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Um mundo novo

Em dois anos, ascensão meteórica do polo aquático brasileiro assombra os adversários

Por Denise Mirás Atualizado em 06/07/2016 — 10H47

Bronze na Liga Mundial 2015, com vitória sobre a campeã Olímpica Croácia, Brasil pode jogar de igual para igual com potências mundiais

Em dois anos, ascensão meteórica do polo aquático brasileiro assombra os adversários

Seleção brasileira de polo aquático cresceu demais e passou a ser analisada por adversários de mais tradição (Fotos: CBDA/SSPress/Satiro Sodré)

O Brasil tem o melhor técnico do mundo, o melhor goleiro do mundo e o melhor jogador da Liga dos Campeões da Europa – o que, na prática, significa o melhor jogador do mundo. Tudo isso em um esporte muito difícil e de pouca tradição por aqui: o polo aquático. A seleção brasileira teve uma ascensão meteórica em dois anos, a ponto de ter treinos filmados e analisados minuciosamente pelos países mais tradicionais da modalidade. E chega aos Jogos Olímpicos Rio 2016 não apenas para participar, mas para disputar de igual para igual com esses adversários.

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Um resultado recente mostra na prática que o Brasil chega forte ao Rio 2016: o terceiro lugar na Liga Mundial 2015. Na primeira rodada da campanha, conseguiu uma impressionante vitória por 17 a 10 sobre a Croácia, campeã Olímpica em Londres 2012. O placar foi tão assombroso que alguns croatas acharam que os jornais haviam invertido o marcador.

Construindo comportamentos e resultados

O técnico croata Ratko Rudic comanda os brasileiros desde 2014. Como atleta, foi prata Olímpica em Moscou 1980; como técnico, soma cinco medalhas Olímpicas, quatro delas de ouro. Além da parte técnico-tática, ele coloca muito peso na preparação psicológica. Diz que o grupo ganhou em autoestima e força mental, com cada jogador se desenvolvendo e se superando, para um trabalho que normalmente seria feito em dois ciclos Olímpicos.

Brasil importa talentos e tem meta ambiciosa nos Jogos Olímpicos

O cubano Willians Morales Manso, preparador físico da seleção, diz que o polo aquático é considerado o esporte mais difícil, ao lado da ginástica artística. Por isso os treinos são tão puxados, cerca de sete a oito horas de academia e de água. “Tudo o que fazemos em terra eles têm de fazer dentro da água: ter velocidade, saltar, chutar, tomar decisões sem ter a visão de cima... Também tem muito contato físico: prende, empurra, segura.”

Melhor goleiro, melhor jogador

O goleiro sérvio Slobodan Soro, que defende o Brasil, brinca que “existem dois tipos de pessoas: as normais e os goleiros de polo”. Ele diz que o atleta da posição faz tanta diferença que pode chegar a 50% de um time: “A responsabilidade é maior. E as falhas do goleiro são muito mais notadas...”

Se Slobodan é o melhor do mundo na arte de “pegar uma bola e jogar para 12 pessoas brigarem por ela”, o brasileiro Felipe Perrone – que defendeu a Espanha em Pequim 2008 e Londres 2012 – foi eleito o melhor da Liga dos Campeões da Europa. Tem força, capacidade cardiovascular, fundamentos, senso coletivo e excelente visão de jogo. Tudo o que define um grande talento do polo aquático.

A seleção viaja nesta quarta-feira (6) para Hungria e Sérvia, onde tem duas semanas de treinos e jogos, os últimos preparativos antes dos Jogos Olímpicos. São os mesmos 15 jogadores que participaram da Superfinal da Liga Mundial, na China: Slobodan Soro (goleiro), Jonas Crivella, Guilherme Gomes, Ives Gonzales, Paulo Salemi, Bernardo Gomes, Àdria Delgado, Felipe “Charuto” Silva, Bernardo Reis Rocha, Felipe Perrone (capitão), Gustavo "Grummy" Guimarães, Josip Vrlic, Vinícius Antonelli (goleiro), Rudá Franco e Danilo Correa.