Usain Bolt se despede das provas individuais em Jogos Olímpicos e já aponta sucessores
Atualizado em 19/08/2016 — 14H01Maior velocista da história dos Jogos Olímpicos, jamaicano tenta o tricampeonato no revezamento 4x100m nesta sexta
Maior velocista da história dos Jogos Olímpicos, jamaicano tenta o tricampeonato no revezamento 4x100m nesta sexta
Em sua despedida das provas individuais, Bolt vence pela terceira vez os 200m rasos: feliz pelo ouro, mesmo sem recorde mundial (Foto: Getty Images/Patrick Smith)
Após ser campeão Olímpico pela terceira vez nos 200m rasos, nesta quinta-feira (18), Usain Bolt beijou a raia e percorreu todo o Estádio Olímpico em sua despedida das provas individuais em Jogos Olímpicos. Nesta sexta-feira (19), o velocista jamaicano ainda pode conquistar seu terceiro tricampeonato no revezamento 4x100m, às 22h35.
“Tudo o que eu queria era ser campeão Olímpico uma vez dos 200m, ter uma medalha de ouro. Cheguei a nove – oito, digo. É muito, é chocante. Dei tudo de mim para ser o melhor”, afirmou Bolt, às vésperas de completar 30 anos, após a prova em que marcou 19s78, à frente do canadense Andre De Grasse (20s02), que ficou com a prata. O francês Christophe LeMaitre e o britânico Adam Gemili fizeram 20s12, mas, na decisão do no photochart, o bronze ficou para LeMaitre.
Usain Bolt mostra seu carinho pela raia Olímpica em que venceu sua última prova de 200m na carreira vitoriosa. (Foto Getty Inages/Cameron Spencer)
Mas o recorde mundial de 19s19, estabelecido por ele mesmo nos 200m rasos no Mundial de Berlim 2009, ficará para ser batido por uma nova geração de velocistas. Na noite desta quinta-feira (18), De Grasse mostrou que é um dos prováveis sucessores do “Raio”, conquistando a prata Olímpica aos 21 anos.
Usain Bolt disse que está cansado, que não tinha mais pernas para bater seu recorde de 19s19. Mas ficou feliz por mais uma medalha de ouro. “E também por ter feito o esporte mais interessante, colocado em um nível diferente, ter feito mais pessoas gostarem de esporte, de querer ver esporte”, afirma o jamaicano, que foi cercado de carinho pelos torcedores que foram ver suas exibições no Estádio Olímpico.
Mas também admite ter dado seu máximo, física e mentalmente, para alcançar tantas medalhas e agora está na hora de passar o bastão. Disse confiar na nova geração, citando De Grasse como um talento promissor. Sobre futuro, o jamaicano pretende seguir no esporte – mas de jeito nenhum como técnico.
Perto dos 30 anos, Bolt já tem candidatos a seu sucessor, como o canadense De Grasse, à direiita (Foto: Getty Images/Shaun Botterill)
Candidatos – se não no carisma, ao menos nas vitórias das futuras provas de velocidade – já se apresentaram. E, além do canadense Andre De Grasse, um norte-americano também se destaca: Trayvon Bromell.
Ambos têm 21 anos e alimentam uma boa briga desde juvenis. De Grasse é de novembro de 1994; Bromell, de julho de 1995. E os dois são bem mais baixos que Bolt, com seu 1,96m: De Grasse, com 1,76m; Bromell, com 1,75m.
De Grasse parece à frente na corrida para ser herdeiro de Bolt, não apenas pela prata Olímpica, mas principalmente porque seu rival sofre muito com lesões. O canadense já não tinha dado moleza para Bolt nos últimos metros da série semifinal dos 200m, a dois centésimos do “Raio” (o que certamente incomodou o multicampeão, apesar dos sorrisos de ambos na foto que entrou para a história).
Com 17 anos, Bromell foi o primeiro juvenil a baixar a marca dos 10s00 dos 100m (fez 9s99). No Mundial de Pequim 2015, já foi bronze na prova. Mas o norte-americano já machucou os dois joelhos e teve uma mais séria, no calcanhar, no início de junho. Quase não vem ao Rio 2016. Competiu nos 100m e chegou em oitavo. Está inscrito para o revezamento 4x100m desta sexta-feira (19).
O domínio norte-americano nas provas rápidas – sucesso atribuído ao próprio jeito de ser de seu povo – foi aos poucos sendo desafiado por canadenses e então por jamaicanos – o próprio Bolt já mencionou Yohan Blake como seu sucessor (mas ele foi mal na sua série semifinal dos 200m e ficou fora da final da prova neste Rio 2016).
Hoje, Grã-Bretanha e França também brigam por espaço nas provas de velocidade. Como ficou espelhado no bronze de Christohe LaMaitre, com o mesmo tempo do britânico Adam Gemili.
Efeito Bolt... nos bolsos
A revista Forbes coloca Usain Bolt entre as 100 celebridades mais bem pagas do mundo, com US$ 32,5 milhões somados em 2016. Além de fenômeno nas pistas de atletismo, é também um ícone mundial. Com isso, seu carisma transbordou da pista do Estádio Olímpico: no entorno, moradores incrementaram sua renda abrindo portas de suas casas para vender de churrasquinho e pipoca, de caipirinha a açaí.