Educação Rio 2016: Festival Esportivo Transforma volta com força total na Gamboa
Comunidades da região portuária do Rio de Janeiro aproveitam sábado de lazer com esportes Olímpicos e Paralímpicos
Comunidades da região portuária do Rio de Janeiro aproveitam sábado de lazer com esportes Olímpicos e Paralímpicos
Festival Esportivo do Rio 2016 leva 13 modalidades esportivas para a Vila Olímpica da Gamboa (Rio 2016)
Texto: Nicholas Shores
Pouco antes das 8h do último sábado (2), alto falantes já convocavam os moradores do entorno da Vila Olímpica da Gamboa para o Festival Esportivo Transforma, que animou a região portuária do Rio de Janeiro naquela manhã. Depois que o primeiro grupo de alunos da rede municipal de Piraí chegou, crianças e jovens frequentadores da instalação esportiva também foram aparecendo. Em poucos minutos, os monitores dividiram os participantes em equipes e começaram a rodar pelas estações de experimentação. Na lista de esportes oferecidos estavam voleibol, atletismo, tênis, futebol de 5, voleibol sentado, bocha Paralímpica, badminton, judô, tae-kwon-do, goalball, esgrima, vela e canoagem. Nos rostos de quem os praticava, muitos sorrisos.
“Gosto de esportes desde pequena. Hoje já joguei golfe, que nunca tinha jogado, e quero treinar tênis de mesa. É melhor do que ficar em casa fazendo nada!”, disse Ionara Santana, 12, que ainda deixou uma bonita mensagem sobre o espírito do festival. “Tem esporte para todo mundo, independente de raça, cor, tamanho e idade”, afirmou ela.

Com diversas estações dedicadas a esportes Paralímpicos, estava criada a deixa para o mascote Tom, que fez várias aparições ao longo do festival. Pelo caminho, distribuía abraços e fotografias, tanto a crianças quanto a adultos. Ele gostou tanto da onda da experimentação que praticou futebol de 5, judô Paralímpico e esgrima sobre cadeira de rodas. Igualmente ilustre foi a participação dos atletas Luiz Carlos Ferreira e Lucas Araujo, da seleção brasileira de bocha Paralímpica. Entrevistado pela locução do festival, Lucas falou sobre a medalha de ouro no Parapan de Toronto-2015, conquistada na categoria em equipe BC1/BC2. “Foi muito importante, uma sensação única”, descreveu ele.

Para quem mora nas redondezas da Vila Olímpica, o festival foi uma ótima oportunidade de sair de casa e sentir um gostinho do universo Olímpico e Paralímpico. “Tem vários esportes que eu não conseguiria ver, só pagando, e estou aqui de graça, curtindo muito”, elogiou Mateus da Silva Lima, de 16 anos. O jovem apontou ainda o impacto social do evento: “Moro em frente à Providência e já encontrei vários amigos meus aqui. Nessa juventude de onde eu moro tem um povo que quer ir para as drogas, e o festival é muito bom para incentivar o esporte.”
Uma curiosidade vista em edições passadas do festival que se repetiu nesta são as crianças sem deficiência que demonstram grande interesse por esportes Paralímpicos, como o futebol de 5 e o goalball. Foi na estação desta última modalidade que os filhos do chileno André mais se divertiram. “Eles estão gostando muito! Já correram, jogaram bola, fizeram aula de judô. É importante, incentiva eles a se movimentar, e eles não ficam tão parados lá dentro da favela. É bom ter essa cultura de esportes e ensinar desde pequeninho”, afirmou o artista circense.

Se o sábado era de sol forte, a experimentação de esportes aquáticos – prancha à vela e canoagem – ofereciam um refresco. Foi assim que Felipe Carvalheira de Siqueira, 12, que já é aluno de natação na Vila Olímpica da Gamboa, pôde aproveitar a piscina de uma maneira diferente. “Nunca pensei que ia andar de canoa, apesar de sempre ter gostado do mar. E ainda teve a parte de ficar virando o barco, achei muito legal”, disse o menino, que aproveitou para eleger ainda seu esporte favorito fora da água. “Também gostei muito do rugby, principalmente da parte em que você tem que correr para pegar a fita do outro time”, concluiu ele.
