Deodoro: vida nova com a chegada dos Jogos
Rio 2016 traz benefícios e muda a rotina dos moradores da região
Rio 2016 traz benefícios e muda a rotina dos moradores da região
Estação de trem da Vila Militar: plataformas recuperadas para o Rio 2016 (Foto: Ernesto Neves/Rio 2016)
Escolhida como um dos quatro locais de competição dos Jogos Rio 2016, a região de Deodoro, na zona oeste da cidade, passa por profundas transformações. A menos de um mês do início dos Jogos, a área foi renovada com investimentos da ordem de R$ 3 bilhões e prepara-se para assistir a um fluxo inédito de visitantes vindos de todo o planeta para acompanhar disputas de canoagem slalom, rugby, tiro esportivo e pentatlo moderno, entre outros esportes.
Antes dotado de estrutura precária, Deodoro exibia ruas sem asfaltamento e calçadas esburacadas. Tema de constante reclamação, a mobilidade era prejudicada pela sinalização escassa, que deixava o trânsito confuso e constantemente engarrafado. E o esgoto, sem saneamento suficiente, acabava por ser despejado nas águas da Baía de Guanabara.
O aporte recorde de verbas na região trouxe melhorias em série. Hoje, quem anda por ali e em bairros do entorno, como a Vila Militar, encontra avenidas recapeadas e calçadas novas em folha. A iluminação foi refeita e os equipamentos públicos exibem quadras poliesportivas para jovens e academias para a terceira idade. Inaugurada em maio, a nova estação de tratamento de esgoto de Deodoro, por sua vez, evitará que 65 milhões de litros de efluentes poluam a Baía de Guanabara a cada dia.
Lucia Boudrini: reforma para receber turistas da Austrália, Japão e Alemanha (Ernesto Neves/Rio 2016)
Especialista em logística e dona de um pequeno albergue em Marechal Hermes, a 10 minutos do Parque Olímpico de Deodoro, Lucia Boudrini corre contra o tempo para terminar a reforma do lugar. Mesmo dedicando-se em tempo integral aos preparativos, precisou contratar mais duas funcionárias para conseguir dar conta de melhorias na casa. O motivo é o exército de 300 estrangeiros, entre alemães, japoneses e australianos, que vai invadir sua casa durante as duas semanas de eventos - uma média de 21 pessoas por dia. Feitas pelo Airbnb, as reservas esgotaram-se há seis meses. “Só no meu entorno, sei de outras 30 casas que também vão hospedar turistas. Mesmo com a crise, a economia aqui está aquecida. Do pequeno comerciante ao dono da padaria, todos se beneficiam”, diz Lucia. Empolgada, ela já preparou até pequenos shows e workshops para os visitantes. “Vou trazer a bateria da Portela e ensiná-los a sambar”.
Composta por 980 famílias e localizada bem ao lado do Parque Radical, a comunidade ProMorar 2 está no epicentro das transformações e vive dias de ebulição. Antes formada por ruas de chão batido e calçadas tomadas pelo mato, a área passou por uma reforma urbana que inclui asfaltamento e drenagem das vias, novas praças, equipamentos esportivos e iluminação pública. Hoje, recebe trabalhadores de obras próximas e voluntários que já estão em Deodoro - e que acabam circulando por ali para aproveitar os serviços. O movimento reforçou o comércio local, fazendo com que bares e restaurantes invistam na reestruturação, compra de equipamentos e formalização econômica.
Luis Carlos da Silva: bar atende funcionários de obras próximas (Ernesto Neves/Rio 2016)
Ex-funcionário de uma empresa de transportes, Luis Carlos da Silva transformou-se em microempreendedor: abriu um restaurante no último ano e emprega toda a família. “Com esse dinheiro, pude investir em melhorias e estou pagando a faculdade de fisioterapia da minha filha”. Dona de uma empresa de refeições prontas, Lucimar da Costa viu sua produção se multiplicar de 100 para 700 quentinhas ao dia por causa dos Jogos Rio 2016. “Dobramos nossa equipe, de 10 para 20 pessoas, para poder dar conta. E o expediente se inicia antes das 5h da manhã”, afirma. “Os benefícios chegaram antes das competições e vão durar por muito tempo”, acredita.
Lucimar da Costa: produção de 700 refeições por dia para atender a demanda
Prova disso é o chamado Parque Radical, integrante do Parque Olímpico, que será aberto aos moradores como um centro de lazer aquático depois do Rio 2016. E a partir de 22 de agosto, um dia após a cerimônia de encerramento dos Jogos, o bairro passa a se conectar ao Recreio através do corredor expresso de ônibus Transolímpico – antes disso, em 18 de julho, a via será utilizada para o trânsito da força de trabalho Olímpica. Com 26 quilômetros de extensão e 18 estações, deve diminuir o tempo de deslocamento entre os bairros em cerca de 80%. Assim, o trajeto que antes levava 1h30 será feito em pouco mais de 20 minutos. Quando a pira apagar, Deodoro será, então, um bairro integrado e renovado por obras inéditas.