Atletas refugiados: a jornada de Rami Anis de Aleppo aos Jogos Rio 2016
Nadador de talento, ele deixou sua cidade natal na Síria para fugir da guerra. Após passar por Turquia e Grécia, foi acolhido pela Bélgica
Nadador de talento, ele deixou sua cidade natal na Síria para fugir da guerra. Após passar por Turquia e Grécia, foi acolhido pela Bélgica
Rami Anis passou por Turquia e Grécia antes de chegar à Bélgica. No Rio, competirá ao lado de outros atletas refugiados (foto: COI)
“Nadar é a minha vida. A piscina é a minha casa”. As palavras são do nadador Rami Anis, que aos 20 anos de idade precisou deixar sua cidade natal, Aleppo, para escapar da guerra na Síria. Hoje, passados cinco anos, Anis treina na Bélgica com o campeão Olímpico Carine Verbauwen e se prepara para nadar nos 100m borboleta nos Jogos Rio 2016, em agosto.
"Será uma ótima sensação ser parte dos Jogos Olímpicos", disse Anis após ser nomeado membro de uma delegação composta por dez atletas refugiados, que compete sob a bandeira do Comitê Olímpico Internacional (COI). “É o maior evento do mundo. Estou muito orgulhoso porque vou competir com campeões mundiais”.
Esporte acolhe dez atletas refugiados, que competem no Rio sob a bandeira do COI
Anis deixou a Síria com uma pequena mala pensando que voltaria logo. Jamais voltou (foto: COI)
Em 2011, conforme as bombas e sequestros tornavam-se mais frequentes em Aleppo, Anis teve que deixar a cidade. Quando sua família o enviou a Istambul para ficar com o irmão mais velho, não tinha ideia de que não retornaria. “A mala que eu levei tinha dois casacos, duas camisetas e duas calças. Era uma mala pequena, pensei que ficaria na Turquia por dois meses e depois voltaria a meu país”.
Desde então, Aleppo tornou-se símbolo dos horrores da Guerra na Síria, com histórias que cortar o coração. Mas Anis guarda boas lembranças da infância a cidade: a vida de atleta, os amigos, os familiares... Foi seu tio Majad, que competiu como nadador pela Síria, que o inspirou a tornar-se um nadador.
Em Istambul, Anis alimentou a paixão pela natação treinando no prestigiado clube Galatasaray. Porém, por não ter nacionalidade turca, foi impedido de seguir os passos do tio e nadar competitivamente. “É como alguém que estuda, estuda, estuda e não pode fazer a provar”.
Em busca de uma chance de provar a si mesmo que era capaz, Anis deixou a Turquia em um bote e atravessou o mar até a ilha grega de Samos. Posteriormente, chegou à Bélgica, onde recebeu asilo em dezembro de 2015. Hoje, treina no clube de natação do Ghent, sob os olhares atentos de Verbauwen.
A delegação dos refugiados, composta de atletas que foram forçados a deixar seus lares devido a conflitos ou perseguição, é uma iniciativa do COI e da Agência de Refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU).