Da dúvida ao triplo-triplo: 10 momentos de Usain Bolt durante os Jogos
Saga incluiu tratamento intensivo até o teste em Londres, na Liga de Diamante, visita a comunidade, samba com mulatas
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Usain Bolt comemora após vitória no revezamento 4x100m do Rio 2016 (Foto: Getty Images/Phil Walter)
Usain Bolt veio, viu e venceu. E sai dos Jogos Olímpicos não só com seu triplo-triplo no bolso, mas também com o título de atleta mais carismático, brincalhão e que mais aproveitou o Rio 2016, em todos os sentidos.
O jamaicano, que completa 30 anos no dia da cerimônia de encerramento, conquistou o público brasileiro e também agradou dirigentes e patrocinadores. Afinal, nas palavras do próprio Bolt, ele elevou o atletismo a outro patamar de importância diante de outros esportes.
O caminho do jamaicano até as três medalhas de ouro no Rio incluiu momentos de drama, superação, diversão e glória. Confira a trajetória do megacampeão até a consagração nas pistas.
No início de julho, Bolt deixou fãs do mundo inteiro apreensivos ao desistir da seletiva jamaicana para os Jogos Olímpicos. Não participou da prova dos 100m alegando estiramento no músculo de trás da coxa direita e até postou fotos de seu tratamento com fisioterapia. Mas Bolt é Bolt. Recebeu licença para se tratar e foi convidado a participar da delegação de seu país mesmo assim.
2. A confirmação
Com o passaporte carimbado para o Rio, Bolt competiu ainda em julho na Liga de Diamante, em Londres. Venceu os 200m sem gostar do resultado: 19s89, então sua quarta marca da temporada, quando seu recorde, de Berlim 2009, é 19s19. Mas mostrou que daria trabalho para seus adversários.
Bolt após correr na Liga de Diamante, em Londres (Foto: Getty Images/Dan Mullan)
Cinco dias depois chegava ao Rio de Janeiro. Mas, de óculos escuros, não quis conversa. Disse que não tinha dormido no voo. Também não surgiu como o porta-bandeira de seu país no desfile da cerimônia de abertura – o que pode estar reservado para o encerramento, no domingo (21), quando o superastro completa 30 anos. Mas a fase de evitar holofotes parou por aí.
Bolt chega ao Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos (Rio 2016/Gabriel Nascimento)
Um dos primeiros compromissos do corredor em solos cariocas foi a visita a um centro de treinamento que atende a crianças e jovens de baixa renda, na Penha. "Dizem que essas crianças são das comunidades mais perigosas daqui do Rio. Elas são nosso futuro, e estou muito feliz por conhecê-las", escreveu Bolt em sua publicação nas redes sociais.
A essa altura, Bolt já voltava a ser Bolt, o brincalhão. Na apresentação da delegação da Jamaica na Cidade das Artes, disse que se sentia feliz em deixar as pessoas felizes, pediu aplausos, cutucou Asafa Powell e ouviu um rap de um jornalista-fã norueguês.
Ainda na apresentação da delegação da Jamaica, Bolt também confirmou que o Rio 2016 marcaria sua última participação Olímpica e que tinha vindo pelo triplo-triplo. Para confirmar o clima de festa, saiu sambando com a bateria e as passistas do Salgueiro.
A história das pistas, de fato, começou então a ser escrita no sábado (14), com sua vitória na prova dos 100m. Neste momento, Bolt entrava para o seleto grupo de tricampeões Olímpicos na prova mais nobre do atletismo.
Na quinta-feira (18), ele cruzou a linha de chegada na frente na sua prova favorita, os 200m. O jamaicano se mostrou decepcionado por não ter quebrado seu recorde mundial. Admitiu que as pernas não aguentam mais esse esforço adicional, mas não deixou a simpatia e alegria de lado. Ganhou um reggae ainda no estádio, beijou a raia 6 e deu uma volta pelo estádio acenando e brincando com o público. E deixou claro como gostaria de ser lembrado: "Quero ser um dos maiores de todos, estar entre (Muhammad) Ali e Pelé. Espero que depois dos Jogos eu entre nessa lista", afirmou o astro.
Na sexta-feira (19), ele correria com sua equipe jamaicana na busca pelo terceiro ouro. Correu e sobrou na pista. Os jamaicanos levaram o ouro no revezamento 4x100m e garantia assim sua terceira medalha de ouro.
Equipe jamaicana em ação no revezamento 4x100m (Foto: Getty Images/Ian Walton)
Com o ouro no 4X100m, Bolt chagava assim ao seu objetivo traçado em Londres 2012 de ter três ouros em três provas do atletismo. Conseguiu e, mais uma vez, se jogou nos braços da galera.