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Um mundo novo

Condutora da tocha Olímpica em Porto Alegre, Daiane dos Santos leva ginástica artística a comunidades carentes do Brasil

Por Elis Bartonelli

Referência no esporte, a ex-ginasta medalha de ouro no mundial dá nome a movimento na modalidade esportiva

Condutora da tocha Olímpica em Porto Alegre, Daiane dos Santos leva ginástica artística a comunidades carentes do Brasil

Ex-atleta Olímpica é referência na ginástica e aposta no time brasileiro da modalidade (Rio2016/Fernando Soutello)

Primeira ginasta brasileira a conquistar uma medalha de ouro em uma edição do Campeonato Mundial (Ananheim, EUA, 2003), Daiane dos Santos é uma referência quando o assunto é ginástica artística. Nesta quinta-feira (8), ela participou do revezamento da tocha Olímpica Rio 2016 e acendeu a pira de celebração em Porto Alegre (RS), sua cidade natal.

“Dessa vez é diferente porque são os nossos Jogos. É o maior evento esportivo do mundo acontecendo aqui no Brasil. Nós, condutores, fomos um dos poucos privilegiados que podemos levar um pouco desse espírito Olímpico adiante”, comenta.

 

A ex-atleta fez história no cenário da ginástica brasileira e mundial. Participou da primeira seleção brasileira completa a disputar os Jogos Olímpicos, em Atenas 2004, e repetiu a participação na competição em Pequim 2008 e Londres 2012. Mas foi no Mundial de Anaheim que ela entrou para a história da modalidade. Ao som do clássico nacional “Brasileirinho”, ela executou um duplo twist carpado, elemento que encantou o mundo inteiro e ganhou o nome de Dos Santos 1. A evolução do movimento, o duplo twist esticado, ganhou o nome de Dos Santos 2. O primeiro já foi reproduzido no exterior.

“Tem uma americana que faz o duplo twist carpado, a Alexandra Raisman. Inclusive, ela foi a campeã Olímpica em Londres. É muito legal poder ver outras pessoas fazendo um elemento que a gente inventou. A ideia é realmente essa. Que outras meninas façam esse movimento com um nome tão simples, que é Dos Santos”, comenta ela.

Foto: Rio2016/Andre Mourão

Aposentada desde 2012, Daiane se dedica a levar seu esporte para o Brasil. Ela é idealizadora e gestora do projeto Brasileirinhos, que leva a ginástica artística para comunidades e cidades em vulnerabilidade social.

Ginástica brasileira chega pela primeira vez aos Jogos Olímpicos com as duas equipes, feminina e masculina

“Estamos com um projeto na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo. No segundo semestre, vamos levar para o Rio de Janeiro. Nossa ideia é que a gente consiga espalhar o esporte por todo o Brasil”, explica.

Acompanhe de perto o desempenho dos atletas nos Jogos Olímpicos

Daiane é formada em educação física e, quando pode, aproveita o projeto para ensinar as crianças. “Não consigo dar aulas por conta da correria. Mas, de vez em quando, eu mato um pouquinho a saudade da ginástica. Gosto de dar aula”, diz.

A pouco menos de um mês dos Jogos Olímpicos, a ex-ginasta aposta todas as fichas na geração de atletas atual.

“Eles estão muito bem preparados. Espero que seja uma festa para os brasileiros, que eles estejam tão felizes quanto nós estamos, como ex-atletas. Torcemos tanto para isso acontecer aqui no Brasil. Mas acredito que essa seja a melhor geração do Brasil para ganhar medalha. Não só na ginástica, mas no esporte”, conclui.