Como assim, já vai? Fica mais um pouco, Phelps!
Na despedida do astro das piscinas, Rio2016.com conta a história do superastro das piscinas, dos tropeços aos momentos de glória
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O nadador Michael Phelps em sua última prova em Jogos Olímpicos (Foto: Getty Images/Clive Rose)
É difícil encontrar um adjetivo para o nadador norte-americano Michael Phelps. Fenômeno? Mito? Rei? Grande? Incrível? Quando o assunto é esporte, vários atletas mereceram tais títulos por feitos relevantes, mas essas palavras parecem aquém do que este especialista em quebra de recordes se tornou em Jogos Olímpicos. Com 23 medalhas de ouro, três de prata e duas de bronze em Jogos, Phelps poderia ser, sozinho, um país com respeitável posição no quadro de medalhas da competição. Em Campeonatos Mundiais, as marcas são igualmente grandiosas: 26 medalhas de ouro, seis de prata e uma de bronze.
Mas, para chegar a esses números, o nadador passou por altos e baixos, anunciou a aposentadoria nos Jogos Londres 2012, enfrentou momentos de depressão. Confira, a seguir, algumas coisas que você pode ainda não saber sobre o maior campeão Olímpico de todos os tempos.
Michael era um garoto levado da cidade de Baltimore, nos Estados Unidos. Para gastar sua energia, a mãe, Debbie, resolveu colocar o menino nas aulas de natação quando ele fez 7 anos. A irmã, Whitney, também nadava e vinha se destacando. Seus pais estavam separados e sua mãe, que era diretora de escola, mantinha a casa e os três filhos – Michael, Whitney e Hilary.
Como uma boa educadora, o que preocupava mesmo Debbie era o filho na escola. As notas não eram boas e os professores reclamavam que o menino não parava quieto na sala de aula. Para piorar, ele vivia se metendo em brigas porque alguns colegas faziam piadas com suas orelhas de abano e os braços compridos.
Levou tempo, mas Debbie percebeu que o problema na escola era sério e procurou um médico. Aí veio o diagnóstico: Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Traduzindo: o garoto era hiperativo e precisaria tomar remédios para conseguir se concentrar. O tratamento começou e os resultados logo foram notados, inclusive nas piscinas.
Aos 10 anos, ele quebrou o recorde nacional dos 100m borboleta entre os meninos da mesma idade. Michael, então, procurou um clube para treinar. Foi para o North Baltimore Aquatic Club, onde conheceu o técnico Bob Bowman. Bob logo percebeu que o menino tinha jeito para a coisa. Tanto jeito que foi quebrando mais e mais recordes infantis – um deles ainda não foi superado até hoje. Era hora de se profissionalizar.
Bob não dava moleza. Michael tinha de nadar bem todos os quatro estilos: crawl, peito, costas e borboleta. Seus braços compridos mostraram ser uma benção e, aos 15 anos, Michael conseguiu participar das seletivas para os Jogos Olímpicos Sydney 2000. Ele nunca tinha competido fora do país. E não é que o adolescente conseguiu uma vaga?
Na Austrália, ele não ganhou medalha. Mas quantos atletas podem se gabar de ter como estreia internacional uma competição Olímpica e chegar na final? Michael Phelps pode.
Ao voltar para casa, Michael começou a sonhar com a medalha Olímpica. Bob já foi mais longe e viu que, se o nadador continuasse treinando forte, ele poderia bater a marca de sete medalhas de ouro do nadador norte-americano Mark Spitz nos Jogos de Munique 1972.
Michael se classificou para participar de oito provas nos Jogos Atenas 2004. Ganhou seis ouros e dois bronzes. Ali, o pequeno Michael virou o grande Phelps. Mas teve de ouvir de um monte de gente – atletas e jornalistas - que, apesar ser bom, talvez tivesse sido meio arrogante. Fosse do Rio de Janeiro, seria chamado de “marrento”.
Depois dos Jogos, Phelps seguiu uma rotina de recordes e títulos mundiais. Quatro anos depois, em Pequim 2008, conseguiu vaga para oito provas. Resultado? Oito medalhas de ouro Olímpicas aos 23 anos e um lugar na história como maior atleta dos Jogos em todos os tempos. Dona Debbie estava lá para conferir.
Deu tudo certo. E agora? Phelps começou a achar chata aquela rotina de ficar “contando azulejos”, sem tempo para se divertir como amigos da mesma idade. Em 2004, ele já tinha sido pego pela polícia dirigindo alcoolizado, mas agora foi mais sério. Vazou uma foto do nadador fumando maconha em uma festa de faculdade. Escândalo. Phelps se desculpou, mas recebeu uma suspensão de três meses como punição.
Aos trancos e barrancos ele treinou para os Jogos Londres 2012 e avisou: serão os últimos.
Ganhou quatro medalhas de ouro e duas de prata, mas ficou arrasado por ter perdido a final dos 200m borboleta, sua prova favorita. Disse adeus mesmo assim. Era hora de mudar de vida.
A mudança não foi legal. Ficou dois anos tentando encontrar o rumo. Estava deprimido e, em 2014, foi pego de novo dirigindo embriagado. Tomou seis meses de punição da Federação Americana. Foi para uma clínica e, quando saiu, contou que estava tão mal que não queria viver.
Michael Phelps: "Eu não queria viver mais"
Na volta, Phelps recapitulou. O desempenho em Londres ainda estava engasgado e achou que não tinha se despedido do jeito certo. Procurou Bob e voltou a treinar. Em 2015, veio a melhor notícia: a namorada, Nicole, estava grávida e ele seria papai.
Phelps começou a sonhar com uma despedida à altura de sua carreira: nos Jogos Rio 2016, ganhando medalhas de ouro, com Dona Debbie, Nicole e o bebê nas arquibancadas. O nome do menino foi segredo até o nascimento, mas agora todo mundo conhece o pequeno Boomer. Papai Phelps não esconde a alegria de ter ele por perto.
O bebê tem até página no Twitter seguida pelo Tio Bob (não é de verdade mas é divertida).
Phelps caprichou no treino e chegou ao Rio disposto a fazer bonito. Desfilou com a bandeira na cerimônia de abertura, ganhou quatro medalhas de ouro. Aquela dos 200m borboleta, que ele perdeu em Londres, a favorita, ele recuperou aqui e foi a que mais comemorou. Chamou a galera e apontou os indicadores para mostrar: "Sou o número 1!"

Realizado, chorou no pódio.
Michael Phelps tem mostrado um lado mais emotivo (Foto: Getty Images/Adam Petty)
E comemorou com Dona Debbie e a família toda
Phelps e família comemoram juntos mais uma medalha de ouro (Foto: Getty Images/David Ramos)
A quinta medalha de ouro escapou. Mas tudo bem. Tem gente nova chegando. “Tio Phelps” está fazendo escola e alguns de seus fãs já ganham medalhas aqui no Rio.
Sábado foi o dia do adeus, com medalha de ouro no peito.
A última medalha foi no revezamento 4x100m medley (Foto: Getty Images/Richard Heathcote)
Michael Phelps é humano – acerta algumas vezes, erra outras. Se desculpa e segue em frente. No meio tempo, faz coisas incríveis. Agora, garante que vai embora mesmo. Como todo brasileiro fala para uma visita querida, perguntamos: “Como assim já vai? Ah, Phelps, fica mais um pouco!”