Com torcida infantil e jovens talentos de oito países, evento-teste projeta o futuro do judô
Geração de atletas voltada para Tóquio 2020 sai empolgada com ambiente Olímpico na Arena Carioca 1
Geração de atletas voltada para Tóquio 2020 sai empolgada com ambiente Olímpico na Arena Carioca 1
Na disputa do ouro da categoria até 52kg, ouro da japonesa Chishima Maeda e prata da brasileira Jéssica Pereira (Comitê Rio2016/Daniel Ramalho)
Das 16 medalhas distribuídas no Torneio Internacional de Judô, realizado na terça (8) e quarta-feira (9) na Arena Carioca 1 do Parque Olímpico da Barra, nove ficaram com brasileiros. Três dos quatro ouros, porém, foram para os japoneses. Resultados à parte, o mais importante no evento-teste organizado pelo Comitê Rio 2016 foi a aprovação da Federação Internacional de Judô (FIJ) e dos dirigentes brasileiros, que avaliaram positivamente sistemas eletrônicos e serviços médicos. Uma torcida animada de cerca de 700 crianças e adolescentes de escolas convidadas tornou tudo ainda mais positivo, acrescentando boas vibrações à experiência internacional acumulada pelos 99 atletas participantes (de oito países), em sua maioria novatos.
Coordenador-técnico da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Ney Wilson explicou que a opção por inscrever atletas mais jovens foi motivacional: "Queremos que ganhem experiência para os muitos obstáculos e armadilhas que terão pela frente nos próximos ciclos Olímpicos, para transpor tudo isso e lutar por vaga para 2020”. Japão, Grã-Bretanha, França, Alemanha e Hungria também foram representados por judocas na faixa dos 20 anos.
Ney Wilson, coordenador-técnico da confederação Brasileira de Judô
Para o campeão da categoria até 81kg, Eduardo Yudi Santos, de 21 anos, a experiência foi fundamental. “Deu um medo de lutar, fiquei nervoso, mas passou depois da primeira luta”, disse o judoca, atleta do Pinheiros, vice-campeão pan-americano sub-21 em Buenos Aires 2014 e campeão brasileiro sênior em Maceió 2015.
Eduardo Santos, 21 anos, ouro na categoria até 81kg
Os atletas estrangeiros aprovaram as instalações e a organização do evento-teste. Muitos nunca tinham competido em um espaço dessas dimensões, com capacidade para 16 mil pessoas (nos Jogos Olímpicos, o judô será ao lado, na Arena Carioca 2, para 10 mil pessoas) - caso da francesa Yasmine Horlaville, de 18 anos, que também se impressionou com a área de tatame.
Yasmine Horlaville, 18 anos, judoca francesa
Bronze na categoria até 81kg, Igor Pereira estava mais feliz ainda com a medalha, porque habitualmente compete em categoria de atletas mais leves (até 73kg). Ele disse que seu grupo está bem “rodado” em competições internacionais e acostumado a lutar com adversários de estilos dos mais diversificados.
Igor Pereira, 23 anos, bronze na categoria até 81kg
A britânica Becky Livesey, 20 anos, medalha de prata na categoria até 63kg, aprovou as instalações e disse que aproveitou o evento-teste para avaliar a si mesma em relação a possíveis futuras adversárias, pensando a longo prazo.

Becky Livesey, 20 anos, prata na categoria até 63kg
Além da visita de medalhistas olímpicos da seleção brasileira de judô – como Sarah Menezes e Mayra Aguiar – e da vibração da torcida, houve aprovação geral das áreas funcionais que estavam sendo avaliadas. O gerente de Judô do Comitê Rio 2016, Kenji Saito, recebeu elogios aos sistemas eletrônicos e de resultados.O tcheco Vladimir Barta, delegado técnico da Federação Internaciona de Judô (FIJ) ficou mais que entusiasmado.
Vladimir Barta, delegado-técnico da Federação Internacional de Judô (FIJ)
Para o presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, Carlos Nuzman, os eventos-teste garantem mais tranquilidade nos preparativos. Ele contou que o delegado-técnico da FIJ lhe fez elogios à organização. “Ele me disse também que está tudo bonito. Um evento com torcida fica com um colorido muito lindo.”

Agberto Guimarães, diretor-executivo de Esportes do Rio 2016, citou o público como “termômetro de que as coisas estão funcionando” e observou o cuidado aos serviços médicos. “Reforçamos a equipe, e a FIJ ficou supersatisfeita.”
As diferenças entre Arena Carioca 1 e Arena Carioca 2 (que vai sediar as lutas de judô nos Jogos Olímpicos) não são muitas no que se refere a fluxo de atletas e desenvolvimento de áreas funcionais de apoio. Por isso, como frisou o gerente de Política e Operações Esportivas do Rio 2016, Rodrigo Garcia, com o objetivo de otimizar recursos o torneio foi realizado na arena de 16 mil lugares. “A Arena Carioca 2, menor, com capacidade para 10 mil pessoas, vai deixar o público mais próximo ainda dos atletas”, disse o gerente.
Mulheres – até 52kg
Ouro - Chishima Maeda – Japão
Prata – Jéssica Pereira – Brasil
Bronze – Chelsie Giles – Grã-Bretanha – e Raquel Silva – Rio de Janeiro
Mulheres – até 63kg
Ouro - Kaho Yonezawa – Japão
Prata – Bekky Livesey – Grã-Bretanha
Bronze – Jéssica Santos – Brasil – e Érika Ferreira – Ceará
Homens – até 66kg
Ouro – Joshiro Maruyama – Japão
Prata – Lucas Godoy – São Paulo
Bronze – Ashley McKenzie – Grã-Bretanha – e Diego dos Santos – Rio Grande do Sul
Homens – até 81kg
Ouro - Eduardo Santos – Brasil
Prata – Toshimasa Ogata – Japão
Bronze – Igor Pereira – Rio de Janeiro – e Edu Ramos - Sergipe
