Com “coração batendo mais forte”, judoca Paralímpica destaca gritos da torcida
Lúcia Teixeira participou das lutas de demonstração durante evento-teste do judô na Arena Carioca 1
Lúcia Teixeira participou das lutas de demonstração durante evento-teste do judô na Arena Carioca 1
Lúcia Texeira enfrenta judoca ucraniana em evento-teste de judô (Rio 2016/Daniel Ramalho)
Texto: Denise Mirás
Medalha de prata da categoria até 57kg nos Jogos Paralímpicos Londres 2012, a judoca Lúcia Teixeira participou nesta terça-feira (8) das lutas de demonstração da modalidade, durante o Torneio Internacional de Judô, na Arena Carioca 1, no Parque Olímpico da Barra, que tem 99 atletas de oito países para mais um evento-teste dos Jogos Rio 2016. Nascida com baixa capacidade visual, em decorrência de toxoplasmose, Lúcia destacou o barulho da arquibancada durante sua luta contra a ucraniana Inna Cherniak, primeira colocada no ranking mundial, que venceu por ippon.
Lúcia Teixeira, judoca Paralímpica
Lúcia, 34 anos, é classificada como B2 (B de blind – cego em inglês; e 2 de atletas que têm a percepção de vultos, com capacidade para reconhecer mãos). No Centro de Referência de Judô na Mooca, em São Paulo, ela pratica de segunda a sexta-feira, em dois períodos, e aos sábados pela manhã. São treinos físicos e técnicos para chegar ao ouro Paralímpico no Rio 2016. Sobre lutar na Arena Carioca 1, dentro do Parque Olímpico, Lúcia diz que "é diferente”:
Treinando mais para melhorar a parte física, Lúcia deixa para o técnico Jaime Bragança falar de seus pontos mais fortes: “Ela é determinada, séria e dedicada”.
Para Jaime, a oportunidade de sentir um pouco da emoção dos Jogos no local do evento-teste é “fantástica”. Por outro lado, poder mostrar um pouco do judo Paralímpico para o público também é importante. “No judo Paralímpico, os atletas já saem da pegada. São colocados frente a frente pelo árbitro, com as mãos na manga e na gola do adversário – o que não acontece no judô Olímpico.” Também é permitido que os técnicos falem com seus atletas, gritando instruções de fora do tatame.

Abner Oliveira também participou da demonstração de judô Paralímpico, enfrentando o russo Viktor Rudenko na categoria até 73kg. Medalha de ouro no Parapan de Toronto 2015 nessa categoria, o judoca de 21 anos é da classe B3 (de atletas que conseguem definir imagens) e está no esporte desde os 15. Mesmo com uma derrota por ippon, na saída do tatame ele disse que estava contente pela participação em um evento-teste para os Jogos Rio 2016. E destacou o acesso à área de competição:
Abner Oliveira, judoca Paralímpico
Outro destaque para Abner é a música, batida e alta. Para ele - que espera melhorar seu jogo de transição para ir mais rápido da luta em pé para a luta de chão -, esse tipo de música “dá um up”. “Quanto mais internacional e mais barulhenta, melhor! A música dá aquela adrenalina no corpo”, diz.

Em dois dias de competição, os 99 atletas inscritos lutam em duas categorias de peso masculinas (até 66kg e até 81kg) e duas femininas (até 52kg e até 63kg). Os testes básicos para o Comitê Rio 2016 são com relação ao sistema de resultados Serão testados principalmente sistema de resultados e departamento médico.
Nesta terça-feira, o gerente de Judô do Comitê Rio 2016, Kenji Saito, a pedido de dirigentes brasileiros e estrangeiros, levou um grupo à Arena Carioca 2, onde será o judô no Rio 2016 – ainda com obras em fase de finalização e que fica ao lado da Carioca 1.
Saito mostrou a rota de acessos que serão utilizados pelos atletas – o desenho dessas passagens é praticamente o mesmo nas duas arenas. Também explicou que local de aquecimento, sala de estar de judocas e de técnicos, com alimentação e tevês para se ver lutas que estão sendo disptuadas ao vivo, além de salas médicas e exames antidoping, serão montadas na área externa, em tendas climatizadas.
Nesta terça-feira, o evento-teste de judô teve lutas das categorias até 52kg feminina e até 66kg masculina. Para a quarta-feira, o programa prevê lutas das categorias até 63kg feminina e até 81kg masculina.
