Cielo faz terceiro tempo nos 50m e perde última vaga para Jogos Olímpicos Rio 2016
Marcada pela renovação, equipe brasileira formada no Troféu Maria Lenk de natação no Rio é a maior da história
Marcada pela renovação, equipe brasileira formada no Troféu Maria Lenk de natação no Rio é a maior da história
Ítalo Duarte, de 23 anos, é novo nome dos 50m livre do Brasil (Rio 2016/Alex Ferro)
A torcida gritou, o tempo baixou, mas não deu para Cesar Cielo. O único campeão Olímpico da natação brasileira enfim conseguiu nadar abaixo dos 22s (fez 21s97 nas eliminatórias e 21s91 na final), mas perdeu a vaga Olímpica dos 50m livre - sua especialidade - para Bruno Fratus e Ítalo Duarte no Troféu Maria Lenk, última seletiva da CBDA e evento-teste da natação para o Rio 2016, encerrado nesta quarta-feira (20).
Mesmo sem Cielo, o time brasileiro, formado nas raias do próprio Estádio Aquático Olímpico, leva aos Jogos Rio 2016 a segurança de velhos conhecidos, como Thiago Pereira e Joana Maranhão. A esperança vem de novos nomes, como Larissa Oliveira e Etiene Medeiros. Juntos, eles compõem a maior equipe Olímpica da história da natação brasileira, somando 29 atletas.
Brigando contra si mesmos pelo tempo mínimo (índice Olímpico) estabelecido pela Federação Internacional de Natação (FINA) para os Jogos do Rio; e contra os conterrâneos por uma das duas vagas do Brasil em cada prova, os atletas protagonizaram momentos eletrizantes para todos os que aguardavam, ansiosamente, os nomes daqueles que vão encarar a missão de defender o país em casa. "Vivi uma final Olímpica hoje", contou Cielo.
Curioso para saber o que aconteceu na competição? Teve recordes quebrados, ouro dividido, vaga decidida em frações de segundo, favoritos desbancados por novatos e muito mais.
Em suma, é como Etiene Medeiros, classificada para os 50m, 100m e 200m livre, disse:
Ficou para o último dia da última seletiva brasileira para Cesar Cielo, ídolo da torcida brasileira, definir se competiria ou não nos Jogos do Rio. Após uma temporada inteira sem índice para as provas Olímpicas, Cielo finalmente conseguiu o tempo mínimo para os 50m, sua especialidade, nesta quarta-feira (20). Mesmo assim, após uma final que reuniu quatro fortes nadadores na briga pela vaga, ficou em terceiro.
Mãos na boca, olhos arregalados. Parecia que todos no Estádio Aquático Olímpico processavam a mesma informação: Cesar Cielo estava fora dos Jogos Olímpicos Rio 2016. "Quero pedir desculpas, realmente fiquei muito aquém do que sei fazer. Tive um ano difícil no ano passado, e não nadei bem hoje. Bola para frente. O Brasil vai bem, tem os melhores", disse para as câmeras e para a arquibancada.
Em resposta, o estádio ecoou: "Cielo, Cielo". E o ídolo chorou, assim como fez oito anos atrás, quando entrava para a história do país como o primeiro campeão Olímpico da natação brasileira.
Evento-teste para o Rio 2016 e para os corações brasileiros a menos de quatro meses dos Jogos.

Ele tem 23 anos de idade, nasceu em Minas Gerais e só tem três participações em campeonatos internacionais, mas acaba de provar que é o homem a bater nos Jogos Rio 2016. Com o segundo melhor tempo do Brasil nos 50m, o "Ligeirinho", como é chamado pelos colegas, dedicou a vitória ao ídolo: "O Cesar é peça fundamental para a gente. Eu sempre me espelhei nele, assistia na televisão quando criança. Se não fosse por ele eu não estaria aqui. Essa vaga mostra que temos que ir atrás dos nossos sonhos e acreditar, mesmo quando ninguém acredita. O Brasil tem um padrão muito forte. ", contou.

O primeiro tempo da prova é de Bruno Fratus, medalhista de bronze no Mundial 2015, que acredita que a equipe encara uma nova fase a partir dos Jogos Rio 2016.
Sem Cielo, Thiago Pereira carrega nos braços, nas costas e no peito a esperança de medalha para o Brasil. Ele é o único medalhista Olímpico da equipe – foi prata em Londres 2012, nos 400m medley.
Focado em conquistar o primeiro ouro Olímpico da carreira, o nadador traçou uma nova estratégia para desbancar favoritos como Michael Phelps e Ryan Lochte na piscina do Rio 2016: cortou pela metade a distância percorrida (trocou os 400m pelos 200m medley), treinou pesado o nado crawl (seu ponto fraco) e até mudou até o lado da respiração para ganhar velocidade na chegada.
As chances de ver Thiago Pereira no topo do pódio dos 200m medley no Rio 2016 são reais. O atleta já foi bronze no Mundial de Barcelona 2013, prata no Mundial 2015 – quando perdeu na última volta para Ryan Lochte -, e prata no Pan 2015.
"O mais importante é que o Brasil vá com os melhores. O Thiago vai ter a chance de representar o Brasil de novo e ganhar mais uma medalha. Mas esse ciclo Cesar-Thiago estava chegando ao fim, e o meu chegou meio que no ano passado", comentou Cielo.

Só que além Phelps e Lochte, Pereira precisa superar um colega de equipe: Henrique Rodrigues. Os dois protagonizaram um dos momentos mais emocionantes no Estádio Aquático Olímpico na tarde da última terça-feira (19). Na final dos 200m medley, dividiram ouro e vaga para o Rio 2016 iguais até o último centésimo: 1m57s91 (0s01 atrás do terceiro tempo do mundo da temporada, de Phelps).
No 400m medley, antiga prova de Pereira, quem ficou com a vaga foi Brandonn Almeida, atual campeão pan-americano.
Se você não acompanha de perto a natação, talvez não conheça Larissa Oliveira. Ainda. A brasileira foi o grande destaque do Maria Lenk 2016 e chega ao Rio 2016 como favorita: além de confirmar vaga nos 100m e 200m livre, quebrou os dois recordes sul-americanos.
Outra atleta para acompanhar de perto no Rio 2016 é Etiene Medeiros: a atleta com mais índices entre todos da equipe. São três, além da vaga no revezamento: 50m livre, 100m costas

Os melhores momentos dos primeiros dias de competições no Estádio Aquático Olímpico.
Uma das esperanças de medalha para o Brasil nos Jogos Olímpicos Rio 2016, o revezamento 4x100m livre masculino também tomou forma no Troféu Maria Lenk. Nem Cielo, nem Pereira, nem Fratus. Com Marcelo Chierighini, Nicolas Nilo Oliveira, João de Lucca e Matheus Santana, o time une, na medida exata, a experiência dos mais velhos com a força dos mais novos.
Parte do time que foi a Londres 2012, Nicolas Oliveira, contou que quer tomar a frente da equipe nos últimos meses de preparação para o Rio 2016. “Agora que definiu, está na hora da gente realmente se juntar, acreditar. Acho que faz muito tempo que o Brasil não se une de uma forma positiva e de companheirismo. Vai ser bacana competir ao lado deles”, disse.
Mais do que um teste de performance para os atletas, o evento simulou a competição Olímpica nos mínimos detalhes. Para a CBDA e para o Comitê Rio 2016, que compartilharam a gestão das competições, o evento serviu para testar operações importantes que devem ser replicadas em pouco mais de três meses:
“Nosso principal teste foi na área de competição: a piscina, sistema de largada, cronometragem e resultados, raia, partidor, além de parte dos serviços que oferecemos para outros clientes como imprensa e confederação. Ainda tem muita coisa diferente de como vai ser nos Jogos, alguns ajustes a fazer, mas nossa avaliação foi positiva. A partir do momento que se tem atleta em ação, a pressão aumenta. Não dá para errar”, disse Rodrigo Garcia, diretor executivo de Esporte do Comitê.
No Rio 2016, a natação acontece entre os dias 6 e 13 de agosto. Saiba tudo sobre o evento.
Para os atletas, a imponência do estádio agradou:
50m livre
100m livre
100m borboleta
100m peito
100m costas
200m livre
200m costas
200m borboleta
200m peito
200m medley
400m livre
400m medley
1500m livre
Revezamento 4x100m livre
50m livre
100m livre
100m costas
100m borboleta
200m livre
200m medley
400m medley
Revezamento 4x100m livre
Revezamento 4x200m livre