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Um mundo novo

Cielo faz terceiro tempo nos 50m e perde última vaga para Jogos Olímpicos Rio 2016

Por Rio 2016

Marcada pela renovação, equipe brasileira formada no Troféu Maria Lenk de natação no Rio é a maior da história

Cielo faz terceiro tempo nos 50m e perde última vaga para Jogos Olímpicos Rio 2016

Ítalo Duarte, de 23 anos, é novo nome dos 50m livre do Brasil (Rio 2016/Alex Ferro)

Texto: Patricia da Matta

A torcida gritou, o tempo baixou, mas não deu para Cesar Cielo. O único campeão Olímpico da natação brasileira enfim conseguiu nadar abaixo dos 22s (fez 21s97 nas eliminatórias e 21s91 na final), mas perdeu a vaga Olímpica dos 50m livre - sua especialidade - para Bruno Fratus e Ítalo Duarte no Troféu Maria Lenk, última seletiva da CBDA e evento-teste da natação para o Rio 2016, encerrado nesta quarta-feira (20).

Mesmo sem Cielo, o time brasileiro, formado nas raias do próprio Estádio Aquático Olímpico, leva aos Jogos Rio 2016 a segurança de velhos conhecidos, como Thiago Pereira e Joana Maranhão. A esperança vem de novos nomes, como Larissa Oliveira e Etiene Medeiros. Juntos, eles compõem a maior equipe Olímpica da história da natação brasileira, somando 29 atletas. 

"Tentei o máximo que pude, mas não deu. Esporte de performance é assim: não pode parar muito tempo, não. Os adversários vão crescendo. O mérito é do Ítalo e do Bruno. Vou torcer muito para os dois. Agora sou torcedor"

Cesar Cielo, campeão Olímpico da natação


Brigando contra si mesmos pelo tempo mínimo (índice Olímpico) estabelecido pela Federação Internacional de Natação (FINA) para os Jogos do Rio; e contra os conterrâneos por uma das duas vagas do Brasil em cada prova, os atletas protagonizaram momentos eletrizantes para todos os que aguardavam, ansiosamente, os nomes daqueles que vão encarar a missão de defender o país em casa. "Vivi uma final Olímpica hoje", contou Cielo.

Curioso para saber o que aconteceu na competição? Teve recordes quebrados, ouro dividido, vaga decidida em frações de segundo, favoritos desbancados por novatos e muito mais.

Em suma, é como Etiene Medeiros, classificada para os 50m, 100m e 200m livre, disse:

“A equipe brasileira está nadando muito”.


Confira os principais destaques do Troféu Maria Lenk 2016:

A despedida de um ídolo...

Ficou para o último dia da última seletiva brasileira para Cesar Cielo, ídolo da torcida brasileira, definir se competiria ou não nos Jogos do Rio. Após uma temporada inteira sem índice para as provas Olímpicas, Cielo finalmente conseguiu o tempo mínimo para os 50m, sua especialidade, nesta quarta-feira (20). Mesmo assim, após uma final que reuniu quatro fortes nadadores na briga pela vaga, ficou em terceiro.

Mãos na boca, olhos arregalados. Parecia que todos no Estádio Aquático Olímpico processavam a mesma informação: Cesar Cielo estava fora dos Jogos Olímpicos Rio 2016. "Quero pedir desculpas, realmente fiquei muito aquém do que sei fazer. Tive um ano difícil no ano passado, e não nadei bem hoje. Bola para frente. O Brasil vai bem, tem os melhores", disse para as câmeras e para a arquibancada.

Em resposta, o estádio ecoou: "Cielo, Cielo". E o ídolo chorou, assim como fez oito anos atrás, quando entrava para a história do país como o primeiro campeão Olímpico da natação brasileira.

Evento-teste para o Rio 2016 e para os corações brasileiros a menos de quatro meses dos Jogos.

Cesar Cielo chora após final dos 50m livre (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)


Afinal, quem é Ítalo Duarte?

Ele tem 23 anos de idade, nasceu em Minas Gerais e só tem três participações em campeonatos internacionais, mas acaba de provar que é o homem a bater nos Jogos Rio 2016. Com o segundo melhor tempo do Brasil nos 50m, o "Ligeirinho", como é chamado pelos colegas, dedicou a vitória ao ídolo: "O Cesar é peça fundamental para a gente. Eu sempre me espelhei nele, assistia na televisão quando criança. Se não fosse por ele eu não estaria aqui. Essa vaga mostra que temos que ir atrás dos nossos sonhos e acreditar, mesmo quando ninguém acredita. O Brasil tem um padrão muito forte. ", contou.

Ítalo Duarte chegou na frente e conquistou a segunda vaga dos 50m livre (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)


O primeiro tempo da prova é de Bruno Fratus, medalhista de bronze no Mundial 2015, que acredita que a equipe encara uma nova fase a partir dos Jogos Rio 2016.

"É uma oportunidade única que estamos tendo aqui. O Cielo faz falta, mas faz parte da renovação do esporte. A beleza do esporte Olímpico é justamente essa: é uma competição justa. O Ítalo mereceu a vaga dele"

Bruno Fratus, representante do Brasil nos 50m livre

 

Brasileiros na cola de Michael Phelps nos 200m medley

Sem Cielo, Thiago Pereira carrega nos braços, nas costas e no peito a esperança de medalha para o Brasil. Ele é o único medalhista Olímpico da equipe –  foi prata em Londres 2012, nos 400m medley.
 


Focado em conquistar o primeiro ouro Olímpico da carreira, o nadador traçou uma nova estratégia para desbancar favoritos como Michael Phelps e Ryan Lochte na piscina do Rio 2016: cortou pela metade a distância percorrida (trocou os 400m pelos 200m medley), treinou pesado o nado crawl (seu ponto fraco) e até mudou até o lado da respiração para ganhar velocidade na chegada.

Você sabia que, para nadar os 200m medley, é preciso dominar os quatro estilos da natação (borboleta, peito, costas e crawl)? Estas e outras curiosidades no nosso infográfico interativo.

As chances de ver Thiago Pereira no topo do pódio dos 200m medley no Rio 2016 são reais. O atleta já foi bronze no Mundial de Barcelona 2013, prata no Mundial 2015 – quando perdeu na última volta para Ryan Lochte -, e prata no Pan 2015.

"O mais importante é que o Brasil vá com os melhores. O Thiago vai ter a chance de representar o Brasil de novo e ganhar mais uma medalha. Mas esse ciclo Cesar-Thiago estava chegando ao fim, e o meu chegou meio que no ano passado", comentou Cielo.

Thiago Pereira durante a final dos 200m medley no Estádio Aquático Olímpico (Foto: Getty Images/Buda Mendes)


Só que além Phelps e Lochte, Pereira precisa superar um colega de equipe: Henrique Rodrigues. Os dois protagonizaram um dos momentos mais emocionantes no Estádio Aquático Olímpico na tarde da última terça-feira (19). Na final dos 200m medley, dividiram ouro e vaga para o Rio 2016 iguais até o último centésimo: 1m57s91 (0s01 atrás do terceiro tempo do mundo da temporada, de Phelps). 

No 400m medley, antiga prova de Pereira, quem ficou com a vaga foi Brandonn Almeida, atual campeão pan-americano.

100m e 200m livre com a força das mulheres

Se você não acompanha de perto a natação, talvez não conheça Larissa Oliveira. Ainda. A brasileira foi o grande destaque do Maria Lenk 2016 e chega ao Rio 2016 como favorita: além de confirmar vaga nos 100m e 200m livre, quebrou os dois recordes sul-americanos.

“Duas provas, duas classificações, dois recordes sul-americanos. É mais que um sonho o que eu estou vivendo”

Larissa Oliveira, recordista sul-americana e representante do Brasil nos 100m e 200m livre
 

Outra atleta para acompanhar de perto no Rio 2016 é Etiene Medeiros: a atleta com mais índices entre todos da equipe.  São três, além da vaga no revezamento: 50m livre, 100m costas

Etiene Medeiros (dir.) e Larissa Oliveira (esq.) são principais nomes da natação feminina para Rio 2016 (Fotos: Getty Images/Buda Mendes)


Os melhores momentos dos primeiros dias de competições no Estádio Aquático Olímpico.

No revezamento 4x100, um novo quarteto fantástico

Uma das esperanças de medalha para o Brasil nos Jogos Olímpicos Rio 2016, o revezamento 4x100m livre masculino também tomou forma no Troféu Maria Lenk. Nem Cielo, nem Pereira, nem Fratus. Com Marcelo Chierighini, Nicolas Nilo Oliveira, João de Lucca e Matheus Santana, o time une, na medida exata, a experiência dos mais velhos com a força dos mais novos.

Parte do time que foi a Londres 2012, Nicolas Oliveira, contou que quer tomar a frente da equipe nos últimos meses de preparação para o Rio 2016.  “Agora que definiu, está na hora da gente realmente se juntar, acreditar. Acho que faz muito tempo que o Brasil não se une de uma forma positiva e de companheirismo. Vai ser bacana competir ao lado deles”, disse.

Estádio Aquático Olímpico: caldeirão pronto para receber as estrelas

Mais do que um teste de performance para os atletas, o evento simulou a competição Olímpica nos mínimos detalhes. Para a CBDA e para o Comitê Rio 2016, que compartilharam a gestão das competições, o evento serviu para testar operações importantes que devem ser replicadas em pouco mais de três meses:

“Nosso principal teste foi na área de competição: a piscina, sistema de largada, cronometragem e resultados, raia, partidor, além de parte dos serviços que oferecemos para outros clientes como imprensa e confederação. Ainda tem muita coisa diferente de como vai ser nos Jogos, alguns ajustes a fazer, mas nossa avaliação foi positiva. A partir do momento que se tem atleta em ação, a pressão aumenta. Não dá para errar”, disse Rodrigo Garcia, diretor executivo de Esporte do Comitê.

No Rio 2016, a natação acontece entre os dias 6 e 13 de agosto. Saiba tudo sobre o evento.

Para os atletas, a imponência do estádio agradou:

“Está tudo muito lindo, fiquei deslumbrando quando entrei, está de outro mundo. Padrão internacional”

Brandonn Almeida, representante do Brasil nos 400m medley
 

"É lindo! É um pouco menor que as outras arenas, mais aconchegante, bacana, e pela primeira vez com quatro lados. Gostei”

Joanna Maranhão, representante do Brasil nos 200m e 400m medley


“A piscina é brilhante. A instalação não é tão grande, então quando tiver muitos espectadores vai ficar bem legal, com uma ótima atmosfera”

Barbora Zavadova, nadadora da República Tcheca
 

A equipe brasileira de natação para os Jogos Rio 2016:

*Lista divulgada pela CBDA

Provas masculinas

50m livre

  • Bruno Fratus - 21s50
  • Ítalo Duarte - 21s82

100m livre

  • Marcelo Chierighini - 48s20 
  • Nicolas Oliveira – 48s30 

100m borboleta

  • Henrique Martins – 52s14 
  • Marcos Macedo – 52s17

100m peito

  • João Gomes Jr - 59s06 
  • Felipe França - 59s36 

100m costas

  • Guilherme Guido – 53s09

200m livre

  • Nicolas Oliveira – 1m46s97
  • João de Lucca – 1m47s65 

200m costas

  • Leonardo de Deus - 1m57s43

200m borboleta

  • Leonardo de Deus - 1m55s54
  • Kaio Marcio - 1m56s21

200m peito

  • Tales Cerdeira – 2m10s99
  • Thiago Simon - 2m11s29

200m medley

  • Henrique Rodrigues – 1m57s91 
  • Thiago Pereira – 1m57s91

400m livre

  • Luiz Altamir - 3m50s32 

400m medley

  • Brandonn Almeida - 4m14s07

1500m livre 

  • Miguel Valente – 15m40s40 
  • Brandonn Almeida – 15m14s58

Revezamento 4x100m livre

  • Marcelo Chierighini – 48s20
  • Nicolas Nilo Oliveira – 48s30
  • João de Lucca – 48s59
  • Matheus Santana – 48s71

Provas femininas  

50m livre

  •  Etiene Medeiros – 24s64
  • Graciele Herrmann – 24s92

100m livre

  • Larissa Oliveira – 54s03
  • Etiene Medeiros - 54s26

100m costas

  • Etiene Medeiros – 1m00s 

100m borboleta

  • Daiene Dias - 58s04
  • Daynara de Paula - 58s38 

200m livre

  • Larissa Oliveira - 1m57s27 
  • Manuella Lyrio - 1m58s43 

200m medley

  • Joanna Maranhão - 2m14s04

400m medley

  • Joanna Maranhão - 4m38s66

Revezamento 4x100m livre

  • Larissa Oliveira – 54s03
  • Etiene Medeiros – 54s26
  • Daynara de Paula – 55s02
  • Manuella Lyrio – 55s20

Revezamento 4x200m livre

  • Larissa Oliveira - 1m57s37
  • Manuella Lyrio - 1m58s43
  • Jessica Cavalheiro - 1m59s05
  • Gabrielle Roncatto - 1m59s22