Cerimônias do Rio 2016 prometem ousar no desfile dos atletas
Os diretores Fernando Meirelles, Daniela Thomas, Andrucha Waddington e Rosa Magalhães vão focar no espírito e na energia do brasileiro nas festas de abertura e encerramento
Os diretores Fernando Meirelles, Daniela Thomas, Andrucha Waddington e Rosa Magalhães vão focar no espírito e na energia do brasileiro nas festas de abertura e encerramento
Mesa redonda reuniu os diretores e produtores das cerimônias dos Jogos Olímpicos Rio 2016 (Daniel Ramalho/Rio 2016)
Fazer parte do elenco de uma superprodução dirigida por Fernando Meirelles, Andrucha Waddington, Daniela Thomas e Rosa Magalhães, com produção executiva de Abel Gomes. E ter uma audiência garantida de milhões de espectadores dos cinco continentes. O que seria o sonho de todo artista pode ser realizado pelas 12 mil pessoas que conseguirem ser selecionadas para atuar nas cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. Mais de 15 mil voluntários já estão concorrendo para participar dessas apresentações históricas. Mas a boa notícia é que ainda dá tempo de se inscrever para a experiência que promete ser “muito mais emocionante do que desfilar na sua escola de samba campeã”, como definiu Daniela Thomas, na tarde desta terça-feira (22), durante a mesa redonda com os diretores das cerimônias Olímpicas, no auditório do Comitê Rio 2016.
Para fechar o roteiro, eles fizeram uma síntese da cultura popular, com coreografias de Deborah Colker e ritmo vigoroso da música brasileira. “Ouvimos especialistas, como o antropólogo Hermano Vianna, com visões diferentes do que é o Brasil”, conta o cineasta Fernando Meirelles. Diretor dos filmes Cidade de Deus, O Jardineiro Fiel, Ensaio sobre a Cegueira, entre outros premiados, Meirelles dirigiu no máximo dois mil figurantes em uma filmagem em estádio de futebol. “Foi uma loucura”, brinca. “Graças a Deus, para a cerimônia de abertura teremos as coreografias de Deborah Colker e de Steve Boyd (americano radicado na Inglaterra), que é um coreógrafo de massa que já fez aberturas de seis Jogos Olímpicos”, ressalta Meirelles.
Boyd será o responsável por multiplicar para todo o elenco das cerimônias de abertura e encerramento Olímpicas as coreografias que Deborah Colker está criando atualmente com um grupo de 30 bailarinos. “A gente idealiza uma coisa em menor escala e depois amplia. Vimos, semana passada, movimentos incríveis que a Deborah criou em laboratório com esse grupo menor. Já começamos a visualizar como funciona cada movimento para depois multiplicar para mil pessoas”, conta o diretor Andrucha Waddington, que tem no currículo os longas-metragens Eu Tu Eles, Outros (Doces) Bárbaros e Casa de Areia. Andrucha já trabalhou com um elenco de cinco mil pessoas durante a gravação de um comercial em um estádio de futebol, há 20 anos. “Mas nem se compara à experiência que estou tendo agora”, ressalta. “Vai ser uma festa diferente. Principalmente para os atletas. Podem esperar uma ousadia no desfile das delegações”, arremata.
A abertura dos Jogos Olímpicos será “uma síntese da nossa cultura popular”, como diz Meirelles; “para emocionar”, completa Daniela; “com o espírito brasileiro”, acrescenta Andrucha. Só que dentro do orçamento, “dez vez menor do que o da abertura de Londres 2012”, diz o primeiro, antes de justificar: “Não faz sentido esbanjar dinheiro no momento que o país enfrenta. Não será um cerimônia hi-tech. Será hi-concept, com um conceito muito forte”.

“O forte da nossa cerimônia será trabalhar com mais gente e menos coisas e objetos de cena. Porque, quando a festa termina, as coisas geram lixo”, destaca Leonardo Caetano, diretor de cerimônias do Comitê Rio 2016. Ou seja, as apresentações, tanto Olímpicas quanto Paralímpicas - que têm como diretores o escritor Marcelo Rubens Paiva, o designer Fred Gelli e o artista plástico Vik Muniz -, vão valorizar o elenco de participantes que se inscreverem pra participar das cerimônias. “Não precisa ser artista profissional, pessoas de todas as idades podem se inscrever, só que é importante ter disponibilidade para ensaiar no Rio de Janeiro. É importante a pessoa entender que é um compromisso de longo prazo, que começa com os ensaios em abril e vai até os dias das cerimônias, em agosto”, ressalta Caetano.

Os ensaios devem acontecer no Estádio Moça Bonita, em Bangu, segundo Abel Gomes, cenógrafo e produtor de mega-eventos no Rio de Janeiro, como os shows do réveillon na praia de Copacabana e o Rock in Rio. À frente da empresa Cerimônias Cariocas, contratada para conduzir as cerimônias do Rio 2016, Abel já projeta como será a logística no dia da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, em 5 de agosto de 2016. “Os 12 mil atletas ficarão esperando para entrar no Maracanãzinho enquanto os quatro mil voluntários estarão distribuídos em tendas no entorno do Maracanã, de acordo com a ordem de atuação no estádio. Vai ser o maior evento da vida de todos nós”, projeta.
“Os Jogos Olímpicos são tão impressionantes porque passam por todas as questões políticas e continuam falando sobre o humano, o respeito, a energia e a vontade de viver. A gente quer fazer uma grande festa e a festa é sempre o melhor remédio para recuperar a nossa autoestima em um momento de crise, quando estamos esquecendo das nossas potencialidades”, conclui Daniela Thomas, que dirigiu com Walter Salles o filme Terra Estrangeira e já assinou uma série de grandes produções bem-sucedidas. “Não vamos esbanjar, mas algum luxo tem que ter”, sinaliza Rosa Magalhães, cenógrafa que se destacou como carnavalesca de enredos campeões do Carnaval carioca, como os cinco títulos que a Imperatriz Leopoldinense conquistou na Marques de Sapucaí, entre 1992 e 2009.
Para se inscrever para as cerimônias dos Jogos Rio 2016, entre no site: www.rio2016.com/elencodecerimonias