Centro Nacional de Hipismo, palco das competições em 2016, é referência no esporte
Construída para os Jogos Pan-Americanos 2007, instalação passará por reforma para receber os melhores cavalos de alto rendimento esportivo do mundo
Construída para os Jogos Pan-Americanos 2007, instalação passará por reforma para receber os melhores cavalos de alto rendimento esportivo do mundo
Os cavalos podem correr a até 54 quilômetros por hora em uma esteira no laboratório do Centro Nacional de Hipismo (Rio 2016/Alex Ferro)
Estar em uma sala onde um cavalo de meia tonelada galopa a quase 50 quilômetros por hora em uma esteira rolante é uma sensação um pouco assustadora. Mas quando esta sala faz parte de um laboratório de ponta do hipismo e você está diante de alguns dos maiores especialistas na área, é mais fácil manter a calma.
"Não se preocupe. O cavalo está amarrado a alças que suportam até 4,5 toneladas", explica Fernando Queiroz, coordenador do Laboratório de Avaliação do Desempenho de Equinos (LADEq), em um tom tranquilizante.
O laboratório faz parte do Centro Nacional de Hipismo, que sediará as competições do esporte nos Jogos Rio 2016, em Deodoro. Construída para os Jogos Pan-Americanos 2007, a instalação será renovada para 2016, quando abrigará mais de 300 cavalos que participarão das competições Olímpicas e Paralímpicas. A clínica veterinária do Centro será realocada para um novo prédio, mais amplo, enquanto a área dos estábulos será expandida. Também será ampliada a capacidade das arquibancadas onde acontecerão as provas de salto e adestramento, e uma nova pista para o cross country será construída.
O LADEq já funciona a todo vapor. São cerca de 20 profissionais no local, que realizam pesquisas sobre a fisiologia dos esportes hípicos. O trabalho resulta em um fluxo regular de estudos, que são publicados em jornais, na web e compartilhados com as organizações desportivas envolvidas com o hipismo. O laboratório, que faz parte da Escola de Equitação do Exército Brasileiro, tem parceria com oito universidades brasileiras, além de outras em vários países do exterior, como Argentina, Espanha, França e Portugal.
Durantes os Jogos, o laboratório ajudará a avaliar a condição dos 314 cavalos que devem permanecer no Centro Nacional de Hipismo para as competições Olímpicas e Paralímpicas. A maior parte destes animais, incluindo alguns da seleção brasileira, vem dos mais variados lugares do mundo. Ao desembarcar no Brasil, eles serão logo transportados para o Centro Nacional de Hipismo em caminhões especiais.
Em parceria com o Ministério da Agricultura, o LADEq também será responsável pelo controle sanitário. A principal preocupação, neste caso, será a prevenção de propagação de vírus. Além disso, os funcionários do laboratório prestarão auxílio na formação e na preparação dos 44 cavalos que o Comitê Rio 2016 fornecerá para a competição de pentatlo moderno.
A esteira recebe lugar de honra no laboratório. Com velocidade máxima de 54 quilômetros por hora, recursos de inclinação, sensor para casos de emergência que pode interromper o funcionamento da máquina em três segundos e as fundamentais alças de segurança, a esteira permite que os veterinários meçam a frequência cardíaca e a respiração dos cavalos. Também são feitas análises sanguíneas dos animais, durante e depois dos exercícios (são medidas as taxas de ácido lático, glicose, nível de células vermelhas do sangue e comportamento de enzimas).
Além de permitir a análise fisiológica, a esteira é utilizada também para o treinamento dos cavalos. "Eles adoram correr na esteira, principalmente no verão, quando podem aproveitar o ar condicionado da sala", diz Queiroz, que dá aulas na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
Logo ao lado da esteira, uma sala cheia de equipamentos de alta tecnologia, onde exames de sangue, biópsias e outras importantes análises são realizadas, ganhará em breve um novo reforço. Modernos equipamentos de hidroterapia serão instalados para os Jogos de 2016.

Nos esportes hípicos, temos dois tipos de atletas de alto rendimento: os que têm duas pernas e os que têm quatro. Para que o rendimento seja o maior possível, ambos precisam ser bem tratados e contar com níveis equivalentes de atendimento especializado.
"Todos os cavalos que temos aqui são atletas", conta Queiroz. "A grande diferença do nosso esporte é que precisamos preparar dois atletas – o cavalo e o cavaleiro. É uma verdadeira parceria entre os dois", completa.
Os atletas com duas pernas também são figuras certas no Centro Nacional de Hipismo, que abriga anualmente um grande número de competições. A paulista Luiza Novaes Tavares de Almeida, de 22 anos, representou o Brasil nos eventos de adestramento nos Jogos Londres 2012 e Pequim 2008, assim como nos Jogos Pan-Americanos 2007 e nos Jogos Mundiais Militares, ambos disputados em Deodoro. Durante uma competição de adestramento no final de abril, ela afirmou que a reforma do Centro Nacional de Hipismo para os Jogos Rio 2016 será um importante legado esportivo.
"Vai ser muito bom durante os Jogos Olímpicos, mas o mais importante é que depois dos Jogos o Centro continuará a todo vapor", disse Luiza. "Ele continuará a ser utilizado e a receber manutenção. Isso vai encorajar mais pessoas a se envolver com o hipismo e ajudar na popularização do esporte", acrescenta.
Outro cavaleiro a competir no evento foi João Victor Marcari Oliva. O jovem de 18 anos é filho da Hortência, ícone do basquetebol brasileiro, e conquistou três medalhas de ouro no adestramento nos Jogos Sul-Americanos de Santiago, em março deste ano.
"Meu objetivo é competir nos Jogos do Rio", disse. "Será incrível, todos os cavaleiros do Brasil sonham em participar. O Centro Nacional de Hipismo precisa ser melhorado, mas acredito que estará ótimo em 2016", completa.
Companheiro de equipe de Oliva, Rogério Clementino, de 32 anos, trilhou um caminho inusitado: foi de tratador de cavalos a cavaleiro. Em 2007, ele conquistou o bronze no evento de adestramento no Jogos Pan-Americanos.
"Competir em casa para um estádio lotado foi uma experiência inesquecível. Agora estamos totalmente focados nos Jogos Rio 2016. O Centro Nacional de Hipismo é excelente, tem ótimas pistas. Algumas coisas ainda precisam ser melhoradas, mas tenho certeza que serão. Teremos tudo para fazer um grande evento no Rio de Janeiro", afirma.
Confira abaixo a galeria de fotos do Centro Nacional de Hipismo, em Deodoro: