Campo Olímpico é o primeiro passo para popularizar o golfe no Brasil
Em 2012, Cristian Barcelos se tornou o primeiro campeão brasileiro juvenil formado em um campo público. Para Alexandre Rocha, essa é a solução para o crescimento do golfe
Em 2012, Cristian Barcelos se tornou o primeiro campeão brasileiro juvenil formado em um campo público. Para Alexandre Rocha, essa é a solução para o crescimento do golfe
Cristian Barcelos começou a jogar em um projeto social de Japeri e fez história no esporte brasileiro em 2012 (Zeca Resendes/CBG)
Um novo capítulo na história do golfe brasileiro começa a ser escrito. O retorno aos Jogos Olímpicos e a consequente construção do Campo Olímpico de Golfe, na Reserva de Marapendi, promete ser um divisor de águas do esporte não apenas no Rio de Janeiro, como em todo o Brasil.
Para entender a evolução do golfe no país do futebol, o site Rio 2016™ conversou com dois atletas que estão se destacando no esporte. O primeiro é o jovem Cristian Barcelos, de apenas 18 anos, que aprendeu a jogar em um projeto social do município de Japeri, onde mora, aos 12 anos. No ano passado, Cristian se tornou o primeiro campeão brasileiro juvenil formado em um campo público.
“Comecei através dos amigos. Moro em Japeri e lá tem projeto social, onde os moradores da região jogam em um campo público. As crianças saem das ruas pra jogar golfe. Eu tinha 12 anos e aprendi muito rápido. No início era brincadeira, mas comecei a me destacar e o negócio ficou sério. Aos 17 anos venci o Campeonato Brasileiro Juvenil e conquistei alguns outros títulos. Agora tive a oportunidade de jogar o torneio mais importante da minha vida, do Web.com Tour (divisão de acesso para o PGA Tour)”, disse Cristian, referindo-se ao Brasil Classic, torneio que aconteceu no início do mês em São Paulo.
Para o promissor atleta, o golfe mudou a sua vida, principalmente na escola. “Antes eu era meio rebelde, discutia com meus pais, por exemplo. Hoje em dia, vejo as coisas de forma diferente. Sei que tenho meus limites, respeito as pessoas. Eu nunca imaginei ser golfista, nem sabia o que era o esporte, e hoje não sei o que seria da minha vida sem o golfe”, falou.

Alexandre Rocha volta a jogar no Brasil Classic em São Paulo após ausência de oito anos (Zeca Resendes/CBG)
O outro destaque é o paulista Alexandre Rocha, segundo brasileiro a disputar o PGA Tour (Associação dos Golfistas Profissionais), depois de Jaime Gonzalez, que jogou na elite do golfe mundial até 1982. Alexandre começou a jogar aos cinco anos por influência dos pais e avós, todos ex-golfistas. Pai do pequeno Rafael, de três anos, Alexandre considera que o caminho para a popularidade do esporte no Brasil será através da criação de campos públicos.
“Todos os campos de golfe no país fazem parte de clubes privados, o que torna muito caro o ingresso aos mesmos e a pratica do esporte. O Campo Olímpico do Rio passando a ser público é ótimo, um exemplo a ser seguido”, disse Alexandre, que garantiu ser prioridade na sua carreira a disputa dos Jogos Olímpicos, em 2016.
“Foi uma emoção enorme saber que os Jogos Olímpicos vêm ao Brasil e que meu esporte estará de volta aos Jogos. Disputar a competição em 2016 é, desde o anúncio do retorno do golfe, prioridade na minha carreira. O golfe é um esporte individual e, portanto, não nos proporciona muito a oportunidade de representar o nosso país. Disputar os Jogos do Rio será não somente um sonho realizado mas também uma tremenda honra”, considerou.
Cristian também é só elogios à abertura do Campo Olímpico para qualquer pessoa praticar o esporte após a realização dos Jogos. “É uma ótima iniciativa para o crescimento do golfe no Brasil. É um esporte que pode ser um pouco caro e nem todo mundo tem oportunidade de jogar em um campo de alto nível, como vai ser esse construído no Rio. Assim como eu tive oportunidade de conquistar tudo isso saindo de um campo público, mais pessoas vão poder viver isso”, acredita.
Cristian é um dos primeiros alunos formados no primeiro campo público de golfe do Brasil, em Japeri, município do Rio. Construído a partir de doações e patrocínios, o campo foi inaugurado em 2005, tem nove buracos e fica a apenas 50 minutos do centro da cidade.
O pioneirismo da iniciativa contempla ainda um projeto de grande apelo social: a Escolinha de Golfe, que atende a mais de cem crianças com idades de 7 a 17 anos, moradoras de Japeri e Engenheiro Pedreira. Totalmente gratuitas, as aulas incluem noções de etiqueta e comportamento, conscientização ambiental e reforço escolar além da prática esportiva.