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Um mundo novo

'Estamos todos conectados', diz artista que tenta recorde com mural para o Rio 2016

Por Megan Stewart e Sofia Perpétua

Inspirado nos anéis olímpicos, mural na Zona Portuária traz rostos de nativos dos cinco continentes

'Estamos todos conectados', diz artista que tenta recorde com mural para o Rio 2016

O estilo único do grafiteiro Eduardo Kobra marca o mural de 3.000 metros quadrados criado para os Jogos Rio 2016 (Foto: Rio 2016/Paulo Mumia)

A 15 dias da abertura oficial dos Jogos Olímpicos, o Rio de Janeiro já viu o primeiro recorde ser quebrado. Mas ele não foi feito numa pista de corrida, tampouco numa piscina. Trata-se de um gigantesco mural na Zona Portuária do Rio.

O trabalho foi feito pelo grafiteiro Eduardo Kobra, que tenta entrar para o Guinness Book, o Livro dos Recordes, com o maior mural já feito por um único artista.

Batizado de "Etnias", destaca-se por suas cores caleidoscópicas e tem nada menos que 190 metros de comprimento. Kobra enxerga a obra monumental como um marco de boas-vindas aos visitantes de todo o mundo que estarão nos Jogos Rio 2016.

O mural será um dos pontos mais importantes do chamado 'Boulevard Olímpico'  (Foto: Rio 2016/Paulo Mumia)

Com 15 metros de altura, a pintura ocupa impressionantes 3 mil metros quadrados e pode ser reconhecida como a maior do mundo em seu estilo. "Estou muito feliz em poder exibir meu trabalho no Rio de Janeiro", diz o artista de 40 anos nascido em São Paulo. "É um desejo que tenho vontade de realizar há muito tempo", diz.

Kobra também é parte de um timaço composto por 13 artistas responsáveis por desenhar os pôsteres oficiais dos Jogos Rio 2016.

Previsto para ser lançado no dia 30 de julho, o trabalho consumiu nada menos que 1.500 litros de tinta branca e 3.500 latas de spray. Tudo isso para compor o rosto de cinco nativos dos cinco continentes. Trata-se, também, de uma alusão aos cinco aros olímpicos.

Kobra utiliza um elevador hidráulico para alcançar a parte mais alta do mural (Foto: Rio 2016/Paulo Mumia)

Para compor o mural, Kobra contou com a ajuda de quatro pessoas, que trabalharam ao menos 12 horas por dia, durante dois meses. O desenho cobre a parede de um antigo depósito de dois andares do Porto.

Kobra e sua equipe usaram sete elevadores para cobrir a parede (Foto: Rio 2016/Paulo Mumia)

O mural fica numa das vias do chamado Boulevard Olímpico, um gigantesco live site que se estende por três quilômetros da região portuária. Ali, telões vão exibir os Jogos em tempo real, e três palcos contarão com shows, performances e queima de fogos. A via terá ainda food trucks e atividades para crianças. 

No entorno estão a Praça Mauá e o novo Museu do Amanhã, que são hoje atrações obrigatórias do Rio. E quem passar por ali pode admirar o moderno sistema de veículo leve sob trilho, o VLT.

Uma das novas estações do VLT está localizada em frente ao mural de Kobra (Foto: Rio 2016/Paulo Mumia)

Kobra conta que fez um grande esforço para conseguir reproduzir fielmente o espírito indígena no seu trabalho. "A ideia que quero passar é a de que todos somos um só", conta.

"É a primeira vez que trabalho com diferentes etnias. Todos temos as mesmas origens e, por isso, temos de nos manter unidos. Não só durante os Jogos Olímpicos, mas sempre". 

"Nós estamos todos conectados"

Kobra conta que o mural faz parte de um projeto em andamento, chamado Olhares da Paz. Trata-se de uma série de obras internacionais que retratam personalidades como Nelson Mandela, Martin King Jr., Gandhi e Madre Teresa de Calcutá, entre outros.

"Vivemos numa era muito confusa e repleta de conflitos. Quero mostrar que todos precisamos nos unir, que estamos todos conectados", afirma.

Kobra trabalha em detalhes de uma das faces (Foto: Getty Images/Paulo Mumia)

Caso seja aceito pelo Guinness Book, "Etnias" terá quase o dobro do tamanho do atual recorde, um mural feito pelo mexicano Ernesto Rocha. "Sou motivado pelos desafios. Esse era um prédio totalmente abandonado e, para que a pintura desse certo, precisamos cobrir tudo de branco primeiro", relembra. 

Quem é Kobra?

Morador de São Paulo, Kobra já realizou trabalhos em cidades tão distintas quanto Tóquio, Dubai, Londres e Nova York. "Todo meu aprendizado foi feito nas ruas", conta.

Conhecido pelo apelido que usa para assinar seu trabalho, Kobra emprega formas geométricas e uma combinação de cores para compor retratos de pessoas comuns, celebridades e políticos. Entre as personalidades já retratadas estão John Lennon, Bob Dylan e Dalai Lama.

Depois de ser preso por vandalismo quando ainda era adolescente, o juiz encarregado de julgá-lo o reconheceu como um talento da arte. E sua pena acabou sendo pintar a fachada de uma delegacia.

"Na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil pode ser difícil conseguir uma autorização para grafitar. É até surpreendente, mas, no momento, o lugar mais aberto ao grafite são os Estados Unidos", diz.

Depois de finalizar "Etnias", Kobra vai viajar para Cincinnati, justamente nos Estados Unidos, para retratar o astronauta Neil Armstrong.