Boas de briga: evento-teste de luta Olímpica mostra a força feminina na Arena Carioca 1
Tricampeã mundial, Adeline Gray confirma superioridade e quer a primeira medalha dos Estados Unidos no Rio 2016
Tricampeã mundial, Adeline Gray confirma superioridade e quer a primeira medalha dos Estados Unidos no Rio 2016
Adeline Gray (azul) em ação contra a canadense Erica Wiebe (Foto: Rio 2016/Alex Ferro) (Rio 2016/Alex Ferro)
A luta Olímpica pode ainda ser dominada por homens, mas foi a força das mulheres que sacudiu a Arena Carioca 1 neste fim de semana. Sem puxões de cabelo, arranhões ou qualquer outro tipo de golpe atribuído pelo senso comum para um embate feminino, o Wrestling Lady’s Open, evento-teste da modalidade para os Jogos Rio 2016, trouxe os principais nomes da luta mundial para um verdadeiro show de estratégia, força e garra.
Adeline Gray, tricampeã mundial de luta Olímpica e medalhista de ouro até 75kg no evento-teste
A história das mulheres na luta Olímpica é recente. Em campeonatos mundiais, as mulheres competem desde 1987, quando apenas oito nações enviaram lutadoras. Hoje, já são mais de 100. As mulheres fizeram sua estreia nos Jogos Olímpicos em Atenas 2004, uma consequência direta da crescente participação feminina em esportes antes considerados masculinos. O mesmo se deu com o boxe, última modalidade a incluir embates entre mulheres nos Jogos Londres 2012.
Danielle Lappage, do Canadá, medalhista de ouro na categoria até 63kg do evento-teste
A Federação Internacional de Luta (FILA) acompanhou o movimento e vem reiterando seu compromisso em promover o desenvolvimento e inclusão de lutadoras. Um exemplo claro disso foi a adesão das novas categorias de peso no estilo livre feminino entre a série de novidades que chegam aos Jogos Rio 2016.
“Não é apenas sobre força ou velocidade. É um esporte de garra, estratégia e técnica. Não tem porque as mulheres não praticarem. Inclusive, elas oferecem uma dinâmica especial ao esporte”, disse Stanley Dziedzic, vice-presidente da FILA.
O evento-teste da luta Olímpica reuniu 50 lutadoras de oito países na cidade-sede dos Jogos Rio 2016 seis meses antes do torneio Olímpico. China, Canadá e Estados Unidos já são conhecidos pela tradição no esporte e, no evento-teste, provaram novamente o seu domínio.

Enquanto o primeiro dia (sábado, 30 de janeiro) foi marcado pela superioridade chinesa, neste domingo (31), o clima de empolgação para ver a tricampeã mundial americana Adeline Gray tomou conta da Arena Carioca 1.
Após derrotar a brasileira Aline Silva na primeira fase e a chinesa Qian Zhou nas semifinais, Adeline levou a melhor sobre a canadense Erica Wiebe em um duelo duro decidido nos últimos segundos de luta. Para a americana, o evento-teste deu uma prévia do que deve acontecer no Rio 2016.
Adeline Gray
O Brasil tem na equipe feminina a real chance da primeira medalha Olímpica da história no esporte, especialmente com a paulista Aline Silva, que ficou com o bronze no evento-teste (confira nossa entrevista exclusiva com a atleta).

O Canadá também subiu no alto do pódio no evento-teste, desta vez na categoria até 63kg, com Danielle Lappage, que já conquistou a classificação para os Jogos Rio 2016.
“Estou muito animada por estar aqui. Achei o evento muito bem organizado, a instalação está linda. Não vejo a hora de ver o que agosto vai trazer. Será a minha primeira vez nos Jogos Olímpicos – é o meu maior sonho”, comentou.
Na categoria até 53kg, a China foi ouro e prata com Xuechun Zhong e Hui Li, respectivamente. O Brasil perdeu as duas disputas pelo bronze – na primeira Kamila Silva foi vencida por superioridade técnica pela russa Natalia Malysheva e na segunda Giulia Oliveira não resistiu ao ataque da americana Alyssa Lampe.
Além da gestão da instalação, foram testados o sistema de resultados, operação de voluntários e a área de competição, todos aprovados pelos atletas e Federação Internacional.
“O evento correu muito bem. Conseguimos observar a instalação e ver claramente o que queremos fazer. Queremos uma área de competição limpa e senti que o Comitê Organizador entende isso. Estamos ansiosos para os Jogos Olímpicos”, comentou Stanley Dziedzic.

Essa foi a terceira vez que a Arena Carioca 1 passou por um teste para os Jogos Rio 2016 – a instalação recebeu as competições de basquetebol e halterofilismo no mês de janeiro. A próxima competição a testar operações para os Jogos Olímpicos será a Copa do Mundo de Saltos Ornamentais – que trará campeões mundiais e medalhistas Olímpicos em busca de uma vaga no Rio 2016.