Atletas refugiados: Yiech Pur Biel, o "Garoto Perdido" que encontrou seu lugar no atletismo
Após deixar seu país em meio à guerra civil, Biel encontrou abrigo no Quênia, virou corredor e hoje é treinado por uma campeã Olímpica e mundial
Após deixar seu país em meio à guerra civil, Biel encontrou abrigo no Quênia, virou corredor e hoje é treinado por uma campeã Olímpica e mundial
Yech Pur Biel começou a competir há um ano, e agora tem a chance de disputar os Jogos Olímpicos Rio 2016 (foto: COI)
Há 11 anos, Yech Pur Biel fugiu do Sudão do Sul para escapar de uma selvagem guerra civil. Após dez anos vivendo em um campo de refugiados, em 2015 ele começou a correr competitivamente. Neste mês de agosto, o jovem de 21 anos disputará os 800m do atletismo nos Jogos Olímpicos Rio 2016.
“Mesmo que eu não conquiste ouro ou prata, mostrarei ao mundo que, como um refugiado, posso fazer algo”, disse Biel, um dos dez atletas que compõem a delegação dos refugiados formada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).
A jornada de Biel desde sua cidade Natal, Nasir, até o campo de refugiados de Kakuma, no norte do Quênia, é um resquício do que fizeram entre as décadas de 1980 e 1990 os "Garotos Perdidos do Sudão", um grupo de centenas de milhares de meninos e meninas das etnias Nuer e Dinka que fugiram de suas cidades e caminharam distâncias enormes até Kakuma.
No Quênia, Biel é treinado pela campeão Olímpica e mundial Tegla Loroupe (foto: COI)
Durante dez anos Biel viveu em Kakuma, um dos maiores campos de refugiados do mundo, com mais de 179 mil pessoas. A maioria escapou da guerra e da violência em países vizinhos como Sudão, Sudão do Sul e Somália, e muitos ali são refugiados de longa data. A situação é particularmente ruim para os jovens.
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“Muitos de nós enfrentamos uma porção de desafios. Não temos instalações, às vezes nem sapatos nós temos. Não há academia, e nem a temperatura favorece os treinos, porque de manhã até a noite o tempo é ensolarado e quente”, diz Biel.
Em 2015, Biel descobriu que a Fundação Tegla Loroupe, batizada em homenagem à queniana campeã Olímpica e mundial da maratona, faria testes de atletismo em Kakuma. Embora jamais tivesse disputado uma corrida, decidiu participar. Depois de um grande desempenho nos testes, foi selecionado para se juntar à fundação. Hoje, é treinado pela própria Tegla Loroupe em Nairóbi, a capital do Quênia, onde se prepara para defender a delegação dos refugiados no Rio 2016.
Biel vê nos Jogos Olímpicos a oportunidade de mudar de vida (foto: COI)
O time é parte do projeto do COI para ajudar potenciais atletas de elite afetados pela crise global de refugiados. Comitês Olímpicos Nacionais ao redor do mundo foram convidados a nomear atletas refugiados com potencial para competir nos Jogos. Entre os 43 indicados, 10 foram selecionados.
O time de refugiados competirá sob a bandeira Olímpica e, assim como qualquer outra delegação, terá sua própria equipe técnica para cumprir todos os requisitos dos atletas de elite. Loroupe, por exemplo, lidera um grupo de cinco treinadores e mais cinco outros oficiais. Para Biel, competir nos Jogos Olímpicos é uma oportunidade que pode mudar sua vida.