Atletas refugiados: Rose Nathike Lokonyen, a corredora descalça mensageira da paz
Atleta do Sudão do Sul, que disputa os 800mn no Rio 2016, só começou a correr de tênis há um ano
Atleta do Sudão do Sul, que disputa os 800mn no Rio 2016, só começou a correr de tênis há um ano
Lokonyen espera um dia poder organizar uma corrida para ajudar outros refugiados e assim promover a paz (Foto: COI)
Há um ano, Rose Nathike Lokonyen corria descalça no campo de refugiados de Kakuma, no Quênia. O tempo passou, a vida mudou para melhor e hoje ela é parte da delegação de refugiados do Comitê Olímpico Internacional (COI) que compete nos Jogos Olímpicos Rio 2016. "Meu sonho, minha prioridade, é ajudar meus pais e meus irmãos. Depois, quero ajudar os demais refugiados", diz a atleta nascida no Sudão do Sul.
Quando tinha dez anos, Rose e sua família fugiram do Sudão do Sul em meio à escalada da violência decorrente da guerrra civil. Hoje com 23 anos, ela vive no campo de refugiados de Kakuma, no norte do Quênia, junto de cerca de 180 mil refugiados. "Se meus pais não tivessem nos trazido ao Quênia, poderíamos ter morrido", conta ela.
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Rose tinha apenas dez anos quando fugiu de seu país com a família (Foto: COI)
Os pais de Rose voltaram ao Sudão do Sul em 2008, mas decidiram deixar os filhos em Kakuma. Foi assim que ela descobriu a paixão pela corrida. "Comecei a correr quando estava no colégio. Eu adoro correr, hoje essa é minha carreira", diz.
Embora corra há muitos anos, foi somente em 2015 que Rose percebeu ter talento. Isso acoteceu durante um período de testes promovidos em Kakuma pela Fundação Tegla Loroupe, sediada em Nairóbi, no Quênia. "Foi apenas uma competição que fizeram entre os refugiados. Alguns de nós, como eu, corríamos sem tênis. Corremos dez quilômetros e eu fui a segunda colocada", recorda.
Escolhida para se juntar à Fundação, Rose hoje treina com a própria Tegla Loroupe, campeã mundial na maratona. Ao lado de quatro compatriotas, prepara-se para competir no Rio e pensa na melhor forma de usar os Jogos para mudar as vidas de outras pessoas.
"Estou muito feliz de empunhar a bandeira dos refugiados, porque foi como refugiada que comecei minha vida. Vou representar meu povo no Rio", disse ela, otimista. "Se tiver sucesso, quero organizar uma prova que ajude a promover a paz e unir as pessoas."
Rose hoje treina com a campeã Olímpica da maratona Tegla Loroupe (Foto: COI)
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