Atletas refugiados: promissor maratonista Yonas Kinde finalmente compete nos Jogos Olímpicos
Etíope, que venceu muitas corridas na Europa, até agora não conseguiu brilhar em grandes competições pela falta de cidadania
Etíope, que venceu muitas corridas na Europa, até agora não conseguiu brilhar em grandes competições pela falta de cidadania
Yonas Kinde venceu corridas de longa distância em Luxemburgo, França e Alemanha (foto: COI)
"É impossível eu viver lá. É muito perigoso". É assim que o maratonista Yonas Kinde, que está sob proteção internacional de Luxemburgo desde 2013, descreve seu país, a Etópia. Após anos de incerteza, o atleta de 36 anos é parte da primeira delegação de refugiados do Comitê Olímpico Internacional (COI) nos Jogos Olímpicos Rio 2016, em agosto.
"Eu participarei dos Jogos Olímpicos. Estou orgulhoso e feliz", diz Kinde, que tem dificuldade de explicar por que teve que deixar a Etiópia.
Ele vive em Luxemburgo há cinco anos e está sob proteção especial há três. "Deixei meu país por problemas políticos. Há muitas dificuldades, morais e econômicas, e é muito difícil ser um atleta", afirma.
Kinde iniciou uma nova vida em Luxemburgo (foto: COI)
Embora sua vida tenha melhorado muito desde que chegou a Luxemburgo, Kinde, que tem aulas de francês e dirige um táxi, admite que tem sido um desafio a adaptação à vida de refugiado.
"No início eu não percebi que a vida de refugiado seria assim. Foi difícil no começo", declara. "O outro lado é que somos livres aqui. Existem alguns problemas com a situação dos refugiados, mas eu sei que houve uma mudança para melhor e, por isso, é muito bom".
Mas Kinde se anima quando o assunto muda para o atletismo. "Não posso explicar a sensação. É poderosa, incrível", afirma. Ele começou correndo os 10 mil metros e a meia-maratona, mas acabou se adaptando à maratona.
Kinde recebe orientações do técnico Yves Göldi (foto: COI)
Durante sua carreira relativamente curta na Europa, conquistou vários troféus em Luxemburgo, França e Alemanha, onde correu uma maratona impressionante no ano passado, em apenas duas horas e 17 minutos. "Se ele fosse de Luxemburgo, teria se classificado para a equipe Olímpica", diz o técnico Yves Göldi.
"Venci muitas corridas, mas não tenho uma nacionalidade para participar dos Jogos Olímpicos ou do campeonato europeu", diz Kinde. "É uma ótima notícia para atletas refugiados saber que a solidariedade Olímpica nos deu a oportunidade de participar".
"Normalmente eu treino todos os dias, mas quando ouvi a novidade (sobre o time de refugiados) eu comecei a treinar duas vezes ao dia, de olho nos Jogos Olímpicos. É uma grande motivação".
Kinde está confiante para sua estreia Olímpica. "Temos uma meta de fazer o melhor tempo, competir com os melhores atletas e, por que não, ganhar uma medalha".
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